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Mãe! traz experiência incômoda ao espectador - Filmes, por Rudney Flores


Javier Bardem e Jennifer Lawrence estrelam Mãe!, de Darren Aronofsky.
Crédito da foto: Divulgação Paramount Pictures


A programação de cinema em Curitiba tem várias estreias nesta semana. O maior destaque, pelos nomes envolvidos, fica com o suspense/terror Mãe!, novo filme do diretor Darren Aronofsky e estrelado pelos oscarizados Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) e Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez), e com Ed Harris (O Show de Truman) e Michelle Pfeiffer (Batman – O Retorno) como coadjuvantes.

Cultuado por muitos cinéfilos, Aronofsky apresenta mais uma produção que confirma sua carreira irregular, que vai de ótimos trabalhos como os iniciais Pi(1998) e Réquiem por um Sonho (2000), além de O Lutador (2008), a produções pretensiosas como Fonte da Vida (2006) e Cisne Negro (2010), ou mesmo fracas como Noé (2014). Mãe! se aproxima dessas últimas e traz uma história que fala da arte e do fascínio do artista (para o público e para consigo mesmo), destacando também algumas referências bíblicas.

Os personagens não são nomeados. Lawrence e Bardem formam um casal que se isola numa casa distante, ele um poeta em crise, sem conseguir criar sua arte, e ela a cuidar da nova morada. Uma noite, um estranho (Harris) bate à porta e é recebido de forma estranhamente amistosa pelo escritor. Logo em seguida chegam sua esposa (Pfeiffer) e filhos, e mais amigos dessa família. A dona da casa assiste assustada os estranhos tomarem conta do seu lar e cobra do passivo marido uma solução que ele não consegue dar. Em breve, ela ficará grávida e a invasão à casa e à vida do casal atingirá níveis inimagináveis.

O cineasta americano cria um clima de grande suspense e usa como artifício uma câmera grudada em seus atores, seja em closes ou planos subjetivos, principalmente com Lawrence. Em certos momentos, lembra um pouco Lars von Trier (Dogville), diretor que judia como pode de suas personagens femininas (e muitas vezes das próprias atrizes que as interpretam, mas não é o caso aqui). Aronofsky se arrisca e busca fugir do lugar comum das produções hollywoodianas, mas o resultado final é um exercício um tanto egocêntrico e histérico do diretor, que pode irritar o espectador, mas não pelo lado positivo daquelas produções que trazem incômodo e fazem o espectador despertar e refletir. Cotação: Regular.

Trailer de Mãe!




O primeiro alvo

A série Bourne continua dando o tom dos filmes de ação e espionagem da última década. O novo filme do gênero a chegar aos cinemas do Brasil éAssassino: O Primeiro Alvo, de Michael Cuesta, diretor de episódios de ótimas séries como HomelandDexter e A Sete Palmos.

Na história, Mitch Rapp (Dylan O´Brien, da franquia Maze Runner) torna-se um fanático perseguidor de terroristas após uma tragédia com sua noiva. Seu ótimo desempenho em se infiltrar nas células terroristas o faz ser cooptado pela CIA, sob treinamento do durão Stan Hurley (Michael Keaton, de Birdman). Rapp sempre segue seus instintos, mas terá muito o que aprender como o experiente mentor. A dupla irá enfrentar um poderoso inimigo, um ex-aluno de Hurley que se rebelou contra os Estados Unidos.

A produção traz mais do mesmo – muitos tiros, perseguições, explosões, lutas, personagens duplos, seguindo a cartilha tradicional das produções de ação. Keaton é sempre destaque no que faz, mas neste filme atua no automático e não faz grande esforço para apresentar um personagem interessante como o vilão de Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Cotação: Regular.

Trailer de Assassino: O Primeiro Alvo



Nacionais

Principal estreia nacional da semana, a comédia Divórcio, de Pedro Amorim (Mato sem CachorroSuperpai), traz elenco comandado por Murilo Benício (Amores Possíveis) e Camila Morgado (Olga), que foram um casal que decide se separar. Ele é um bem sucedido empresário que construiu um império no ramo alimentício com a ajuda do molho de tomate criado pela esposa.

