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Os grandes vencedores de Cannes são destaque da semana - Filmes, por Rudney Flores

O ator Terry Notary faz performer artística em cena de The Square, vencedor da Palma de Ouro de Cannes 2017.
Crédito da foto: Divulgação


A programação de cinema desta semana em Curitiba destaca a estreia dos principais vencedores do Festival de Cannes 2017. The Square – A Arte da Discórdia, que chega apenas ao Espaço Itaú, recebeu o prêmio principal da prestigiada mostra francesa, a Palma de Ouro do júri presidido pelo diretor espanhol Pedro Almodóvar.

O filme do diretor sueco Ruben Östlund – que está na pré-lista de nove filmes candidatos a uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro em 2018 – é uma divertida e interessante sátira ao mundo das artes visuais, colocando em questão os conceitos e os limites do que é arte, além das formas de divulgação nas mídias atuais. A imigração de povos do terceiro mundo e o aumento de moradores de ruas nas grandes cidades do velho continente também estão presentes na história.

O personagem central da trama é Christian (o ator dinamarquês Claes Bang), diretor de um museu de arte contemporânea em Estocolmo, que pretende atrair mais público para o espaço com uma nova instalação intitulada “The Square”. Para divulgar a obra, ele contrata uma agência especialista em mídias sociais, mas os jovens responsáveis criam para a campanha um controverso vídeo para viralizar na internet. A produção causa uma grande revolta na sociedade local, colocando Christian na berlinda.

O diretor ainda se envolve com personagens do lado mais pobre de Estocolmo ao tentar descobrir quem foram os assaltantes que bateram sua carteira. Também estão no elenco os atores americanos Elisabeth Moss (da premiada série The Handmaid's Tale), como a jornalista Anne, e Dominic West (da elogiada série The Wire), como o artista Julian.

Assim como em seu filme anterior – o instigante drama Força Maior (2014), que destaca os conflitos causados por um pai que abandona mulher e filho ao tentar escapar de uma avalanche –, Östlund investe muito bem em situações limite para levar a plateia a refletir sobre questões morais e sociais. O ápice da controvérsia de The Square é a cena com o artista Oleg (Terry Notary, que teve movimentos capturados para dar vida ao Kong do recente A Ilha da Caveira), na qual ele faz a performer de um macaco feroz que aterroriza um jantar com financiadores do museu. Cotação: Ótimo.

Trailer de The Square – A Arte da Discórdia:




Outro filme premiado em Cannes é 120 Batimentos por Minuto, que estreia apenas no Cineplex Batel. Vencedora do Grande Prêmio do Júri do festival francês (segunda maior laureação), a produção também foi a indicada pela França para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro 2018, mas não entrou na pré-seleção de nove finalistas.

Dirigido por Robin Campillo – roteirista do premiado Entre os Muros da Escola, Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008, e criador da série Les Revenant –, o filme apresenta a história do grupo ativista Act Up francês, criado por inspiração do coletivo homônimo norte-americano. No início dos anos 1990, os ativistas franceses, a maioria soropositivos, fazem diversos atos para exigir que o governo do presidente François Mitterrand tenha mais ações e campanhas para prevenir a epidemia da aids, e que as companhias farmacêuticas do país se empenhem mais na criação e distribuição de medicamentos contra a doença fatal.

O foco da história são alguns dos líderes do movimento: Sean (Nahuel Perez Biscayart, com ótima atuação), Nathan (Arnaud Valois), Sophie (Adèle Haenel, de A Garota Desconhecida, dos Irmãos Dardenne) e Thibault (Antoine Reinartz), principalmente os dois primeiros, que vivem um romance que incluem algumas cenas de sexo na produção.

Mesmo que exagerando em alguns momentos no discurso panfletário e com uma duração um tanto extensa (140 minutos), o filme mostra um importante movimento contra a discriminação, numa época em que os grupos de risco da aids (homossexuais e usuários de drogas injetáveis principalmente) eram severamente marginalizados em todo o mundo. Suas conquistas devem sempre ser lembradas, pois se atualmente a distribuição de preservativos e seringas são comuns e a medicina contra a doença teve grande avanço, permitindo seu controle por anos e até décadas, a discriminação infelizmente ainda segue forte em muitos setores da sociedade. Cotação: Bom.

Trailer de 120 Batimentos por Minuto:




Jumanji

A falta de ideias originais em Hollywood é notória há muitos anos, e grande parte das produções lançadas atualmente são ideias retrabalhadas de filmes mais antigos ou tentativas de reativar franquias ou produções de sucesso. É o caso de Jumanji: Bem-Vindo à Selva, que procura atualizar um filme de 1995 estrelado por Robin Williams e Kirsten Dunst, mas parte de uma história calcada em Clube dos Cinco, clássico adolescente dos anos 1980, do grande John Hughes, que com muita sensibilidade mostra a história de cinco jovens – um nerd, um bad boy, um esportista, uma patricinha e uma garota introvertida – que são obrigados a cumprir juntos um período de detenção na escola onde estudam, descobrindo a amizade e o companheirismo.

