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Daniel Day-Lewis se despede do cinema em Trama Fantasma - Filmes, por Rudney Flores


Day-Lewis e Vicky Krieps protagonizam novo filme do diretor Paul Thomas Anderson.
Crédito da foto: Divulgação Universal.


Trama Fantasma, principal estreia nos cinemas brasileiros neste fim de semana, marca a despedida de Daniel Day-Lewis das telas. O veterano ator inglês de 60 anos anunciou a precoce aposentadoria em 2017 e faz da nova parceria com o diretor Paul Thomas Anderson – que o dirigiu em Sangue Negro (2007) – sua derradeira atuação no cinema. Como de costume, Day-Lewis destaca mais um trabalho primoroso, que lhe valeu a sexta indicação à estatueta dourada de ator principal – é o maior vencedor da categoria, com três Oscars: por Meu Pé Esquerdo (1989), Sangue Negro e Lincoln (2012). Trama Fantasma também concorre no Oscar 2018 a melhor filme, direção, atriz coadjuvante para Lesley Manville, figurino e trilha sonora original.

O roteiro escrito pelo próprio diretor conta a história de Reynolds Woodcock (Day-Lewis), um renomado estilista que veste a realeza e a elite britânica nos 1950. Ele trabalha ao lado da irmã Cyril (Manville), que o ajuda a comandar os negócios e também parte de sua vida. Egocêntrico e rigoroso, Reynolds utiliza jovens mulheres como inspiração para suas coleções e amantes, mas sempre as descarta secamente após um determinado período.

Logo depois de dispensar mais uma garota, o estilista conhece e se interessa rapidamente pela garçonete Alma (Vicky Krieps, de O Jovem Karl Marx). Em pouco tempo, ele a leva para seu convívio para criar e costurar novos vestidos inspirados por sua beleza. Mas, diferente de outras musas, Alma tem forte personalidade e irá entrar em atrito com o dominador Reynolds.

Após a chapação delirante e divertida de Vício Inerente (2014), seu ótimo filme anterior que não recebeu grande destaque, Paul Thomas Anderson volta-se novamente para uma produção sofisticada e requintada, como os anteriores Sangue Negro e O Mestre (2012), bem ao gosto da Academia. O diretor apresenta uma história instigante, com um belo figurino (o esperado de uma produção baseada em alta costura) e destaque para o sensacional embate emocional entre os protagonistas, o que confirma o talento de Anderson na direção de atores – com as lembranças de Day-Lewis e Manville, os filmes do cineasta somam agora nove indicações ao Oscar nas categorias de atuação. Cotação: Ótimo.

Trailer de Trama Fantasma:



O jogo de Molly Bloom

Vencedor do Oscar de roteiro original por A Rede Social e criador das séries de tevê de sucesso The West Wing e The Newsroom, Aaron Sorkin estreia na direção de cinema com A Grande Jogada, outro lançamento nos cinemas de Curitiba nesta semana. O filme estava cotado para várias indicações ao Oscar, mas foi lembrado apenas para a categoria roteiro adaptado, para o próprio Sorkin.

A produção é baseada na autobiografia de Molly Bloom, ex-esquiadora profissional norte-americana que se envolveu na organização e promoção de jogos de pôquer entre celebridades hollywoodianas e outras pessoas ricas e poderosas, durante os anos 2000. Vivida pela competente Jessica Chastain (A Hora Mais Escura), a personagem conseguiu arrecadar muito dinheiro, mas acabou sendo presa pelo FBI acusada de participar de negócios escusos de milhões de dólares que alguns de seus cliente faziam.

O filme se inicia neste momento da vida de Molly, quando ela vai procurar o advogado Charlie Jaffey (Idris Elba, de A Torre Negra) para lhe defender no tribunal. Sorkin intercala o roteiro entre a preparação da defesa da personagem e a narração dela para os fatos mais importantes de sua vida: a criação difícil com o exigente pai Larry (Kevin Costner, de Dança com Lobos) e a comparação com os irmãos prodígios; o trabalho como garçonete que a levou a conhecer o organizador dos jogos de pôquer; seu crescimento no meio até conseguir ela mesmo promover o pôquer com celebridades; a ascensão, a riqueza e o declínio, incluindo seu envolvimento com drogas.

Como em todas os seus trabalhos, o texto é o mais importante para Sorkin. Dessa forma, o diretor/roteirista preenche o filme com uma quantidade enorme de informações, uma falação sem fim que pode confundir e entendiar o espectador em certos momentos da história.

