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Perigosas cenas de ação são o destaque de Missão: Impossível – Efeito Fallout. Filmes, por Rudney Flores


Tom Cruise continua se arriscando em cenas sem dublês na série Missão: Impossível.
Crédito da foto: Divulgação/Paramount Pictures


Iniciada há mais de 20 anos, a franquia Missão: Impossível chega ao sexto filme cada vez mais centrada em espetaculares cenas de ação protagonizadas pelo astro Tom Cruise. Efeito Fallout, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros, assim como os filmes mais recentes da série – o ótimo Protocolo Fantasma (2011) e o bom Nação Secreta (2015) – teve sua divulgação baseada nos bastidores que mostram Cruise se arriscando sem dublês em vertiginosas sequências, seja em uma longuíssima queda livre no ar, numa perseguição de motos ou pilotando perigosamente um helicóptero.

E todas essas cenas são realmente espetaculares, ainda mais em uma tela gigante do cinema, principalmente numa sala Imax – o 3D, inédito na franquia até então, é a novidade em Fallout, mas não é tão bem explorado e o espectador não deve perder muito na versão 2D. Mas a preocupação em tentar maravilhar a audiência com mais e mais ação parece ter feito os realizadores deixarem de lado o roteiro do novo filme, dirigido por Christopher McQuarrie, também responsável por Nação Secreta e o primeiro a repetir o comando de um Missão: Impossível.

Efeito Fallout é demasiadamente longo (2h27) e com excessivas e confusas viradas na trama. A história remete aos acontecimentos do filme anterior e o agente Ethan Hunt (Cruise), ao lado de Benji (Simon Pegg, sempre ótimo com alívio cômico da série) e Luther (Ving Rhames), tem que lidar novamente com o vilão Solomon Lane (Sean Harris) – o agente Brandt (Jeremy Renner), presente nos dois últimos filmes, não está mais na equipe e não há explicação para sua saída.

A espiã Ilsa Faust (a bela Rebecca Ferguson) retorna, assim como o Alan Huley (Alec Baldwin), diretor da agência IMF, e Julia (Michelle Monaghan), a ex-esposa de Hunt, personagem novamente importante para a trajetória do herói – e nesta produção ele parece cada vez mais com um super-herói. As novidades no elenco são ligadas à CIA: a diretora Erica Sloan (Angela Bassett) e o agente August Walker (Henry Cavill, o atual Superman do cinema).

Este último tem grande destaque na trama, sendo responsável por tentar controlar os supostos abusos do personagem de Cruise em suas ações. Tudo gira em torno de um tema batido dos filmes de espiões: a tentativa de se evitar que um grupo radical detone bombas nucleares pelo planeta. Além de Lane, há um novo vilão na história – ele se mantém oculto em boa parte do filme, mas o espectador mais atento irá descobrir sua identidade em pouco tempo de projeção. Mesmo com os problemas citados, Efeito Fallout entrega ao público boa diversão, que ainda vale o investimento no ingresso. Cotação: Bom.

Trailer de Missão: Impossível – Efeito Fallout:


Ilha dos Cachorros

A animação adulta Ilha dos Cachorros, novo filme do cineasta americano Wes Anderson, acaba chegando a Curitiba com apenas uma semana de atraso em relação às principais praças de cinema do país. A produção, que estreia apenas no Espaço Itaú, valeu a Anderson o prêmio de melhor diretor do Festival de Berlin deste ano.

Realizada na técnica stop motion (com modelos e cenários reais fotografados quadro a quadro), a segunda incursão do diretor na animação – a primeira foi O Fantástico Sr. Raposo (2009) – apresenta uma história que se passa no futuro, em uma cidade japonesa que acaba sofrendo com uma epidemia que atingiu todos os cachorros locais. Um cientista alega ter encontrado a cura, mas é ignorado pelo prefeito que, para supostamente proteger a cidade, decide exilar os melhores amigos do homem em um lixão, que fica conhecido como Ilha dos Cachorros. Os animais passam por muitas dificuldade no local e Atari, um menino de 12 anos, filho adotivo do prefeito, decide ir à ilha para resgatar Spots, seu cão preferido.

