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Curitiba em Destaque entrevista - A autora Alexandra Barcellos, que lançará seu oitavo livro, Árvore Mãe, nesta quinta feira, em Curitiba

A autora Alexandra Barcellos

Curitiba em Destaque - Você se lembra dos primeiros contatos que teve com livros?
Alexandra Barcellos - Na minha casa não faltavam livros. Desde cedo eu fui exposta ao universo da literatura. Meu pai possuía várias enciclopédias, e assim podíamos fazer nossas pesquisas escolares. Minha mãe lia romances e uma coleção chamada Seleções, que era bem interessante. Aprendi a gostar de ler com as histórias do autor dinamarquês Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm. Nessa mesma fase, meu pai comprou a coleção inteira do Monteiro Lobato, e isso foi muito bom. Eu lia e observava as ilustrações, e comecei a entender aquele mundo de imagens e letras.

Curitiba em Destaque - Como a poesia entrou em sua vida?
Alexandra Barcellos - Entre meus 9 e 12 anos de idade, nós moramos no Rio de Janeiro, que é o estado do meu pai. Quando eu tinha 11 anos, mudamos para uma casa em Madureira, e no meu quarto havia uma caixa cheia de livros, revistas e um caderno de poesias sem nome, que fora deixado pelo antigo morador. Toda noite eu lia uma poesia, e percebi, naquela época, que era outro tipo de leitura, pois me fazia refletir por muito tempo e me emocionava profundamente. Eu levei esse caderno comigo quando fomos embora do Rio e transcrevi algumas poesias para o meu próprio caderno de poesias. Nunca soube quem deixou o caderno para trás.

Curitiba em Destaque - Como foi o início da sua carreira?
Alexandra Barcellos - Eu sempre tive o sonho de me tornar escritora e sempre fui apaixonada pela literatura infanto-juvenil. No ano de 2003, eu publiquei o meu primeiro livro, chamado “Faro e Toca – Os Quatis das Cataratas do Iguaçu”, pela Editora Artes & Textos, do Marcelo Muzzillo. Depois desse livro, publiquei todos os livros que escrevi, pois esse sempre foi o meu sonho, e eu continuo lutando por ele.

Curitiba em Destaque -  Quem te inspirou a escrever?
Alexandra Barcellos - Os autores foram a minha fonte de inspiração. Na minha adolescência, eu frequentava muito a Biblioteca Pública de Foz do Iguaçu. Adorava passar minhas tardes lá, especialmente no corredor de Poesia. Foi lá que eu descobri o Drummond, a Cecília Meireles, o Rilke, o Fernando Pessoa, a Clarice Lispector, o Shakespeare. Foi uma época incrível.

Curitiba em Destaque - Quais os momentos mais marcantes na sua carreira?
Alexandra Barcellos - Há alguns anos, uma senhora me disse que seus filhos imploraram para conhecer as Cataratas do Iguaçu depois de lerem o meu primeiro livro sobre os quatis das Cataratas. Certa vez um engenheiro florestal me mandou um e-mail dizendo que chorou muito enquanto lia “Guaçatunga”, meu segundo livro, pois fala do sofrimento de uma árvore ao ser tirada da Mata Atlântica e levada para o ambiente urbano. Recentemente, eu recebi uma mensagem de uma advogada que leu a poesia “O que eu mais amava”, dizendo que ela representa a história de amor mais importante da sua vida. Esses relatos são um dos motivos que me fazem perseverar.

 



Curitiba em Destaque - Você está lançando seu oitavo livro, "Árvore Mãe". No que ele é baseado? Alexandra Barcellos - Conte sobre a produção até sua finalização. As conquistas e desafios. Eu escrevo poesia desde o encontro com aquela caixa de Madureira. Depois desse evento, eu comprei um caderno e passei a ter a minha própria produção poética, que assim fui guardando. Cresci, me formei em Letras e me tornei professora e autora. No ano de 2013, eu lancei o meu primeiro livro de poesias, “Velho Talismã”, pela Editora InVerso, da Cristina Jones, aqui de Curitiba. O livro "Árvore Mãe" é um resgate de todas as poesias que eu escrevi desde os meus 11 anos de idade. Uma viagem ao encontro de minhas origens e ao encontro das mulheres que me iluminaram.

Para escrever esse livro, eu tive que ir em busca do passado das gerações de mulheres que me antecederam, e isso foi mágico, pois descobri muita coisa sobre minha origem. O maior desafio foi a decisão de tornar esse livro uma realidade, pois ele faz parte da minha herança maternal. Estou muito certa da decisão que tomei.

Curitiba em Destaque - Quem são as mulheres de “Árvore Mãe”?
Alexandra Barcellos - São as mulheres que me apoiaram, me deram o empurrão e o carinho necessários para que eu não desistisse de acreditar em mim mesma, apesar das dificuldades. Elas fazem parte de diferentes momentos e fases da minha vida, mas todas são importantes demais.

Curitiba em Destaque - Ao pesquisar sua árvore genealógica, você conheceu diversas histórias. Pode citar uma que te marcou?
Alexandra Barcellos - Venho de uma família de imigrantes, como muitos brasileiros. O que eu mais gosto desse fato é de saber que eles agiam e mudavam, ao invés de se sentirem paralisados pelo medo e obstáculos, e eu gosto de fazer parte desse movimento. Uma das minhas Árvores Mães partiu da Itália porque os seus familiares eram contrários ao seu namoro. Essa história me fez ter certeza de que você tem de lutar pelo que acredita, independentemente da opinião dos outros.

