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Vencedor do Festival de Gramado, Ferrugem destaca urgente temática jovem. FILMES, por Rudney Flores

 Tiffany Dopke vive adolescente que sofre bulling e humilhação após ter vídeo erótico vazado nas redes sociais.
Crédito da Foto: Divulgação.


As implicações das relações nas redes sociais são o tema central de Ferrugem, uma das principais estreias da programação de Curitiba esta semana. Segundo longa-metragem do diretor Aly Muritiba (Para Minha Amada Morta), baiano radicado em Curitiba, o filme venceu na semana passada o Festival de Gramado 2018 e também recebeu os kikitos de melhor roteiro e desenho de som.

A produção se divide em duas partes. A primeira é centrada na adolescente Tati (Tiffany Dopke), que como a maioria dos jovens da sua idade adora fazer selfies e vídeos em seu celular. Um desses filmes, uma transa com um antigo namorado, acaba vazando em grupo de rede social de um colégio de Curitiba, onde estuda, e as consequências são bullying e humilhação por parte dos outros alunos, levando a menina a um ato extremo. A segunda metade da produção fixa-se em Renet (Giovanni de Lorenzi), um dos suspeitos de vazar o vídeo, que é levado pelo pai Davi (Enrique Diaz) a uma praia do litoral do Paraná, juntamente com a irmã e um primo.

Ferrugem ganha muita relevância por sua temática mais do que atual, cada vez mais presente na vida de todas as pessoas, não apenas dos adolescentes, mas que tem contornos mais preocupantes justamente entre esses últimos, que praticamente vivem em função do celular e das redes socais. O universo escolar adolescente continua cruel, como há várias gerações, mas as coisas parecem mais nebulosas nos dias de hoje, nos quais aflora cada vez mais a intolerância e o moralismo, como é bem demonstrado na história.

A primeira metade da produção tem ótima construção, com boa atuação de Tiffany Dopke e uma tensão crescente até o chocante, mas esperado, desfecho. A outra metade, mais lenta, arrastada até, é focada no isolamento de Renet e a produção tem uma pequena caída. Mas ganha força na parte final com o aparecimento de Raquel (Clarissa Kiste), mãe do jovem, que havia abandonado a família – Diaz e Kiste têm o grande momento da produção em inspirada sequência de discussão em um carro. O filme está sendo lançado no Espaço Itaú, Cinépolis e Cineplus. Cotação: Bom.
Trailer de Ferrugem:



DC ri de si própria

Ao contrário da concorrente Marvel, a vida da DC não tem sido fácil nas telas, com o fracassos sucessivos de crítica dos seus lançamentos, como Batman vs. SupermanEsquadrão Suicida e Liga da Justiça – a exceção foi ótimo Mulher-Maravilha. Mas tudo anda muito melhor na parte das animações, com o divertido Lego Batman – O Filme e agora com o lançamento do também engraçado Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas, que estreia no Brasil esta semana.

Baseado na série animada homônima do Cartoon Network, que tem traço próximo dos animes orientais, o novo desenho investe na sátira aos personagens da própria DC, mostrando que é sempre um bom caminho não se levar tão a sério, como tem sido o tom dos longas-metragens da casa. De quebra, também tira um sarro de alguns filmes da Marvel e de sua maior figura – Stan Lee tem aparições hilárias no filme, uma referência às pontas que sempre faz nos filmes dos personagens que ajudou a criar. Há lembrança também de outros filmes importantes, como De Volta para o Futuro.

Nos quadrinhos, Os Jovens Titãs são uma trupe de heróis pós-adolescentes, liderados pelo primeiro Robin, Dick Grayson, que depois virou o herói Asa Noturna. Já na animação, o grupo é formado por heróis ainda moleques, que se metem em diversas confusões. Na trama do longa-metragem, os cinco Jovens Titãs – Robin, Ciborgue, Estelar, Ravena e Mutano – sonham em ser protagonistas de um filme de ação em Hollywood, como os demais heróis adultos – quem fica mais obcecado pela ideia é Robin.

O problema é que eles são motivo de piada para os outros heróis, não têm o respeito de ninguém, pois não combatem nenhum grande vilão. A turma encontra seu nêmesis no robô Slane e, na disputa com ele, bagunça com muita diversão o universo DC. Cotação: Bom.

Trailer de Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas:



Temática religiosa

Os filmes de temática cristã estão cada vez mais presentes na programação de cinema nos últimos anos. O investimento tem sido constante, pois algumas dessas produções conseguem bom retorno de público. O novo lançamento do gênero é o terceiro filme da franquia Deus Não Está Morto, com o subtítulo Uma Luz na Escuridão, que estreia esta semana em Curitiba.

Dessa vez, a produção é centrada no pastor Dave (David A. R. White), personagem presente nos filmes anteriores, que se vê no meio de uma controvérsia – depois de muitos anos presente dentro de uma universidade americana, a igreja histórica que ele comanda, herdada do pai, torna-se ponto de discussão, pois muitos acham que não pode haver o culto de apenas uma religião no campus.

Em meio ao debate, uma tragédia acontece na igreja, aparentemente ligada à intolerância religiosa, e a direção da instituição decide fechar de vez o local. Dave recorre a irmão advogado Pearce (John Colbert, de Casamento Grego) para ajudá-lo no caso. A relação dos dois não é boa há tempos e suas discussões e diferenças no modo de ver a vida tomam conta de parte da trama. O pastor ainda tem uma atração mal resolvida com Meg (Jennifer Taylor, da série Two and a Half Men), amiga que distribui comida a necessitados. Para completar, a questão do fechamento da igreja vai para a imprensa e mídias sociais, com amplo debate, refletindo as relações nos dias de hoje.

