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José Padilha retrata conflitos entre israelense e palestinos em 7 Dias em Entebbe - Filmes, por Rudney Flores

Daniel Brühl e Rosamund Pike vivem terroristas alemães no filme do diretor brasileiro.
Crédito da foto: Liam Daniel/Focus Features


Como comprova a atual polêmica sobre a série O Mecanismo, José Padilha é o principal nome de audiovisual brasileiro da atualidade. O cineasta responsável por importantes filmes como Tropa de Elite 1 e 2, o documentário Ônibus 174 e a série Narcos, está lançando 7 Dias em Entebbe, seu segundo trabalho no mercado internacional de cinema e a principal estreia nas salas do Brasil nesta semana.

O filme é baseado no livro Operação Thunderbolt, do historiador britânico Saul Davidem, que retrata um episódio real ocorrido em 1976, o sequestro de uma avião da Air France com 248 passageiros e tripulantes por terroristas alemães (do grupo Células Revolucionárias) e da Frente Nacional para a Libertação da Palestina. A aeronave foi levada da Grécia para a cidade de Entebbe, em Uganda, país então comandado pelo ditador Idi Amim Dada, que apoiou a ação de sete dias.

O que parecia ser um sequestro por questões revolucionárias marxistas, acaba se transformando em mais uma peça do conflito entre Israel e a Palestina quando o grupo de mais de cem passageiros de origem israelense é separado dos demais, que acabaram sendo liberados aos poucos. Para libertar os judeus, os terroristas palestinos solicitam a libertação de vários companheiros presos em ações de Israel.

Padilha opta por uma trama mais psicológica, deixando de lado cenas grandiosas de ação que o tema poderia suscitar. O foco são os terroristas alemães Wilfried Böse e Brigitte Kuhlmann, vividos respectivamente por Daniel Brühl (de Rush – No Limite da Emoção) e Rosamund Pike (indicada ao Oscar de melhor atriz por Garota Exemplar), os nomes mais famosos do elenco; e também dois dos principais políticos da história israelense: o primeiro-ministro Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi) e o ministro da Defesa Shimon Peres (Eddie Marsan, o sempre ótimo coadjuvante de diversas produções).

Böse, um editor de livros que decide lutar pela causa marxista, é o que mais se questiona sobre a participação no sequestro, já que não aprova a separação do grupo israelense, o que poderia levar o mundo a pensar que ele é nazista. Já Brigitte passa quase todo o evento em uma espécie de torpor e transe. Pelo lado israelense, a disputa acontece em torno da posição do país em não negociar com terroristas. Peres quer uma resposta militar imediata de resgate, mas Rabin reluta e quer analisar todas as possibilidades.

A opção pela não-ação é interessante para destacar a complexidade da questão israelense-palestina, mas o filme praticamente não flui em vários momentos, perdendo-se em alguns diálogos vazios e sem intensidade. A força da produção fica mesmo com conflituosa relação entre Rabin e Peres.

Como novidade em sua cinematografia, Padilha entrecorta a trama com cenas do belo balé Echad Mi Yodea, de Ohad Naharin, encenado pela companhia Bathsheba, uma representação das tradições judaicas, além de uma cena de créditos finais com dança, que representa a dificuldade das relações entre israelenses e palestinos. O filme também conta com mais participações brasileiras: Lula Carvalho (fotografia), Daniel Rezende (edição) e Rodrigo Amarante (música). Cotação: Bom.

Trailer de 7 Dias em Entebbe:



Nacionais

Umas das mais respeitadas diretoras de fotografia do cinema brasileiro, a curitibana Heloísa Passos está lançando o documentário Construindo Pontes, seu primeiro longa-metragem na direção e que estreia apenas no Espaço Itaú.

Em um momento de pensamentos opostos e belicosos sobre política no Brasil, a diretora retrata os conflitos de visões diferentes de mundo entre ela e seu pai Álvaro Passos, um aposentado engenheiro civil que fez carreira no auge do regime militar brasileiro (1964-1985), participando de grandiosos projetos como a construção de estradas e usinas hidroelétricas.

O ponto de partida da diretora são rolos de filmes super-8 que recebeu das cataratas das Sete Quedas, que foram destruídas para a construção da usina de Itaipu. A partir das raras imagens, ela inicia uma reflexão sobre o período autoritário no Brasil, defendido pelo pai, que acha que os militares foram o único grupo político que realmente teve um projeto de desenvolvimento para o pais. Nos dias atuais, Heloísa e Álvaro divergem ainda sobre a situação politica do Brasil, a diretora com posições de esquerda e o pai conservador como esperado. Depois, os dois partem em uma viagem de carro pelo interior do Paraná para aparar arestas e talvez construir pontes que os unam novamente.

