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Um Lugar Silencioso traz renovação ao gênero terror - Filmes, por Rudney Flores



Evelyn (Emily Blunt) e a filha Regan (Millicent Simmond) em cena do filme: silêncio para sobreviver.
Crédito da foto: Jonny Cournoyer/Divulgação Paramount Pictures

Muito apreciado pelos espectadores, o gênero terror tem diversas produções apresentadas todos os anos para quem busca sustos nos cinemas. Boa parte dos lançamentos é baseada no batido tema sobrenatural, com fantasmas, espíritos e monstros, mas algumas novas ideias têm surgido para renovar esse importante estilo cinematográfico.

Em 2017, a surpresa da temporada foi Corra!, de Jordan Peele, lançado ainda no começo do ano, e que conquistou a crítica e plateias com um terror psicológico que também levantava questões do racismo nos Estados Unidos – a produção levou o Oscar 2018 de melhor roteiro original para o próprio Peele. Neste ano, a novidade no gênero é Um Lugar Silencioso, principal estreia desta semana nos cinemas brasileiros.

Dirigido por John Krasinski – conhecido pela atuação na versão americana da série televisiva The Office –, o filme destaca um terror que resgata o clima sufocante do clássico Alien – O Oitavo Passageiro, além de se aproximar também do recente e ótimo Rua Cloverfield, 10. Na trama, a Terra foi dominada por poderosos seres que atacam toda a população. Não é explicado como surgiram, mas descobre-se que eles são cegos mas com a audição muito apurada, atacando baseados em qualquer tipo de som emitido. Dessa forma, a única forma de sobreviver é não fazer barulho algum para não chamar sua atenção.

A história é centrada em uma família isolada em um fazenda no interior dos Estados Unidos. O casal Lee (Krasinski) e Evelyn (Emily Blunt, de No Limite do Amanhã, também casada na vida real com o ator/diretor) e seus filhos Regan (Millicent Simmonds, do recente Sem Fôlego), Marcus (Noah Jupe, de Suburbicon – Bem-Vindos ao Paraíso) e Beau (Cade Woodward) vivem sob a tensão de não poder fazer nenhum tipo de som – caminham por trilhas feitas de areia para abafar os passos, comunicam-se por sinais e luzes que indicam se há perigo ou não em casa.

A produção abre com uma tragédia no grupo e avança um ano depois, destacando o agravante de Evelyn estar grávida novamente e os preparativos para a chegada de uma nova e possivelmente barulhenta criança. Há momentos familiares tensos com a quase adolescente Regan (que é surda), mas também de respiro, como um passeio na cachoeira entre pai e filho.

O diretor, que também é roteirista ao lado dos novatos Bryan Wodds e Scott Beck, entrega um filme enxuto (tem apenas 90 minutos) e cria uma situação limite muito interessante, de se viver sem tecnologia ou barulhos, um ótimo contraponto ao atual mundo altamente automatizado, com a cacofonia diária das cidades. Quantos sobreviveriam nesse cenário?

Seguindo a cartilha do gênero, Krasinski constrói uma história em que a tensão é crescente – qualquer objeto ou movimento pode emitir um som que acabará com a vida de todos. Como no Alien, de Ridley Scott, o diretor não revela de cara suas criaturas, mas elas terão aparição aterrorizante no arco final. Os sustos são realmente garantidos. Cotação: Ótimo.

Trailer de Um Lugar Silencioso:


A vida de Simon

Vivemos um tempo em que as escolhas e orientações sexuais de cada um estão sendo mais respeitadas, mas mesmo assim ainda é difícil para uma pessoa se revelar como homossexual. É o que acontece com o personagem central de Com Amor, Simon, outra estreia de destaque nas salas de cinema de Curitiba.

No filme do diretor Greg Berlanti (Juntos Pelo Acaso), o jovem Simon (Nick Robinson, de Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros) ainda não contou aos pais e aos amigos que é gay. Ele tem um vida familiar comum, participando das atividades felizes com pai Jack (Josh Duhamel, da franquia Transformers), a mãe Emily (Jennifer Garner, de De Repente 30) e a irmã Nora (Talitha Bateman, de Annabelle 2). Simon gostaria que a revelação não fosse um grande problema, mas sabe que irá quebrar expectativas, principalmente do pai, ex-quaterback no colégio.

Ele só consegue conversar sobre sua situação com um amigo secreto que também é gay, com quem troca e-mails e por quem se apaixona. E, durante toda a história, Simon tentará descobrir quem é seu correspondente, mas terá alguns percalços como uma chantagem que o levará a não ser honesto com seus melhores amigos – Leah (Katherine Langford, da série 13 Reasons Why), Abby (Alexandra Shipp) e Nick (Jorge Lendeborg Jr.)

