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Paraíso Perdido exalta histórias de amor ao som de canções bregas -Filmes, por Rudney Flores


Julia Konrad, Erasmo Carlos e Jaloo tem ótimas interpretações no filme de Monique Gardenberg.
Crédito da Foto: Divulgação/Vitrine Filmes


Após um hiato de mais de uma década, quando se dedicou à criação teatral e à televisão, a diretora Monique Gardenberg (de Benjamim) retorna às telas com o bonito e sensível Paraíso Perdido, principal destaque da programação de cinema de Curitiba neste fim de semana.

Histórias de amor e também de violência envolvem os personagens que vivem em torno da boate Paraíso Perdido, comandada por José – o cantor Erasmo Carlos, retomando a trajetória no cinema depois de quase 35 anos. Localizada na região do Baixo Augusta, na capital paulista, a casa é um reino da música brega brasileira dos anos 1960 e 1970, em sensacionais e emotivas apresentações a cargo de Angelo (Júlio Andrade, de Gonzaga – De Pai para Filho), filho mais velho do proprietário, sua filha Celeste (Julia Konrad, estreando no cinema), o transformista Imã (o cantor revelação paraense Jaloo, também em seu primeiro filme), neto de José, e Teylor (o cantor Seu Jorge, de Cidade de Deus), filho adotivo da família Paraíso Perdido.

O grande elenco destaca ainda Hermila Guedes (de O Céu de Suely) como Eva, filha de José e mãe de Imã, que está presa; Marjorie Estiano (de Entre Irmãs), como Milene, outra presidiária e namorada de Eva; Humberto Carrão (de Aquarius), um jovem professor de inglês que tem uma atração mal resolvida por Imã; e Lee Taylor (atualmente na série global Onde Nascem os Fortes) como Odair, policial e segurança da boate que será o fio condutor da trama escrita pela própria Gardenberg, que se revela aos poucos um intrincado e interessante folhetim clássico de novela, com as várias interligações entre os personagens.

O filme ainda coloca em foco a violência e a homofobia recorrentes nos tempos atuais no Brasil, principalmente em grandes metrópoles como São Paulo, e expõe novas formas de amar que continuam não sendo aceitas por boa parte das pessoas – “O problema não é o que você é, mas o que as pessoas não conseguem ser”, diz em certo momento Angelo ao sobrinho Imã, após este sofrer mais uma agressão física de um grupo homofóbico.

Mas o que conquista mesmo o espectador são os belos números musicais interpretados por Júlio Andrade – que entrega mais um impecável trabalho no cinema –, Seu Jorge, Jaloo, Julia Konrad e Erasmo Carlos. A canção “Impossível Acreditar Que Perdi Você”, sucesso de Marcio Greyck, interpretada por Imã no início do filme, foi o ponto de partida para a diretora criar a história de Paraíso Perdido.

E Zeca Baleiro, diretor musical do longa, deu sequência à tocante sofrência dos personagens com algumas músicas mais obscuras do brega, como “Jamais Estive Tão Segura de Mim Mesma”, de Raul Seixas, gravada por Núbia Lafayette, e “Doce Pecado”, de Fernando Mendes (mais famoso por “Você Não me Ensinou a te Esquecer”, cantada até por Caetano Veloso), aliadas a sucessos como “De Que Vale Ter Tudo na Vida”, de José Augusto, “Todo Sujo de Batom”, de Belchior, e “120, 150, 200km por Hora”, de Roberto e Erasmo Carlos, cantada por José com os filhos em mais uma cena emocional do filme – que entra em cartaz no Espaço Itaú, UCI Estação, Cinépolis Pátio Batel e Cine Guarani. Cotação: Ótimo.

Trailer de Paraíso Perdido:



Gaúcho produtivo

Não se pode dizer que o diretor gaúcho Paulo Nascimento peca por não tentar. Ele lançou, nos últimos 13 anos, sete longas-metragens, todos regulares – se nenhum chegar a ser brilhante, pelo menos está aquecendo a indústria de cinema no seu estado, gerando trabalho, o que não deixa de ser importante para o cinema nacional.

O realizador conseguiu, em 2018, a proeza de lançar dois filmes no espaço de um mês, algo raro na produção brasileira. Depois de Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos (lindo título, realização nem tanto), com Edson Celulari, lançado no início de maio, Nascimento apresenta nesta semana A Superfície da Sombra, produção de suspense baseada no livro homônimo do escritor Tailor Diniz, também gaúcho.

O filme é protagonizado por Leonardo Machado (ator presente em outros projetos do diretor), que vive Tony, um sujeito misterioso que recebe o pedido de visita de uma amiga que mora na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Doente, ela morre antes que Tony chegue ao local – ele só consegue acompanhar o funeral ao lado da filha dela, Blanca (Giovana Echeverria, que também está em Teu Mundo...).