Mas os anos juntos cobram seu preço e os defeitos de cada um começam a incomodar o outro. A dupla entra em rota de colisão quando decide seguir os conselhos de seus respectivos advogados, tentando causar o máximo de incômodo possível ao ex-parceiro da vida.

Como vários filmes do gênero (tanto no Brasil como no exterior), os produtores gastam todo o estoque de piadas da história no trailer – quando se vai acompanhar a produção, praticamente não há do que dar risada (neste caso, sobra apenas uma piada sobre a vida no interior). Cotação: Regular.

Trailer de Divórcio




Premiado no Festival de Berlim pela Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema) como melhor filme da mostra paralela Panorama, Pendularé o segundo longa-metragem da diretora Júlia Murat, do ótimo Histórias que Só Existem Quando Lembradas (2011).

Co-produção do Brasil, Argentina e França, a produção destaca a escultura e dança através dos personagens centrais, um casal de artistas contemporâneos que vive intensa relação amorosa, mas que vai se distanciado à medida que desenvolvem seus projetos pessoais artísticos. O filme, em cartaz apenas no Espaço Itaú, faz parte do projeto Sessão Vitrine Petrobrás, que apresenta produções nacionais recentes.

Trailer de Pendular



Também disponível apenas na programação do Espaço Itaú, o documentário O Piano que Conversa, de Marcelo Machado, apresenta relação entre músicos e seus instrumentos no Brasil, na Bolívia e na Coreia do Sul. A partir de encontros organizados pelo pianista Benjamim Taunkin, os músicos refletem sobre sua arte e as diferentes culturas dos países envolvidos na produção.


Outras estreias

A onda de reality shows que invade as tevês pelo mundo é tema de Esta É A Sua Morte – O Show, que estreia em diversos cinemas da capital paranaense. Josh Duhamel (da franquia Transformers) vive Adam Rogers, apresentador de um reality de casamentos que passa por uma situação extrema no programa. O episódio inspira seus produtores a criar uma atração nova e ousada, um reality no qual as pessoas são pagas para se suicidarem ao vivo em frente às câmeras, em troca de uma compensação financeira para as suas famílias.

A produção é dirigida pelo ator Giancarlo Esposito – o traficante Gus Fring das séries Breaking Bad e Better Call Saul –, que também atua na trama como uma das pessoas que pretendem se matar ao vivo na tevê. O elenco ainda destaca Famke Janssen (da primeira franquia X-Men), Sarah Wayne Callies (da série The Walking Dead) e James Franco (127 Horas).

Trailer de Esta É a Sua Morte – O Show




O Oscar de melhor atriz por A Última Ceia (2001) parece mesmo não ter ajudado Halle Berry a dar um grande salto na carreira, tornando-a estrela de ótimos filmes. Ela segue investindo em produções de segunda linha como O Sequestro, que também chega a várias salas de Curitiba esta semana. Na trama, ela vive uma mãe que luta para resgatar o filho pequeno sequestrado.

No Cineplex Batel e no Espaço Itaú estreia Rodin, de Jacques Doillon, que apresenta mais uma vez nas telas o envolvimento do grande escultor francês com a aluna Camille Claudel, no final do século 19.

Já a sessão Clássicos Cinemark destaca na próxima terça-feira (dia 26) no Cinemark Mueller o filme Duro de Matar, de John McTiernan. A ótima produção de 1988 fez deslanchar a carreira de Bruce Willis, até então conhecido pelo divertido seriado A Gata e o Rato, como ator de filmes de ação. Ele vive o policial John McLane, que enfrenta um grupo de bandidos em um prédio de um conglomerado em Los Angeles. No elenco, também se destaca o saudoso Alan Rickman (o professor Snape da franquia Harry Potter), que vive o vilão Hans.

Bruce Willis começou a se destacar em filmes de ação com Duro de Matar.
Crédito da foto: Divulgação Twentieth Century Fox.






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