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Sobre a arte e a vida, por Josiane Orvatich - Coluna Cidade sem fim





De cara, a primeira impressão que tenho da exposição “Ásia: a Terra, os Homens, os Deuses”, no Museu Oscar Niemeyer, é uma enorme interrogação sobre o que é arte. O que se vê ali são objetos cotidianos dotados, em grande parte, de uma significação sagrada ou cerimonial. A arte invade minha percepção não como expressão individual de um artista, mas como elemento disseminado e constituinte da cultura.



Logo na entrada, a mostra é guardada por dois Nats, divindades pré-budistas a nos preparar para o novo ambiente que, em seguida, nos apresenta Ganesha, deus hindu com cabeça de elefante e corpo humano. Sua imagem-presença afeta meus sentidos e me flagro mais silenciosa diante do desconhecido. No mesmo cenário, cerâmicas datadas de II a V a.C. me lembram que antes de nossa civilização Ocidental outros mundos foram possíveis. E ainda são.



Meu olhar viciado no lado oeste do hemisfério vai se desconstruindo diante de inúmeras estátuas religiosas e surpreendendo-se com as diversas posições de Buda (o que comunica cada uma dessas posições?) ou com os nomes de sonoridade inesperada, como o da semideusa Yakeshi. Na exposição das peças, passa-se do registro espiritual à sala e aos salões, com móveis ou ornamentos e vestimentas de festas, sem que a ligação entre esses contextos ostente uma quebra expressiva.




Sofá-cama, altar-cofre, cômodas e cadeiras, saris bordados, cestos, quimonos, cintos, arcas, máscaras para afastar maus espíritos, adornos de cabeça, amuletos, colares, vestes de casamento, braceletes, harpas, marionetes ou recipientes rituais formam um conjunto de simbolizações alinhado às crenças sociais. Arte e vida estão do mesmo lado, é o que testemunho naquele espaço. Há ainda uma entrada que nos leva a uma área repleta de gravuras, e entre elas uma cena do Kama Sutra a incluir a sexualidade nesse composto.


Saio da exposição com a sensação de que, agora, sei menos sobre aquela cultura. Porém, esse não-saber me avizinha mais do Oriente do que qualquer conhecimento anterior, suposto.


Serviço:

Exposição: “Ásia: a Terra, os Homens, os Deuses”
Local: Museu Oscar Niemeyer, Curitiba
Horário: Terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Data: de 02 de março de 2018 a tempo indeterminado


Fotos: Murilo Wesolowicz














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