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A Forma da Água destaca uma fábula bela e estranha - Filmes, por Rudney Flores

Novo filme do mexicano Guillermo del Toro recebeu 13 indicações ao Oscar 2018.
Crédito da foto: Divulgação Fox Searchlight


O diretor mexicano Guillermo del Toro chega ao ápice da carreira com A Forma da Água, principal estreia nos cinemas brasileiros nesta semana. O filme, vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza 2017, é o maior favorito ao Oscar 2018 com 13 indicações, incluindo melhor filme, diretor, atriz para Sally Hawkins, atriz coadjuvante para Octavia Spencer, ator coadjuvante para Richard Jenkins e roteiro original para del Toro e Vanessa Taylor.

Caso del Toro seja premiado no próximo dia 4 de março, será a quarta vitória mexicana no Oscar de direção nos últimos cinco anos – depois de Alfonso Cuarón por Gravidade (2014) e Alejandro González Iñárritu por Birdman (2015) e O Regresso (2016) –, confirmando toda a expectativa que se formou no início dos anos 2000 sobre o trio de talentosos cineastas, que chamou a atenção do mundo cinematográfico com Amores Brutos (Iñárritu, 2000), E Sua Mãe Também (Cuarón, 2001) e A Espinha do Diabo (del Toro, 2001).

Os filmes foram uma espécie de cartões de visitas dos diretores, que mantiveram praticamente a mesma temática em suas carreiras – Iñárritu investindo em roteiros elaborados e inventivos (21 GramasBabel), Cuarón em temas mais sociais e humanos (Filhos da EsperançaGravidade) e del Toro no terror e suspense, algumas vezes com criaturas monstruosas (a série HellboyO Labirinto do FaunoCírculo de Fogo).

A Forma da Água reúne todas as características do cinema de Guillermo del Toro em uma estranha e assustadora, mas também sensível e bonita história de amor, que ainda ressalta a atualíssima temática do respeito ao diferente. A personagem central é Elisa Esposito (a ótima inglesa Sally Hawkins), mulher muda que perdeu a voz quando pequena e que trabalha como faxineira em uma instalação militar americana no início dos 1960, nos Estados Unidos. Seus maiores amigos são o vizinho Giles (Jenkins, em mais uma sensacional participação como coadjuvante), um desenhista, e a também faxineira Zelda (Spencer, replicando os mesmos maneirismos que a levaram ao Oscar de coadjuvante em 2012 por Histórias Cruzadas).

Elisa repete dia a dia uma rotina em casa e no trabalho até a chegada de uma fabulosa criatura anfíbia na instalação (vivida pelo ator Doug Jones, que já interpretou um personagem semelhante na franquia Hellboy). Ela se afeiçoa e cria uma relação amorosa com o “monstro”, o que não agrada o militar Strickland, que o capturou – personagem vivido por Michael Shannon, em nova performance eletrizante como homem bruto, como o general Zod de O Homem de Aço e o Curtis do ótimo O Abrigo, sua melhor performance no cinema.

Del Toro cria belas imagens e sequências como a cena inicial e o romance no apartamento entre Elisa e a criatura. O diretor ainda homenageia a era dos musicais através do sensível Giles, que reprime sua paixão por um outro homem. O personagem vê diversos musicais na tevê e a grande trilha sonora ouvida inclui “Chica Chica Boom Chic”, com Carmem Miranda, e ótimos temas compostos por Alexandre Desplat (vencedor do Oscar pela trilha de O Grande Hotel Budapeste e indicado novamente este ano).

O filme enfrenta algumas acusações recentes de plágio, de uma peça dos anos 1960 (Let Me Hear You Whisper, do dramaturgo Paul Zindel) e de um curta-metragem holandês de 2015 (The Space Between Us), os quais até podem ter influenciado del Toro (que, porém, nega qualquer ligação com as obras), mas não estragam em nenhum momento o prazer de acompanhar uma belíssima produção na tela. Cotação: Ótimo.

Trailer de A Forma da Água:




O fator Spacey

Todo o Dinheiro do Mundo, novo filme de Ridley Scott (Blade Runner – O Caçador de Androides), que chega a diversas salas de cinema de Curitiba, chama a atenção pela grande alteração que sofreu após a produção já ter sido finalizada.

Principal nome do elenco, Kevin Spacey (Oscar de melhor ator por Beleza Americana) foi envolvido em um ruidoso caso de assédio sexual semanas antes da estreia. A péssima repercussão da história fez o diretor e os produtores tirarem o ator do filme – ele estava até cotado para uma indicação a coadjuvante – e refilmarem todas as suas cenas com Christopher Plummer. O veterano ator, vencedor do Oscar de coadjuvante por Toda a Forma de Amor (2012), acabou sendo novamente indicado à estatueta de coadjuvante em 2018, a única lembrança da Academia ao filme, que chegou a ser cotado a várias indicações antes do escândalo de Spacey.

As refilmagens ainda tiveram outro polêmica, uma diferença salarial entre os atores Mark Wahlberg (da franquia Transformers) e Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar), que receberam respectivamente US$ 1,5 milhão e US$ 1 mil para retornar ao filme, como estava previsto em contrato. Diante à repercussão negativa da diferença dos valores, Wahlberg acabou doado seu cachê adicional.

A produção conta a história real do sequestro de John Paul Getty III (Charlie Plummer), neto do magnata do petróleo John Paul Getty (Christopher Plummer), na Itália, em 1973. Apesar do apelos da mãe Gail Harris (Williams), o avô se recusa a pagar o resgate. Ele contrata o ex-espião Fletcher Chase (Wahlberg) para solucionar o caso sem envolver valores. O crime ficou marcado pelo corte e envio de uma das orelhas do jovem Getty III à família.

Trailer de Todo o Dinheiro do Mundo:



Visages, Villages

Prêmio Golden Eye para melhor documentário do Festival de Cannes de 2017 e indicado ao Oscar 2018 de melhor documentário, Visages, Villages, da diretora belga Agnès Varda (Cléo das 5 às 7) e do fotógrafo JR, estreia esta semana na capital paranaense apenas no Espaço Itaú.

A produção apresenta um experimento de JR e Varda, que percorreram em um pequeno caminhão algumas regiões rurais da França, captando imagens da população local. As fotografias tiradas foram transformadas em grandes painéis e emocionaram as pessoas retratadas.

Trailer de Visage, Villages:



A volta de Paddington

Após as confusões do primeiro filme, o ursinho falante Paddington retorna em Paddington 2, comédia que chega apenas em cópias dubladas em diversos cinemas de Curitiba.

Depois de ser adotado pela família Brown, Paddington (voz do ator Ben Whishaw no original) pretende dar um ótimo presente para sua tia Lucy. O simpático urso se envolve em novas aventuras e confusões para conseguir o dinheiro para comprar um livro especial. A produção tem a participação de diversos atores britânicos conhecidos, como Hugh Grant (Quatro Casamentos e um Funeral), Sally Hawkins (indicada ao Oscar de melhor atriz por A Forma da Água), Imelda Staunton (O Segredo Vera Drake), Michel Gambom (o professor Dumbledore da série Harry Potter), Jim Broadbent (Moulin Rouge) e Brendan Gleeson (Na Mira do Chefe).

Trailer de Paddington 2:





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