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Pantera Negra traz aventura com questões políticas e sociais- Filmes, por Rudney Flores

Chadwick Boseman é o Pantera Negra, personagem que ganha o primeiro filme solo na Marvel.


O fim de semana está recheado de estreias de peso na programação de cinema de Curitiba, com a nova aventura dos estúdios Marvel e mais três produções com indicações ao Oscar. A principal novidade nas telas do país é Pantera Negra, 18º filme da Casa das Ideias nos cinemas (incluindo a parceria com a Sony em Homem-Aranha: De Volta ao Lar).

Dirigido por Ryan Coogler (Creed: Nascido para Lutar), a produção coloca em destaque o super-herói negro apresentado pela primeira vez nas telas em Capitão América: Guerra Civil, dando sequência aos acontecimentos do filme, com o príncipe T'Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman, de Get on Up: A História de James Brown) retornado para sua terra natal Wakanda, na África, para assumir o reino no lugar do pai, morto em um atentado terrorista. Formada por cinco tribos, Wakanda alcançou seu desenvolvimento com a descoberta do vibranium (o metal mais poderoso do mundo, que só existe no Universo Marvel), que tornou possível a construção de uma sociedade especial e altamente avançada tecnologicamente, protegida pelo poder do Pantera Negra.

A aventura se passa quase todo o tempo no fictício país africano, o qual prefere esconder sua tecnologia fantástica do resto do mundo. A definição da utilização desse poderio é o ponto central da trama do filme. Em certo momento, T'Challa será desafiado por um oponente belicoso que defende que Wakanda utilize seu armamento para ajudar países oprimidos e tome a dianteira como liderança do mundo.

Ainda que focado na aventura, Pantera Negra é um dos filmes mais sóbrios da Marvel, com poucos momentos de humor (característicos em outras produções da casa) e muito centrado em questões políticas e sociais, que o aproximam de um dos melhores trabalhos do estúdio –Capitão América: O Soldado Invernal. Há pequenos deslizes, como representações um tanto estereotipadas de rituais africanos, mas a produção acaba prendendo o espectador pelo incrível visual criado para representar a tecnológica Wakanda.

O elenco formado quase em sua totalidade por atores negros em ascensão e outros já consagrados é um marco para o gênero blockbuster, com destaque para o protagonista Chadwick Boseman, Lupita Nyong'o (Oscar de atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão) como a espiã Nakia, Danai Gurira (a Michone da série de televisão The Walking Dead), como a general Okoye, e Andy Serkis (mais conhecido pelas interpretações por captação de movimento, como o Gollum da trilogia O Senhor dos Anéis) como o vilão Ulysses Klaue. Cotação: Ótimo.

Trailer de Pantera Negra:



Crime sem solução

Dos três concorrentes a estatuetas do Oscar que chegam à capital paranaense neste fim de semana, Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh, com sete indicações, se apresenta como o principal adversário de A Forma da Água, de Guillermo del Toro, na disputa de melhor filme. A produção do mexicano foi a grande vencedora das premiações dos sindicados dos diretores e dos produtores de Hollywood, enquanto que o filme de McDonagh recebeu a honraria principal do sindicato dos atores. Os profissionais dessas categorias formam a maior parte do eleitorado do Oscar e são, há alguns anos, o maior indicativo dos vencedores da estatueta principal.

Além de melhor filme, Três Anúncios... tem mais seis indicações ao Oscar: melhor atriz para Frances McDormand (já vencedora por Fargo – Uma Comédia de Erros, em 1997, e favorita este ano), ator coadjuvante para Sam Rockwell (Lunar) e Woody Harrelson (O Povo Contra Larry Flint), roteiro original, edição e trilha sonora original.

A história se passa na pequena Ebbing, no estado de Missouri, no Estados Unidos, e começa quando Mildred Hayes (McDormand) resolve pagar anúncios em três outdoors de uma estrada pouco movimentada da região. Nas peças, ela cobra do xerife Willoughby (Harrelson) a solução para o caso do assassinato brutal de sua filha adolescente, ocorrido sete meses antes. Os anúncios põem a cidade na mídia, mas desagradam a maioria da população, que apoia o chefe de polícia e não gosta de vê-lo ridicularizado publicamente. Outro personagem importante é o policial Dixon (Rockwell), tão estúpido quanto violento.

A força do filme está em mais uma interpretação marcante da sempre excelente Frances McDormand, que dessa vez dá vida a uma mulher amargurada, seca, desbocada e até violenta, e que também lida com seus próprios demônios pela morte da filha. Seu embate com o personagem bem defendido por Harrelson é foco da boa primeira metade do filme.

Mas o diretor McDonagh, também autor do roteiro – e que teve uma ótima estreia em longas com Na Mira do Chefe (2008), que mistura comédia de humor negro, ação e suspense –, perde o rumo da trama na metade final, a partir de um fato importante relacionado ao xerife. Nesse momento, o filme atira em várias direções, sem dar bom rumo a nenhuma delas, e patina principalmente numa história pouco crível (e desnecessária) de redenção relacionada a Dixon. Cotação: Regular.

