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'Filmes por Rudney Flores' > Bingo revela uma época sem limites da tevê brasileira



Wladimir Brichta tem seu melhor papel no
cinema em Bingo – O Rei da Manhãs. 

Crédito da foto: Alisson Louback
Houve uma época, não muito distante, em que os programas de tevê praticamente não tinham amarras ou regras a seguir, mesmo os destinados a crianças. Músicas e brincadeiras que seriam impensáveis nos dias atuais, eram apresentadas normalmente nas manhãs e tardes na telinha. Foi o período final da ditadura militar e de uma censura que durou mais de 20 anos, então quase tudo era permitido. Este cenário serve como pano de fundo para a história de Bingo – O Rei das Manhãs, principal estreia nos cinemas brasileiros nesta semana.

Dirigido por Daniel Rezende, premiado editor de cinema brasileiro, indicado ao Oscar por Cidade de Deus e que estreia no comando de um longa-metragem, o filme é livremente inspirado na vida de Arlindo Barreto, um dos principais intérpretes brasileiros do palhaço Bozo (que por questão de direitos autorais, não é citado na história).

O ótimo roteiro de Luiz Bolognesi (Bicho de Sete Cabeças) conta a história de Augusto Mendes (Vladimir Brichta), um ator de pornochanchadas que tem a chance de virar estrela ao interpretar o palhaço Bingo, que em pouco irá virar febre nas manhãs da televisão brasileira. Muito ligado à mãe Marta (Ana Lúcia Torre), o ator ainda vive as turras com Angélica (Tainá Müller), mãe de seu filho Gabriel (Cauã Martins) e estrela de sucesso da novela das 8 da maior emissora do país. Embrigado (literalmente) pelo sucesso do palhaço, mas também frustado por nunca pode revelar por contrato que é Bingo, Augusto entra numa vida de drogas e sexo e acaba deixando de lado a família, principalmente o filho.

O roteirista toma algumas liberdades artísticas e temporais para ambientar melhor a história do palhaço, mas, aliada a uma bem selecionada trilha sonora dos anos 1980, a trama ajuda a representar muito divertidamente uma época destacada da cultura nacional.

Revelado na peça teatral A Máquina, de 2000, ao lado de Lázaro Ramos e Wagner Moura, Brichta destacou-se logo na televisão, em novelas e séries, mas teve uma carreira errática no cinema, com poucos protagonistas de destaque – em Fica Comigo Esta Noite, de João Falcão, e Real Beleza, de Jorge Furtado.

Bingo é o papel da vida do ator mineiro nas telas – ele foi indicado por Moura, para quem o personagem foi criado originalmente e que abandonou o projeto por questões de agenda. Brichta defende o palhaço brilhantemente, comandando o grande elenco que ainda tem como destaques Leandra Leal (a diretora do programa de tevê Lucia) e Augusto Madeira (o cameraman Vasconcelos). Cotação: Ótimo.

Trailer de Bingo – O Rei das Manhãs




A Torre Negra

Um dos autores mais adaptados para o cinema, o escritor Stephen King chega mais uma vez à tela grande em A Torre Negra, produção que tem estreia esta semana no Brasil. Conhecido por obras de diversos estilos como O IluminadoIt – A Coisa (que, em breve, ganha nova versão nos cinemas), Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre, King apresenta em A Torre Negra um vasto universo de aventura e fantasia, descrito em oito livros, já adaptados em parte nos quadrinhos.

O filme traz a história do garoto Jake Chambers (Tom Taylor), que tem pesadelos sobre um mundo sombrio dominado pelo Homem de Preto (Matthew McConaughey, Oscar de melhor ator por Clube de Compras Dallas). O maligno feiticeiro utiliza o poder mental de crianças selecionadas para tentar destruir a Torre Negra, uma espécie de alicerce de todos os mundos existentes, incluindo a Terra, conhecida também como mundo-chave. Seu oponente mais forte é o pistoleiro Roland Deschain (Idris Elba, de Prometheus), último de sua linhagem. Se a torre cair, todo o universo viverá uma era de trevas comandada pelo Homem de Preto.

Jake transforma as imagens que vê em desenhos e acha que o acontecimentos revelados nos seus sonhos é o que está causando diversas anomalias na Terra, como terremotos. Por isso, é considerado mentalmente pertubado pelos pais e na escola. Cada vez mais atormentado pelas visões e pressionado com a possibilidade de ser internado, Jake descobre um portal para o mundo dominado pelo Homem de Preto. Lá, ele ajudará o Pistoleiro e combater o feiticeiro.

A produção dirigida pelo dinamarquês Nikolaj Arcel é uma espécie de apresentação da futura série de tevê homônima, que deverá contar a origem do pistoleiro Roland. Dessa forma, não se aprofunda na volumosa obra criada por King. Alguns elementos são destacados, como o código de honra dos pistoleiros e os poderes quase ilimitados do Homem de Preto, mas tudo é resolvido muito rapidamente (o filme é curto, pouco mais de 1h30) e a história acaba de forma abrupta. Visualmente, também não há grande novidades nos efeitos especiais. Resta esperar e ver se a adaptação será melhor na tela pequena. Cotação: Regular.