Na cidade, Tony conhece diversos tipos estranhos, como o coveiro/cantor de tangos vivido pelo ator uruguaio Cesar Trancoso (do ótimo O Banheiro do Papa). É clara a tentativa de se realizar algo próximo do cinema fantástico (que engloba, entre outros temas, a fantasia e o horror), mas Nascimento, também roteirista da adaptação, não consegue imprimir um bom ritmo à trama, além de novamente pecar em diálogos sem inspiração (como já havia acontecido em Teu Mundo...).

Há muito filmes com ação lenta, em que muito está sendo dito, principalmente nos momentos de silêncio, mas não é o caso de alguns dos trabalhos do diretor – no seu cinema, lentidão e silêncio acabam representando monotonia e falta de ideias. Cotação: Regular.

Trailer de A Superfície da Sombra:



Mais nacionais

Chacrinha dizia que na tevê nada se cria, tudo se copia. A máxima também tem valido para o cinema nos últimos anos. Algumas comédias que fazem sucessos em seus países de origem logo estão sendo adaptadas em outras praças, completamente iguais ou com leves diferenças.

Alguns dos exemplos mais recentes são o francês Intocáveis (2011), que recebeu versões na Argentina e nos EUA, o argentino Coração de Leão (2013), refilmado na França, e o mexicano Não Aceitamos Devoluções (2013), que teve adaptações na França (o bom Uma Família de Dois, com Omar Sy, astro de Intocáveis) e agora no Brasil com Não se Aceitam Devoluções, filme estrelado pelo rei das comédias televisivas brasileiras, Leandro Hassum (da franquia Até Que a Sorte nos Separe).

Na produção que estreia esta semana nos cinemas do país, ele é o namorador Juca, que recebe a visita de uma mulher com uma criança. Ela diz que a filha é dele, pede dinheiro para pagar um táxi e some. Ele parte para os Estados Unidos para encontrar a mulher e devolver a criança, mas não consegue achá-la. Após alguns anos, Juca está vivendo feliz com a menina e trabalhando como dublê em Hollywood, mas a mãe retorna e quer retomar a guarda da filha.

Trailer de Não se Aceitam Devoluções:



Há algumas semanas, a rede Cinemark lançou o Projeta às 7, plataforma para apresentação de filmes nacionais, com sessões sempre às 19 horas. Em Curitiba, o projeto está sendo programado no Cinemark Mueller e tem apresentado produções brasileiras antes de suas estreias oficiais no circuito.

O filme desta semana é Amores de Chumbo, estreia da diretora pernambucana Tuca Siqueira em longa-metragem de ficção. Na história, o casal Miguel (Aderbal Freire Filho, reconhecido diretor teatral carioca) e Lúcia (Augusta Ferraz, atriz de teatro pernambucana) vai comemorar 40 anos de união. A relação é abalada com a chegada de Maria Eugênia (Juliana Carneiro da Cunha, de Lavoura Arcaica), que também traz ao casal memórias dos difíceis anos vividos durante a ditadura militar brasileira.

Trailer de Amores de Chumbo:



Outras estreias

Co-produção da Tunísia, Bélgica e França, A Amante chega a Curitiba esta semana apenas no Cineplex Batel. Dirigido pelo tunisiano Moahmed Ben Attia, o filme tem como personagem central o introvertido Hedi (Majd Mastoura), jovem que tem a vida completamente comandada pela família. Ele está prometido para um casamento arranjado por sua mãe, mas acaba se apaixonando em uma viagem de trabalho por Rym (Rym Ben Messaoud). Hedi precisa decidir se aceita os rumos ditados por sua família ou se segue a paixão pela livre e determinada Rym.

Trailer de A Amante:



Muitos filmes com temática religiosa cristã tem chegado às telas brasileiras. A estreia da semana no gênero é Eu Só Posso Imaginar, dos diretores Andrew e Jon Erwin. O filme apresenta a história da criação uma famosa canção gospel americana, "I Can Only Imagine", inspirada na vida do cantor Ben Millard (J. Michael Finley, ator da Broadway), que teve muitos problemas com o pai violento e alcoólatra, vivido por Dennis Quaid (ator de relativo sucesso nos anos 1980 e 1990 em filmes como Os EleitosViagem Insólita e Coração de Dragão).

Trailer de Eu Só Posso Imaginar:



Na animação Gnomeu e Julieta – O Mistério do Jardim, o casal Gnomeu e Julieta retorna à Inglaterra e se depara com o sumiço de vários amigos gnomos. Eles chamam o detetive Sherlock Gnomes para resolver o caso. O filme é dirigido por John Stevenson (de Kung Fu Panda) e tem dublagem original – não disponível em Curitiba – de estrelas como Johnny Depp, Emily Blunt, James McAvoy, Michael Caine e Mary J. Blige.

Trailer de Gnomeu e Julieta – O Mistério do Jardim:




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