Trailer de Três Anúncios para um Crime:



Lady Bird

Atriz admirada no cinema independente americano por atuações em filmes como Frances Ha e Mistress America, que corroteirizou com o companheiro e diretor Noah Baumbach, Greta Gerwig investe pela segunda vez na direção de longas-metragens com Lady Bird – A Hora de Voar, produção indicada a cinco Oscars: melhor filme, direção, atriz (Saoirse Ronan), atriz coadjuvante (Laurie Metcalf) e roteiro original.

O roteiro, da própria Gerwig, tem tons autobiográficos e conta a história da jovem Christine (Saoirse, pronuncia-se Sur-cha), que se autointitulou Lady Bird. Ela vive em uma comunidade católica de Sacramento (cidade natal da diretora), na Califórnia, e está no momento de definir seu futuro após o término do ensino médio. Lady Bird quer fugir da sensação de imobilidade e do mundo conservador que a cerca, e deseja ser aceita em uma faculdade de uma cidade mais progressiva e liberal.

A diretora comanda com delicadeza a produção, mas a trama não traz grandes novidades, listando temas e situações comuns em filmes sobre personagens adolescentes em fase de amadurecimento. Lady Bird vive um eterno conflito com a mãe Marion – Metcalf, em uma interpretação parecida, com seu papel mais conhecido, como a mãe do personagem Sheldon na série The Big Bang Theory, mas um pouco mais contida e séria –, que não aceita seu modo inquieto e a quer mais pé no chão, escolhendo uma faculdade mais barata e mais próxima da família.

Saoirse Ronan novamente se destaca na tela, confirmando a promessa de ótima atriz que se vislumbrava ainda menina, aos 13 anos, em Desejo e Reparação (2007), num papel que lhe valeu a primeira indicação ao Oscar de coadjuvante – também foi indica ao Oscar de melhor atriz há dois anos por BrooklynCotação: Bom.

Trailer de Lady Bird – A Hora de Voar:



A história de Tonya

“Os americanos adoram ter alguém para odiar”. Com essa frase, a ex-patinadora Tonya Harding tenta se defender do rumoroso caso em que se envolveu em 1994, quando foi acusada de participar da agressão que tirou a rival Nancy Kerrigan de uma importante competição nacional. A história da esportista é retratada em Eu, Tonya, filme que estreia apenas no Espaço Itaú em Curitiba.

Dirigida Craig Gillespie (do estranho e divertido A Garota Ideal), a produção é estrelada por Margot Robbie (O Lobo de Wall Street), que vive intensamente Tonya, interpretação que lhe valeu a primeira indicação ao Oscar de melhor atriz – o filme ainda foi indicado nas categorias melhor edição e atriz coadjuvante para Allison Janney (da série televisiva Mom), sensacional como LaVona Golden, mãe da protagonista.

A estrutura do filme destaca relatos diretos para a câmera, com os personagens já mais velhos relembrando do seu ponto de vista a trajetória de Harding. A moça não teve uma vida fácil com a agressiva mãe garçonete, que a maltratava como uma forma bizarra de estimulá-la nas competições. Ainda adolescente, conheceu Jeff Gillooly (Sebastian Stan, o Soldado Invernal dos filmes da Marvel), futuro marido que a trataria violentamente também.

Com sua origem pobre, Tonya representava o oposto da princesinha desejada pelas competições de patinação da época. Mais atlética do que bonita, era extremamente competente nas manobras do esporte – foi a primeira mulher americana a realizar o Axel Triplo, salto de maior dificuldade técnica da patinação –, mas perdia sempre pontos nas competições do início de carreira pela falta de graciosidade e apresentação pessoal. Mesmo com todas as dificuldades, Harding conseguiu ser medalha de prata no Mundial do esporte em 1991 e quarto lugar na Olimpíada de Inverno de 1992.

Após retornar de um período de baixa, ela preparava-se para as seletivas americanas para a Olimpíada de Inverno de 1994 quando aconteceu o atentado a Kerrigan. Jeff e seu amigo Shawn (Paul Walter Hauser) contrataram um aloprado que bateu com uma barra de ferro no joelho da rival. O caso movimentou a imprensa do país e Tonya, que sempre negou ter participado do crime, acabou sendo a maior punida.

A história de Tonya revela-se pelo filme uma comédia de erros insana. O diretor Gillespie apresenta, sem julgamentos e sem condescendência, uma pessoa que quase sempre teve um ambiente hostil em sua trajetória, mas que também cometeu muitos erros e não soube aproveitar algumas das chances que apareceram em sua vida. Simplesmente humana. Simplesmente Tonya. Cotação: Bom.

Trailer de Eu, Tonya:




Empreendedorismo - por Rodrigo Okener

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