Ao final da projeção, acima das posições políticas, não há como não se afeiçoar a seu Álvaro, que em todos os momentos do filme se mostra muito calmo e sereno – algumas vezes cansado até, o que podia se esperar de alguém de sua idade. Ter aceitado fazer parte desse projeto pode ser considerado um grande presente seu para a filha, com quem deve ter tido diversos conflitos por muitos anos – lembra um pouco o pai da bela canção “Um Par”, da banda Los Hermanos (letra de Rodrigo Amarante): “Eu rezo, ai Deus do céu/Ou alguém no chão/Diga-me o que foi/Que eu deixei faltar/O que eu não consigo é entender/Como é que um filho meu é tão diferente assim/De mim/Me faz entender”.

Todo documentário é de certo modo uma invasão da vida de uma pessoa, mesmo de forma consentida, e concordar em se expor como o velho engenheiro fez não é uma decisão fácil. Do lado de Heloísa, o significado do filme talvez seja o da compreensão, de entender e aceitar que seu pai foi e ainda é um homem de seu tempo. Cotação: Bom.

Trailer de Construindo Pontes:


Também sendo lançado apenas no Espaço Itaú, Quase Memória, do importante diretor luso-brasileiro Ruy Guerra (Os FuzisEstorvo), é uma adaptação do romance homônimo do escritor Carlos Heitor Cony (morto este ano), no qual homenageia seu pai, Ernesto Cony.

Na história, Carlos – vivido por Charles Fricks e Tony Ramos – é um jornalista que recebe um pacote enviado pelo pai Ernesto (João Miguel), já morto há alguns anos. Enquanto decide se abre o presente, o filho relembra diversas histórias ao lado da figura paterna. Guerra opta por um realismo fantástico e caótico, investindo em sensações e reflexões em um cenário único, como um palco de teatro.

Trailer de Quase Memória:


Comédias

A dupla de veteranos atores Helen Mirren (Oscar de melhor atriz por A Rainha) e Donald Sutherland (o vilão da franquia Jogos Vorazes) protagoniza a comédia dramática Ella e John, outra produção lançada na capital paranaense apenas no Espaço Itaú.

O diretor italiano Paolo Virzi (Loucas de Alegria), também roteirista do filme, apresenta o casal Ellen e John que, aposentado, decide fazer uma última viagem de trailer pelos pelos Estados Unidos. John já está um tanto senil e precisa ser constantemente vigiado pela esposa. Na estrada, encontram diversos tipos que os ajudam em sua jornada.

Trailer de Ella e John:


Na produção alemã De Encontro com a Vida, do diretor Marc Rothemund (Uma Mulher Contra Hitler), Saliya (Kostja Ullman) decide arrumar um emprego normal, mesmo sendo praticamente cego. Ele se candidata a uma vaga em um hotel e consegue o emprego sem revelar seu problema físico.

A situação é o ponto de partida para diversas sequências divertidas. Com a ajuda do amigo Max (Jacob Matschenz), Saliya se mete em muitas confusões ao esconder sua condição e também tentar conquistar a bela Laura (Anna Maria Mühe), companheira de trabalho. O filme está na programação das redes UCI (Estação e Palladium), Cinemark (Muller) e Cinesystem (Curitiba).

Trailer de De Encontro com a Vida:


Outras estreias

O importante diretor alemão Wim Wenders – dos clássicos Asas do Desejo e Paris, Texas – continua em plena forma, lançando praticamente um filme por ano. Sua nova produção é Submersão, que está sendo lançado no Cinepólis, Cineplex Batel e Espaço Itaú.

O filme é estrelado por Alicia Vikander – jovem estrela em ascensão no cinema depois do Oscar de atriz coadjuvante por A Garota Dinamarquesa –, que vive Danielle, uma oceanógrafa que se envolve em um projeto no Ártico. Ela se apaixona por James (James McAvoy, de Fragmentado), um empreiteiro que tem uma possível vida dúbia como espião.

Trailer de Submersão:


Com estreia prevista para diversas salas de Curitiba, Exorcismos e Demônios é o representante do gênero terror na programação da semana. Na produção dirigida por Xavier Gens (de Hitman – Assassino 47), a jornalista Nicole (Sophie Cookson, de Kingsman – Serviço Secreto) investiga o caso da morte de um freira em uma sessão de exorcismo, que levou o padre responsável pelo procedimento à prisão. A moça acaba encontrando muitas assombrações para garantir os sustos do espectador. Os créditos destacam que a produção é baseada em fatos reais.

Trailer de Exorcismos e Demônios:


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Empreendedorismo - por Rodrigo Okener

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