Curitiba em Destaque - Qual a diferença entre “Árvore Mãe” e suas outras publicações?
Alexandra Barcellos - Ele é mais autoral, pois foi uma produção independente, com mais de 30 anos de poesia e pesquisas.

Curitiba em Destaque - Na sua opinião, as mulheres poderiam aprender se pesquisassem as histórias de vida de suas mães, avós, bisavós?
Alexandra Barcellos - Sim, elas encontrariam muitas respostas para o modo como elas agem e pensam, pois eu encontrei várias similaridades entre o meu modo de agir e o das mulheres da minha árvore genealógica. Tive surpresas e aprendi muito sobre o meu passado.

Curitiba em Destaque - Como você vê o empoderamento feminino?
Alexandra Barcellos - Não tem como negar que tivemos de lutar para ter os nossos direitos assegurados, começando pelo direito ao voto. Na história da humanidade, no entanto, houve mulheres que agiram e lutaram, apesar dos obstáculos que enfrentaram. Lutar pela vida sempre foi uma especialidade feminina. Nós lutamos pela vida de maneira incrível. Começamos pelo parto e seguimos cuidando de filhos, de sobrinhos, de netos, de pais, de pessoas doentes, de animais, de plantas, da natureza. Lutamos pela vida porque somos capazes de transcender os obstáculos e nos tornamos fortes com isso. Por isso eu admiro mulheres como a Maya Angelou, a Joana D’Arc, a Maria da Penha, a Madre Teresa de Calcutá, a Cora Coralina, a Martha Medeiros, a Rupi Kaur e a Malala.

Curitiba em Destaque - Você leciona literatura no Colégio Positivo Internacional. Como consegue conciliar sua vida pessoal, seus projetos literários e a vida escolar?
Alexandra Barcellos - Eu adoro o convívio literário com os meus alunos. Eles me inspiram a escrever, pois estão constantemente me questionando sobre o mundo e a vida. Eu consigo conciliar a vida pessoal, meus projetos literários e a vida escolar por meio da disciplina. Aliás, esse é um dos quesitos para ser autor: sem disciplina você não se torna um escritor.

Curitiba em Destaque - Você tem alguma dica para incentivar crianças e jovens a lerem mais? O mundo digital atrapalha ou auxilia?
Alexandra Barcellos - Inspirar pelo exemplo, esse é o meu lema. Os meus alunos sabem que sou apaixonada por literatura e muitas vezes me mostram os livros que estão lendo, mesmo que esses livros não façam parte da leitura escolar obrigatória. Eu adoro isso, pois eles entendem o quão importante a literatura é para as nossas vidas. Procuro ministrar aulas que empoderem os meus alunos a criar. Acredito que a imaginação é a maior ferramenta que possuímos para mudar o mundo. A criatividade deve fazer parte de todos os aspectos da vida acadêmica: necessitamos de ser criativos.

O mundo digital auxilia, uma vez que eu posso trazer autores que viveram há 200 anos para nossa sala de aula. Um exemplo: na semana passada, eu mostrei para os meus alunos o Museu Charles Dickens, localizado em Londres. Fizemos um tour virtual na casa dele, e um guia inglês mostrou onde ele costumava escrever e onde ficava a sua biblioteca particular. Isso não é maravilhoso? Estar em contato com o universo pessoal de um dos maiores nomes da literatura mundial?

Curitiba em Destaque - Como foi a escolha do desenho da marcante capa de “Árvore Mãe”?
Alexandra Barcellos - Eu queria que a capa fosse uma árvore em preto e branco. Essa era a ideia. Eu já conhecia o talento artístico da Caroline Lemes por meio de suas exposições de seus posts no Facebook. Ela desenha muitas folhas, galhos e mulheres-árvores, e acho isso lindo! Trocamos ideias durante dois meses, e, depois de seis meses de rascunhos e conversas, saiu a capa dos meus sonhos. Foi assim que aconteceu o processo criativo da capa.

Curitiba em Destaque - Quais seus projetos futuros?
Alexandra Barcellos - Vou continuar escrevendo. Eu me vejo fazendo isso nos anos por vir. Não vou deixar de produzir, não vou ter medo dos desafios que me aguardam. Eu vou seguir os passos das mulheres que me trouxeram até aqui.

Lançamento do livro Árvore Mãe - Poesias 
-Sessão de autógrafos e Leitura de poesia
Data: 9 de novembro, quinta-feira
Horário:  das 17h às 22h 
Livrarias Curitiba -ParkShoppingBarigui 


Acompanhe Alexandra Barcellos nas redes sociais:https://www.instagram.com/barcellos.alexandra/
https://www.facebook.com/alexandra.barcellos1
E-mail: alexandrapoeta@gmail.com


Livros de Alexandra Barcellos - Clique na primeira imagem para abrir a galeria:


Faro e Toca – Os Quatis das Cataratas do Iguaçu (2003 – Editora Artes & Textos - PR)

Guaçatunga – Filha da Mata Atlântica (2007 – Editora Crialivro - PR)

O Ciclo da Água (2012 – Editora Base – IBEP - SP)



O Encontro na Mata dos Macacos (2013 – Editora Inverso - PR)


O Bosque Amazonas (2013 – Editora Inverso - PR)

Velho Talismã (2014 – Editora Inverso -PR)



Cadu e as histórias de Bantu (2015 – Editora Kazua - SP)

Árvore Mãe (2017 – Alexandra Barcellos) 




Onde encontrar os livros de Alexandra Barcellos:
Livrarias Curitiba
Livrarias Cultura
Livraria da Vila
www.amazon.com.br
http://www.editorainverso.com.br/
http://www.editoraibep.com.br/

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