Destaques

ads slot

O Paciente revela os últimos dias de Tancredo Neves. FILMES, por Rudney Flores


Legenda: Othon Bastos vive o presidente que era a esperança de um novo país em 1985.
Crédito da foto: Divulgação/Globo Filmes



Em tempos de eleição, a programação de cinema de Curitiba tem a estreia de duas produções nacionais com temas relacionados à política. A principal delas é O Paciente – O Caso Tancredo Neves, de Sérgio Rezende, baseado no livro-reportagem homônimo de Luís Mir.

Reconhecido por retratar nas telas personagens ou passagens históricas do Brasil, em filmes como O Homem da Capa Preta (1986), Lamarca(1994), Guerra de Canudos (1997), Mauá – O Imperador e o Rei (1999), Zuzu Angel (2006) e Salve Geral (2009, sobre os ataques do PCC a São Paulo), Rezende registra os últimos dias de Tancredo Neves, primeiro presidente civil eleito no Brasil após a última ditadura militar (1964-1985), e que não chegou a comandar o país por ter tido problemas médicos um dia antes da posse.

O filme inicia com um breve histórico do período que antecedeu a internação, do movimento das Diretas Já (1984) até a eleição indireta de Tancredo em votação Congresso Nacional, em janeiro de 1985. As expectativas geradas pelo novo governo eram gigantescas e o político mineiro sabia da importância de sua posse. Tanto que tentou evitar de todas as formas ser internado, mas um crise aguda no dia 14 de março, véspera do grande dia de assumir o comando do país, não evitou a ida ao hospital às pressas – o vice-presidente José Sarney tomou posse e governaria o Brasil por cinco anos.

A produção foca principalmente a profusão de erros de diagnóstico, egos médicos muito inflamados e grandes interferências políticas, um martírio que durou 38 dias para Tancredo, que morreu no dia 21 de abril de 1985. Há uma tentativa de se montar um thriller político, mas que não funciona por todo o caso ser muito difuso, sem respostas claras sobre a responsabilidade de todos as falhas que aconteceram no período – ainda hoje, tudo ainda permanece no ar, como na época.

Mesmo com bom elenco – Paulo Betti, Leonardo Medeiros, Ester Góes, Otávio Müller, Elcir de Souza, Emílio Dantas –, pode-se destacar mesmo apenas o trabalho de Othon Bastos (Deus e o Diabo na Terra do Sol) como Tancredo Neves, que mesmo sem imitar sotaques faz lembrar, com muita emoção, aquele que era considerado a esperança de um novo tempo para o Brasil. Cotação: Regular.

Trailer de O Paciente – O Caso Tancredo Neves:



O envolvimento dos jovens com a política no Brasil não é o mesmo de outras épocas, mas ainda existem ainda alguns bons exemplos como o de Mayara, personagem central do documentário Camocim, do diretor Quentin Delaroche, que estreia apenas no Cine Guarani.

Idealista, engajada, homossexual, ela se envolve de cabeça na campanha do amigo César, candidato a vereador nas eleições municipais de 2016 da pequena Camocim de São Félix, no sertão de Pernambuco. De tão envolvida, ela chega a chamar a atenção do pretendente ao cargo na câmara municipal, que em certos momentos parece não estar levando tão a sério a empreitada política – mais descontraído, ele faz vídeos e também canta os jingles de campanha. Na realidade, ela é quem deveria ter sido candidata.

Delaroche opta por não interferir no dia a dia de Mayara e César. Não há questionamentos sobre o que pensam de política ou sobre suas ações. O diretor até destaca bons momentos da dupla, como quando batem de porta em porta, tentando escutar o que algumas pessoas querem para a cidade, ou quando Mayara tenta convencer outros jovens a não votar nulo. Mas o que se constata é que os dois personagens não são mais interessantes do que está acontecendo ao redor deles, a inflamada campanha para prefeito que há anos divide Camocim entre duas correntes políticas, representadas pelas cores azul e vermelho.

Se tivesse prestado mais atenção, Delaroche poderia ter mudado o foco de sua produção e conseguido um filme muito mais instigante, incluindo até Mayara e César como personagens devidamente inseridos em toda a efervescência de Camocim durantes as eleições. Cotação: Regular.

Trailer de Camocim:


O retorno de Jodie

Há cinco anos sem estrelar um filme, Jodie Foster, vencedora de dois Oscars de melhor atriz (Acusados e O Silêncio dos Inocentes), retorna como o nome principal de um elenco de rostos conhecidos em Hotel Artemis, ação de ficção científica que marca a estreia na direção do roteirista Drew Pearce (Homem de Ferro 3). Também se destacam na produção Jeff Goldblum (da franquia Jurassic Park), Sofia Boutella (Kingsman – Serviço Secreto), Dave Bautista (Guardiões da Galáxia) e Zachary Quinto (o Spock da nova franquia Star Trek), entre outros.