Trailer de A Torre Negra




Conflitos familiares

O Castelo de Vidro, outras das estreias da semana em Curitiba, apresenta mais uma história de conflitos e traumas familiares, base para diversas obras artísticas. O filme é uma adatapção do livro homônimo da jornalista americana Jeannette Walls, que relata a vida de sua família nos anos 1970 e 1980.

O roteiro intercala cenas de Jeannette adulta (Brie Larson, Oscar de melhor atriz por O Quarto de Jack), uma jornalista responsável pela coluna de fofocas em um grande jornal de Nova Iorque, e flashbacks de sua vida de criança ao lado do pai libertário Rex (Woody Harrelson), da mãe desligada e artista Rose Mary (Naomi Watts) e dos irmãos Lori, Brian e Maureen.

A vida dos Walls é muito pobre e instável durante a infância dos filhos, com a família fugindo de cidade em cidade, enquanto o patriarca insiste em lutar contra as regras do sistema. Misturando momentos de carinho e violência, muitas vezes atormentando os filhos, Rex promete sempre que construirá uma casa onde todos serão felizes, mas o sonho fica a cada dia mais distante. Ele tem seus próprios demônios para lidar e não permite que os filhos tenham uma vida estruturada. Já adulta e prestes a casar, Jeannete ainda tenta se livrar dos traumas do passado e compreender melhor a opção de vida dos pais.

Dirigido por Destin Daniel Cretton (roteirista do sucesso A Cabana), o filme tem sua força no elenco de competentes atores indicados ao Oscar, com destaque para Harrelson, que se encaixa sempre bem em personagens com a fúria de Rex. Em escala menor ou maior, muitas das situações e conflitos vivenciados pelos Walls fazem parte da história de diversas famílias, o que leva a certa identificação com os personagens. Os verdadeiros Walls aparecem em imagens nos créditos da produção. Cotação: Bom.

Trailer de O Castelo de Vidro




Outras estreias

A programação está bem movimentada nesta semana na capital paranaense. Na Cinemateca de Curitiba estreia o documentário nacional Um Filme de Cinema, de Walter Carvalho, um dos maiores nome da fotografia de cinema no mundo. O escritor Ariano Suassuna e diversos cineastas como Héctor Babenco, Gus Van Sant, José Padilha, Béla Tarr, Júlio Bressane, Ruy Guerra, Jia Zhang-ke e Karim Aïnouz discutem questões sobre a linguagem cinematográfica. Como atingir a verdade? O cinema deveria ser realista ou privilegiar o falso? Qual é o papel da objetividade na hora de filmar? Como explorar o som? Qual é a diferença de usar planos longos em relação aos curtos?

O diretor Ruy Guerra faz depoimento em cena de Um Filme de CinemaCrédito da foto: Divulgação/República Pureza Filmes


No Espaço Itaú, estreiam: o nacional Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano, drama sobre um paraíbano que trabalha em uma fábrica de confecção roupas no centro de São Paulo e que mantém encontros com outros homens; o documentário O Deserto do Deserto, de Samir Abujamra eTito Gonzalez Garcia, que apresenta o povo beduíno nômade Saharius, oriundo do Saara Ocidental, região ocupada pelo Marrocos há 40 anos, e que vive em um campo de refugiados na Argélia; e Bye Bye Alemanha, do diretor alemão Sam Garbarki, com uma história de amigos judeus que vivem em Berlim no pós-guerra, em 1946, e que desejam desesperadamente mudar para os Estados Unidos.

O filme alemão também está em cartaz no Cineplex Batel, que destaca ainda a estreia de Últimos Dias em Havana, de Fernando Perez (do belo documentário poético Suíte Havana). A história fala de Miguel, que vive em Cuba e trabalha como lavador de prato. Ele mora junto com Diego, que tem o vírus da aids. A relação entre os dois é abalada quando Miguel finalmente consegue um visto americano e deseja sair do país.

Nas redes Cinemark, Cinesystem, UCI e no Cinepólis Pátio Batel estreia na Na Mira do Atirador, de Doug Liman (A Identidade Bourne). O filme é estrelado por Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass) e a trama fala de um atirador iraquiano que encurrala dois soldados americanos em pleno campo de batalha.

Na terça-feira (dia 29), o projeto Clássicos Cinemark destaca em sessão única, às 20 horas, no Cinemark Mueller, o cultuado Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes, gênio dos filmes adolescentes dos anos 1980 e 1990.

Mia Sara, Matthew Broderick e Alan Ruck estão no 
clássico adolescente Curtindo a Vida Adoidado
Crédito da foto: Divulgação/Paramount Pictures




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