Molly não revelou em sua autobiografia a maioria dos nomes das celebridades que participavam de seus jogos, mas é de conhecimento que o Jogador X, vivido por Michael Cera (Scott Pilgrim Contra o Mundo) no filme, é na realidade Tobey Maguire (o Homem-Aranha da primeira trilogia de filmes do herói da Marvel), muito amigo de Leonardo DiCaprio, outro envolvido na jogatina dos poderosos. Cotação: Bom.

Trailer de A Grande Jogada:



Vidas pequenas

Diretor de ótimos filmes como Sideways – Entre Umas e Outras e Nebraska, o diretor norte-americano Alexander Payne tem o primeiro ponto negativo na carreira com Pequena Grande Vida, filme também em destaque na programação dos cinemas do país nesta semana.

A história fala da criação de uma tecnologia que permite reduzir humanos a 12 centímetros de tamanho, uma possível solução para a superpopulação mundial no futuro. Paul Safranek (Matt Damon, da franquia Bourne) e sua esposa Audrey (Kristen Wiig, de Missão Madrinha de Casamento) se interessam pela transformação, o que irá permitir melhorar seu padrão de vida, já que os poucos milhares de dólares que possuem se transformam em milhões na Lazerlândia, a terra dos humanos reduzidos, onde todos vivem como se estivessem numa colônia de férias para endinheirados. Paul acaba fazendo a jornada sozinho e encontra amigos como o intratável e divertido sérvio Dusan Mirkovic (Cristoph Waltz, de Bastardos Inglórios) e a ativista social Ngoc Lan Tran (Hong Chau).

Na primeira boa parte da produção, destacam-se os efeitos visuais para descrever as pessoas e o mundo de Lazerlândia. Mas, na sequência, Payne perde a originalidade da ideia inicial em uma tentativa de fazer uma história ao mesmo tempo edificante e simplista, calcada em diversos clichês, para mostrar que a terra dos reduzidos também reproduz todas as mazelas sociais do mundo contemporâneo, ou seja, não há muita solução para a humanidade, que sempre replica o que há de pior. Sobra para o pobre Paul tentar resolver, sem sucesso, alguns dos problemas dessa nova sociedade. Temas como a preservação sustentável do mundo e a discussão sobre os modos de produção são esquecidos para dar lugar a uma trama mais emocional e piegas. Cotação: Regular.

Trailer de Pequena Grande Vida:




Outras estreias

O circuito da Fundação Cultural de Curitiba destaca três estreias nesta semana. Programado para a Cinemateca e Cine Guarani, A Repartição do Tempo, estreia do diretor Santiago Dellape em longas-metragens, é um filme nacional que une comédia e ficção científica.

A história acontece nos anos 1980, em Brasília, onde Lisboa (Eucir de Souza, de Meu Mundo em Perigo) é o chefe do Repi (Registro de Patentes e Invenções) e descontente com o trabalho realizado por seus subordinados. O setor recebe o trabalho do inventor dr. Brasil (Tonico Pereira, de Assalto ao Banco Central), que criou uma máquina do tempo e deseja patenteá-la. O funcionário Jonas (Edu Moraes) aciona acidentalmente o aparelho e gera muitas confusões.

Trailer de A Repartição do Tempo:



Também na Cinemateca, estreia a co-produção uruguaia-argentina Os Golfinhos Vão para o Leste, filme de estreia da dupla Gonzalo Delgado e Verónica Perrotta. A diretora também atua na produção como Virginia, que visita o pai Miguel Angel (Jorge Denevi), um gay conhecido do showbiz em Punta del Este. Miguel não está contente com a chegada da filha, mas tudo muda quando descobre que ela está grávida e ele será avô.

Trailer de Os Golfinhos Vão para o Leste:



A Sessão Vitrine Petrobrás destaca o documentário Paulistas, de Daniel Nolasco. O filme retrata as transformações sociais numa cidade da região rural de Goiás. Os jovens de Paulistas já não vivem no local desde 2014 e retornam apenas nos períodos de férias. O diretor acompanha a história de três deles – Samuel, Vinícius e Rafael – durante o retorno à cidade. O curta-metragem de animação Quando os Dias Eram Eternos, de Marcus Vinícius Vasconcelos, também faz parte da sessão.

Trailer de Paulistas:





O espectador deve ligar para a Fundação Cultural de Curitiba antes de conferir os filmes da programação. No site do órgão público, A Repartição do Tempo e Os Golfinhos Vão para o Leste estão com sessões programadas no mesmo horário na Cinemateca. E a Sessão Petrobrás não tem cinema definido.



Empreendedorismo - por Rodrigo Okener

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