Anderson, que também assina o roteiro, investe novamente na fábula – assim como diversos de seus sucessos como O Grande Hotel BudapesteMoonrise KingdomOs Excêntricos Tenenbaums – e faz da produção uma homenagem às animações e animês japoneses, assim como também destaca diversas críticas a temas atualíssimos no mundo como o crescimento da segregação, o aumento da corrupção dos governos e a boataria tão comum na comunicação entre as pessoas (conhecida como fake news), entre outros.

Um dos destaques do desenho é o time de estrelas que dublam os personagens, com destaque para Bryan Cranston (o eterno Walter White de Breaking Bad), que dá vida ao cachorro Chief, Liev Schereber (da série Ray Donovan) como Spots e Scarlett Johansson (a Viúva Negra da franquia Vingadores da Marvel) como Numteg, Bill Murray (que já trabalhou em vários filmes do diretor) como Boss, Edward Norton (Clube da Luta) como Rex. A lista é enorme e ainda destaca Frances McDormand (Três Anúncios para um Crime), Greta Gerwig (Frances Ha), Jeff Goldblum (O Parque dos Dinossauros), Yoko Ono, entre outros. Cotação: Ótimo.

Trailer de Ilha dos Cachorros:


Boyhood brasileiro

A boa produção nacional de cinema parece ter renascido em 2018. Nos últimos anos, sempre tem aparecido um ou outro filme brasileiro relevante nos cinemas, mas a quantidade de ótimos trabalhos tem sido bem maior que a média neste ano. Alguma Coisa Assim, dos diretores Esmir Filho e Mariana Bastos, que chega esta semana à programação de Curitiba (no Espaço Itaú e no Cineplex Batel), é mais uma interessante produção da safra nacional 2018.

Comparado a Boyhood – de Richard Linklater, indicado ao Oscar em 2015, que apresentava a vida do protagonista por 12 anos, ano a ano, destacando seu crescimento –, o filme da dupla de cineastas paulistas também apresenta uma história que acompanha dois personagens em momentos diferentes de suas trajetórias. Filmado em 2006, o curta-metragem Alguma Coisa Assim apresentava Mari (Caroline Abras, uma das melhores atrizes do cinema nacional atual) e Caio (André Antunes), que vão a uma balada na então agitada Rua Augusta, em São Paulo. Lá, incentivado pela amiga, ele tem seu primeiro beijo com outro rapaz.

As imagens do filme curto abrem o longa-metragem homônimo, que depois vai para 2016, com os amigos em Berlim, na Alemanha. Caio chega para fazer estudos em embriologia numa universidade local e fica hospedado na casa de Mari, que trabalha há um tempo no país. Também entrecortando a trama, aparecem imagens do curta Sete Anos Depois, filmado de 2013, quando os personagens se encontram para o casamento de Caio com seu namorado.

Esmir e Mariana costuram a trama com muita competência e inserem muito bem os curtas no longa, alternando as sequências de tempo para demonstrar os laços que unem os personagens mas que também os distanciam. A história destaca principalmente sentimentos, e o rapaz cobra no encontro com a amiga em 2013 que ela nunca abre os seus – o que poderá ser percebido também em imagens do curta de 2006 – e este será o ponto central do conflito que acabará acontecendo entre eles em Berlim.

É interessante notar a evolução do trabalho dos atores – vale ressaltar que Antunes retomou a carreira apenas para o longa, já que atualmente é psicólogo –, que assim como os personagens vão da inexperiência de quem recém saiu da adolescência ao início da maturidade da vida ao se chegar aos 30 anos, passando no caminho pelas dúvidas da juventude. Tudo isso pode ser condensado na intensa cena de discussão perto do fim do filme, com muita entrega da dupla de protagonistas. Cotação: Ótimo.