O filme dirigido por Jake Kasdan (das comédias Sex Tape: Perdido na Nuvem e Professora sem Classe), que estreia em diversas salas em Curitiba, apresenta os jovens personagens Spencer (Alex Wolff), Fridge (Ser'Darius Blain), Bethany (Madison Iseman) e Martha (Morgan Turner), que também são obrigados a cumprir um período de detenção após fazer besteiras na escola.

Eles são obrigados a arrumar uma sala bagunçada do colégio e lá encontram um antigo videogame chamado Jumanji, que decidem jogar. O mágico jogo os transporta para um mundo selvagem, onde cada um recebe um avatar que é praticamente o oposto do que é na vida real – o nerd Spencer vira um brutamontes praticamente invencível (Dwayne Johnson, da franquia Velozes e Furiosos); o atleta Fringe se transforma num baixinho fraco e implicante (Kevin Hart, de Ajuste de Contas); a patricinha Bethany ganha a aparência de um homem de meia-idade (Jack Black, de Trovão Tropical), outra ideia nem um pouco original, repetida de Garota Veneno, com Rob Schneider; e a fechada Martha vira uma destemida lutadora (Karen Gillan, da série Guardiões da Galáxia).

Para decifrar o segredo de Jumanji e voltar para à vida normal, o grupo contará com a ajuda de um quinto elemento que já estava anteriormente preso no jogo. Em meio a muitas cenas de ação e alguns toques de comédia, todos precisarão se unir, descobrindo o valor da amizade e companheirismo. Nada se cria, tudo se copia. Cotação: Regular.

Trailer de Jumanji: Bem-Vindo à Selva



O novo desenho da Pixar

Reconhecida pela excelência de suas animações (com exceção da fraca franquia Carros), a Pixar (hoje mais uma empresa do grupo Disney) lança mais um desenho para tentar conquistar plateias de todas as idades. Viva: A Vida É uma Festa, do diretor Lee Unrick (do ótimo Toy Story 3), estreia em diversas salas da capital paranaense e traz uma história que se passa no México, envolvendo uma das principais datas do país – o Dia dos Mortos.

No centro da animação está Miguel (voz no original de Anthony Gonzalez), um menino de 12 anos que adora música e pretende ser cantor – suas canções preferidas são as do ídolo Ernesto de la Cruz (voz de Benjamin Bratt, de Doutor Estranho). Mas o garoto é proibido de seguir seu sonho, pois seu tataravô abandonou a esposa e filhos para seguir carreira artística. Dessa forma, ninguém na família pode se tornar artista.

Um dia, Miguel acaba parando no Mundo dos Mortos e lá conhece vários de seus ancestrais, sendo conduzido pelo esqueleto Héctor (voz de Gael García Bernal, de Diários de Motocicleta). O menino tem pouco tempo para resolver um mistério de mais de cem anos e tentar voltar ao mundo real para realizar seu sonho de cantar.

Trailer de Viva: A Vida É uma Festa



A mulher e o voto

Em cartaz apenas no Cineplex Batel, Mulheres Divinas, da diretora Petra Biondina Volpe, conta uma história que se passa em 1971, na Suíça. Casada e com dois filhos, Nora (Marie Leuenberger) tem uma vida tranquila em uma aldeia do país europeu. Tudo muda quando ela começa a liderar outras mulheres para conquistar o direito de votar e participar da vida política do local.

A nova postura das mulheres causa o maior alvoroço no povoado, trazendo muitas confusões. O trabalho foi indicado pela Suíça para tentar uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro 2018, mas sem obter sucesso.

Trailer de Mulheres Divinas:



A primeira noite

O Espaço Itaú também destaca nesta semana a apresentação da cópia restaurada do clássico A Primeira Noite de um Homem (1967), celebrando os 50 anos de lançamento da produção.

O filme do diretor Mike Nichols destaca a história do personagem Benjamim Braddock (Dustin Hoffman), que retorna para casa após se formar na faculdade. Ainda decidindo sobre o que fazer no futuro, ele é seduzido pela Sra. Robinson (Anne Bancroft), uma grande amiga dos seus pais. Mas Benjamim complica tudo ao se interessar pela filha da amante, a bela Elaine (Katharine Ross).

Nichols recebeu o Oscar de melhor diretor pelo filme, que destaca ainda a inesquecível trilha sonora com as clássicas canções “Mrs. Robinson” e “The Sound of Silence”, ambas da dupla Simon & Garfunkel.

Anne Bancroft e Dustin Hoffman estrelam A Primeira Noite de um Homem, de Mike Nichols.
Crédito da foto: Embassy Pictures Corporation



Empreendedorismo - por Rodrigo Okener


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