O mérito da produção é não carregar muito o debate ou levantar bandeiras (não que elas não sejam necessárias em diversas situações), uma certa utopia, mas que seria o normal em um mundo ideal. O tema é tratado com leveza e doses de humor, camaradagem e compreensão. Simon só quer ter uma vida simples com a família, amigos e um amor. O sonho de qualquer pessoa. Cotação: Bom.

Trailer de Com Amor, Simon:


Diversão e futebol

Em um cenário de animações com grandes efeitos visuais, 3D e realidade virtual, o diretor inglês Nick Park segue na contramão com a simplicidade das suas produções. O realizador apresenta neste ano O Homem das Cavernas, outra produção baseada na técnica stop-motion, com cenários e personagens feitos de massinha de modelar, assim como seus grandes sucessos, o vencedor do Oscar de longa-metragem de animação Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais (2005, ao lado de Steve Box) e o também divertido A Fuga das Galinhas(2000, ao lado de Peter Lord).

A história fala de uma tribo perdida de homens das cavernas, que é descoberta e invadida apenas na era do bronze. Os habitantes pré-históricos são expulsos do local por um grupo mais avançado que é mestre em um jogo que lembra o futebol. O jovem e atrapalhado Dug (voz de Marco Luque na versão dublada) decide desafiar os invasores para um jogo que valerá a liberdade da tribo e o retorno para seu local de origem, mas não será fácil treinar seus parceiros.

O roteiro simples tem várias situações divertidas e é lançado oportunamente em ano de Copa do Mundo, mas talvez atraia mais os meninos por causa dessa temática. Cotação: Bom.

Trailer de O Homem das Cavernas:


Arábia

Houve uma época não muito distante, durante os anos 2000, em que os vencedores de importantes festivais nacionais como Gramado, Brasília ou Rio de Janeiro ganhavam grande destaque e ótimos lançamentos nas salas de cinema – Lavoura ArcaicaCinema, Aspirinas e Urubus ou o paranaense Estômago são alguns bons exemplos.

Mas, nos últimos anos, a produção brasileira mais séria perdeu prestígio e a distribuidoras passaram a investir praticamente apenas em comédias nacionais insossas e genéricas, que atualmente dominam a programação. O circuito para os destaques dos festivais ficou reduzido às salas que programam filmes independentes ou de arte, como o Espaço Itaú em Curitiba, que destaca esta semana o lançamento de Arábia, filme da dupla Affonso Uchôa e João Dumans, o grande vencedor do Festival de Brasília 2018, recebendo os troféus Candango de melhor filme, ator para Aristides de Sousa, montagem e trilha sonora.

A produção se passa em Ouro Preto (MG) e foca na história de Cristiano (Sousa), um operário que tem seu diário achado pelo jovem André (Murilo Caliari). No texto, Cristiano descreve sua vida passando por diversos empregos e bicos em cidades do interior de Minas Gerais, um retrato das péssimas condições dos trabalhadores em várias partes do país.

Trailer de Arábia:

Outras estreias

Quem gosta da vida marinha deve se lembrar dos filmes e documentários do famoso cineasta e oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau, que durante anos viajou o mundo retratando a fauna e a flora marinha a bordo do navio Calypso. A vida de Cousteau é contada no filme francês A Odisséia, de Jérôme Salle, que estreia apenas no Cineplex Batel.

O oceanógrafo, vivido por Lambert Wilson (de Medos Privados em Lugares Públicos), tem uma vida atribulada por escolher viajar pelo mar, deixando de lado a mulher Simone (Audrey Tautou, a eterna Amélie Poulain) e tendo diversos conflitos com os filhos, principalmente Philippe (Pierre Niney, de Yves Saint Laurent).

Trailer de A Odisséia:


Em cartaz no Cineplex Batel e no Espaço Itaú, o filme húngaro 1945, de Ferenc Török, retrata uma história que acontece logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Tudo muda em uma aldeia húngara com a chegada de dois judeus ortodoxos, que trazem consigo misteriosas caixas. O conflito acabou, mas as feridas ainda estão abertas, e a população local, que se prepara para o casamento do filho de um importante político da cidade, tem medo que os judeus estejam querendo se vingar dos atos cometidos contra eles durante a guerra.

Trailer de 1945:


O filme de ação da semana é Covil de Ladrões, estrelado por Gerard Butler (300) e o rapper Curtis “50 Cent” Jackson. A produção marca a estreia na direção de longas-metragens do roteirista Christian Gudegast (O VingadorInvasão a Londres).

50 Cent é Enson Levoux, líder de uma gangue de assaltantes que pretende roubar o Banco Central americano, missão considerada impossível. Quem tentará impedi-los é Big Nick O'Brien (Butler), um policial que tem métodos violentos e pouco ortodoxos para lidar com bandidos.

Trailer de Covil de Ladrões:

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Empreendedorismo - por Rodrigo Okener

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