A história se passa na Los Angeles de 2028 e Foster, caracterizada como uma velha senhora, vive uma enfermeira que comanda o Hotel Artemis, um hospital secreto que atende criminosos. O local tem regras próprias, como não matar os pacientes, mas uma peça valiosa roubada, em poder de um dos internados, causa uma grande disputa entre os bandidos.

Trailer de Hotel Artemis:


Outras estreias

Um dos vilões mais icônicos do cinema de ação e terror chega novamente às telas em O Predador, filme dirigido por Shane Black (Dois Caras Legais), que trabalhou como ator em O Predador original, de 1987, filme que marcou a carreira de Arnold Schwarzenegger.

A nova história tem como personagens os chamados predadores supremos, os mais poderosos de sua raça, que vêm para a Terra para mais combates mortais, atraídos pelo chamado do garoto Rory (Jacob Tremblay, de O Quarto de Jack). Quinn (Boyd Holbrook, de Logan), um professor, e uma equipe de ex-combatentes tentarão salvar o planeta da ameaça alienígena.

Trailer de O Predador:


A história de Marvin, filme da diretora Anne Fontaine (Agnus Dei), lembra um pouco a de Billy Elliot. Assim como o bailarino da produção dos anos 2000, Marvin (vivido por Finnegan Oldfield na fase adulta) é um jovem sensível que não se encaixa no ambiente machista de sua família, no qual sofre muitas humilhações por ser “diferente”.

Ele encontra um porto seguro e afirmação no teatro, e sai do pequeno vilarejo onde vive para brilhar nos palcos de Paris, ao lado de nomes como Isabelle Huppert (Elle) – em uma participação especial na produção. O filme estreia apenas no Espaço Itaú.

Trailer de Marvin:


Nacionais

Após causar muitas polêmicas com Vazante (2017), sobre o período escravocrata no Brasil, a diretora Daniela Thomas lança um nova produção com tema inquietante. Em O Banquete, a ação se passa em 1990, em plena era Collor, durante um jantar no qual os convidados passam o tempo inteiro trocando insultos e ironias. Em meio às discussões cada vez mais ácidas, um dos convidados, um jornalista que descobriu diversos segredos sobre o Presidente da República, está prestes a ser preso.

O elenco conta com Drica Moraes (Bruna Surfistinha), Mariana Lima (Antes Que Eu Me Esqueça), Caco Ciocler (2 Coelhos), Bruna Linzmeyer (O Filme da Minha Vida) e Chay Suede (A Frente Fria que a Chuva Traz). O filme chega apenas ao Espaço Itaú.

Trailer de O Banquete:


A sessão Projeta às 7 do Cinemark, plataforma para apresentação de novos filmes brasileiros, programa para esta semana O Homem Que Parou o Tempo do diretor Hilnando SM. Com toques de ficção científica, a produção fala de João (Gabriel Pardal), um homem que vive solitário no seu apartamento em um Rio de Janeiro distópico, que passa por uma grande crise, com toda a população saindo da cidade. Para mudar a situação, João decide parar o tempo. O filme, em cartaz no Cinemark Mueller, tem ainda no elenco Camila Márdila (Que Horas Ela Volta?)

Trailer de O Homem Que Parou o Tempo:


Festival Remaster

Importantes e históricos filmes da cinematografia nacional são destaques no Festival Remaster – Clássicos do Cinema Brasileiro, mostra que será destaque no Espaço Itaú. O evento será aberto na próxima quarta-feira (dia 19), com uma sessão especial para convidados e público pagante, às 21 horas, de Vidas Secas (1963), obra maior de Nelson Pereira dos Santos, um dos mais importantes diretores brasileiros da história.

O longa, que representou o Brasil no Festival de Cannes 1964, foi todo remasterizado, assim como os demais da lista do festival, que terão sessões até 26 de setembro: O Assalto Ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias; Vai Trabalhar Vagabundo (1973), de Hugo Carvana; República dos Assassinos (1979), de Miguel Farias Jr; Luz Del Fuego (1982), de David Neves; O Homem da Capa Preta (1986), de Sérgio Resende; além dos documentários Os Doces Bárbaros (1977), de Jom Tob Azulay, e Carmem Miranda – Banana Is My Business (1995), de Helena Solberg.

Nova oportunidade para ver na tela grande importantes e representativas produções brasileiras. Confira a programação completa a partir de 20 de setembro em www.itaucinemas.com.br.


Legenda: O clássico Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, abre o Festival Remaster.
Crédito da foto: Divulgação.

__



Instagram @curitibaemdestaque


Curitiba em Destaque

Colunistas

Menu