São temas interessantes, mas que não são melhor desenvolvidos porque a produção precisa destacar o discurso religioso para o qual foi criada – perde-se muito tempo de história com pregação em diversos níveis, que irá agradar a convertidos e pouco convencerá que não tem o mesmo credo. O final, ao menos, acerta em defender a tolerância em todos os níveis, mais do que necessária nos tempos atribulados e polarizados em que vivemos. Cotação: Regular.

Trailer de Deus Não Está Morto – Uma Luz na Escuridão:



Nacionais

Apesar de ficarem pouco tempo em cartaz, os filmes nacionais têm chegado em bom número às salas de Curitiba. Nesta semana, além do curitibano Ferrugem, também estão sendo lançadas novas produções de diversos estilos.

Há 12 anos, a notícia de um trágico suicídio colocava fim à vida de um possível talento artístico. Vinicius Gabeiro Marques, um jovem de 16 anos de Porto Alegre que assinava com o nome artístico de Yonlu, produzia poesia e músicas, que publicava na internet – ele também desenhava e falava quatro idiomas. Com períodos depressivos na curta vida, ele decidiu se matar e para isso contou com a ajuda de grupos virtuais que incentivam a prática.

A trajetória do rapaz, vivido por Thalles Cabral (da série de tevê Manual para se Defender de Aliens, Ninjas e Zumbis), é contada em Yonlu, longa-metragem de estreia do diretor Hique Montanari, que estreia apenas no Espaço Itaú.

Trailer de Yonlu:



Um dos principais pensadores do cinema no Brasil, o belga naturalizado brasileiro Jean-Claude Bernardet é tema do documentário A Destruição de Bernardet, de Claudia Priscilla e Pedro Marques, outra produção que estreia apenas no Espaço Itaú.

O filme é baseado em depoimentos e reflexões do próprio Bernardet, que fala sobre a produção nacional, sua participação com ator em longas e curta-metragens experimentais ou ousados, além de sua vida como portador do vírus da aids.

Trailer de A Destruição de Bernardet:



O Projeta às 7 da rede Cinemark destaca nesta semana o documentário Meu Tio e o Joelho de Porco, de Rafael Terpins, sobre a mítica banda anárquica paulistana Joelho de Porco, ainda em atividade, mas que se destacou na música brasileira nos anos 1970 e 1980.

O diretor era sobrinho de Tico Terpins, morto em 1998 e um dos fundadores do grupo, que também teve como integrante o influente Zé Rodrix (ex-parceiro da dupla Sá & Guarabira, que morreu em 2009). O filme está programado para o Cinemark Mueller.

Trailer de Meu Tio e o Joelho de Porco:



No documentário Vinte Anos, a diretora brasileira Alice de Andrade (O Diabo a Quatro) destaca histórias passadas em Cuba. Em 1997, ela visitou o país comandado por Fidel Castro e registrou a união de três felizes casais. Duas décadas depois, ela retornou à ilha da América Central e reencontrou os mesmos personagens, mostrando para eles as imagens antigas e verificando o que aconteceu com suas vidas durante o período. O filme estreia apenas no Cine Guarani.

Trailer de Vinte Anos:



Maior protagonista das comédias brasileiras recentes, Leandro Hassum retorna em O Candidato Honesto 2, de Roberto Santucci, principal diretor do gênero no pais atualmente. O ator retoma o personagem João Ernesto, que tenta se candidatar novamente à presidência depois de passar um tempo preso por corrupção. A produção satiriza diversas situações e personagens recentes da política nacional.


Outras estreias

Co-produção de diversos países, incluindo o Brasil, o filme paraguaio As Herdeiras, de Marcelo Martinessi foi vencedor de diversos prêmio internacionais este ano, incluindo o Festival de Berlim – Urso de Prata de melhor atriz para Ana Brun e Prêmio Alfred Bauer (filme que abre novas perspectivas) – e o recente Festival de Gramado, no qual levou cinco kikitos entre os estrangeiros concorrentes – melhor filme júris oficial e popular, direção, roteiro e atriz (para o trio de protagonistas).

Na história, Chela (Brun) e Chiquita (Margarita Irún) são herdeiras de famílias ricas paraguaias, que vivem de vender os bens recebidos por herança. Chiquitita é presa por diversas dívidas e Chela passa a ganhar a vida como motorista de senhoras ricas – no trabalho, ela conhece e se envolve com Angy (Ana Ivanova). O filme entra em cartaz no Cineplex Batel e no Itaú.

Trailer de As Herdeiras:



Famosa pela participação no mítico disco de estreia da banda Velvet Underground (de 1967, o da capa com uma banana, criada pelo artista plástico Andy Warhol), a cantora alemã Christa Päffgen, mais conhecida como Nico, é tema da cinebiografia Nico, 1988, da diretora italiana Susanna Nicchiarelli.

Nico desenvolveu carreira própria a partir de sugestão de Jim Morrison (vocalista do The Doors) e sempre tentou se desvencilhar da parceria com o Velvet. O filme, vencedor da mostra Horizontes do Festival de Veneza 2017, registra a cantora – interpretada pela atriz dinamarquesa Tryne Dirholm (Em um Mundo Melhor) – no período final da vida, durante sua última turnê, quando tenta resolver a relação atribulada com o filho e superar os problemas com drogas e depressão.

Trailer de Nico, 1988:


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