Trailer de Alguma Coisa Assim:


Romance adolescente

O cinema recente tem destacado vários romances açucarados adolescentes, das aventuras da série Crepúsculo ao filmes adaptados dos livros do escritor John Green. O novo trabalho do gênero é Todo Dia, que estreia esta semana nas salas brasileiras. Baseado no livro homônimo de sucesso de David Levithan, o filme de Michael Sucsy (do romance Para Sempre) que tem um ponto de partida inusitado.

O personagem central é A, uma espécie de entidade ou espírito que a cada dia acorda no corpo de uma pessoa de sua idade, podendo ser uma garota ou um garoto. A percebeu que era diferente aos 6 anos de idade e, com o tempo, decidiu que viveria sem atrapalhar muito a vida daqueles de quem “rouba” um dia. Tudo muda quando ocupa o corpo do jovem Justin (Justice Smith, de Jurassic World – Reino Ameaçado) e conhece sua namorada Rhiannon (Angourie Rice, de Dois Caras Legais). A entidade se apaixona pela menina e começa a segui-la através dos outros adolescentes que sua mente invade. A princípio assustada e descrente na história de A, Rhiannon acaba se entregando à paixão que parece ser impossível de ser concretizada.

A premissa da história é interessante, mas foca apenas no romance do casal, perdendo a oportunidade de investir em diversas situações que um personagem como A poderia suscitar – uma história adaptada não precisa ser exatamente fiel ao seu original, as melhores adaptações geralmente vão além e acrescentam algo especial ao que já existe. A entidade não questiona sua existência, não é explicado o que ela é em nenhum momento. Para piorar, os personagens secundários do filme são estereotipados ou poucos desenvolvidos – mãe e pai com problemas no casamento, irmã fútil, namorado insensível que ignora a parceira, etc.

O destaque da produção é mesmo o trabalho dos atores, da graciosidade de Angourie Rice à unidade de todos os que interpretam A, seguindo sempre o mesmo tom e dando melhor veracidade ao personagem. Para quem se interessar pela obra de Levithan, vale lembrar que Todo Dia faz parte de uma trilogia – o segundo livro, Outro Dia, também lançado no Brasil, apresenta a história do ponto de vista de Rhiannon; e o terceiro, Someday (algum dia), que dá continuação à trajetória de A e Rhiannon, deverá ser lançado no final do ano nos EUA. Cotação: Regular.

Trailer de Todo Dia:


Outras estreias

A comédia A Festa, da diretora Sally Potter (Orlando, a Mulher Imortal), tem como personagem central Janet (Kristin Scott Thomas, de O Paciente Inglês), política de esquerda da Inglaterra que é escolhida como ministra da Saúde do país. Ela resolve dar uma festa para comemorar o novo cargo, mas a celebração acaba em confusão com vários segredos sendo revelados pelos convidados, a começar por seu marido Bill (Timothy Spall, de Segredos e Mentiras).

O bom elenco ainda destaca Patricia Clarkson (Longe do Paraíso), Bruno Ganz (A Queda) e Cillian Murphy (A Origem). O filme estreia no Cineplex Batel e no Espaço Itaú.

Trailer de A Festa:


O drama Promessa ao Amanhecer, do diretor francês Eric Barbier, destaca a história do escritor Romain Gary, nascido na Lituânia e radicado na França até sua morte, em 1980. O longa acompanha a vida de Gary (Pierre Niney, de Frantz) desde a adolescência em Nice, na França, passando pelos estudos em Paris, até chegar ao período em que foi piloto na 2ª Guerra Mundial. Ele é o único escritor a vencer por duas vezes o prêmio Goncourt, um dos principais da literatura francesa.

Charlotte Gainsbourg (Ninfomaníaca) também está no elenco como a mãe de Gary. A produção entra em cartaz apenas no Cineplex Batel.

Trailer de Promessa ao Amanhecer:


Cinema Negro Brasileiro

Segue em cartaz até domingo na Cinemateca a Mostra de Cinema Negro Brasileiro, com apresentação de diversos títulos. No domingo, também está programado um debate, às 19 horas. Confira a programação do evento no site da Fundação Cultural de Curitiba: www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/cinema.

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Instagram @curitibaemdestaque


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