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Anti-herói Venom tem história recontada em novo filme baseado em quadrinhos. FILMES, por Rudney Flores

Tom Hardy vive o jornalista Eddie Brock, que se alia a um simbionte alienígena.
Crédito da Foto: Divulgação/Sony Pictures


Onipresente no cinema atual, o universo das histórias em quadrinhos de herói têm mais um personagem adaptado para as telas em Venom, principal estreia da semana nos cinemas do Brasil. O filme dirigido por Ruben Fleischer apresenta uma nova origem para um dos inimigos do Homem-Aranha, que por sinal, não dá as caras na produção.

Para quem não é aficionado por HQs, vale lembrar que Venom é um simbionte alienígena que precisa de um hospedeiro humano para sobreviver. Nas revistas, o ser se uniu primeiro a Peter Parker/Homem-Aranha, na fase em que o aracnídeo usou um uniforme negro, na realidade o próprio simbionte, que tem consistência orgânica de um líquido negro. Depois, ele juntou forças com Eddie Brock, um jornalista que tinha ódio do herói da Marvel e se transformou no Venom. Essas histórias foram apresentadas no terceiro filme da primeira trilogia no cinema do Homem-Aranha, dirigida por Sam Raimi nos anos 2000, com o ator Topher Grace como Venom.

No filme solo da Sony (que ainda detém todos os direitos do universo do Homem-Aranha no cinema, mas mantém agora uma parceria com a Marvel nos novos filmes do herói), Venom é resgatado do espaço, juntamente com outros de sua espécie, por uma empresa de tecnologia comandada por Carlton Drake (Riz Ahmed, de Rogue One), um cientista/empresário inescrupuloso. Ao investigar o poderoso Drake por usar humanos como cobaias em suas experiências científicas, Eddie Brock (Tom Hardy, de Dunkirk) acaba sendo demitido do jornal em que trabalha e perde a noiva Anne (Michelle Williams, de Manchester à Beira-Mar). Tempos depois, Brock vai secretamente ao laboratório de Drake e tem contato com Venom, absorvendo-o e tornando-se um anti-herói.

Totalmente descolada das atuais aventuras da Marvel, a maioria muito bem elaboradas, a produção comandada por Fleischer tem trama simplória com vilão malvado e efeitos especiais apenas razoáveis, além de apostar em muitos momentos na comédia pastelão – elemento que funcionou muito bem em Zumbilândia (seu divertido filme de maior sucesso, com Woody Harrelson e Jesse Eisenberg), mas faz muito pouco sentido em Venom. Conhecido por interpretar personagens fortes e brutos, Hardy parece se divertir com a empreitada e faz o que pode para salvar o filme tentando ser o engraçadinho pedido pelo fraco texto dos roteiristas, mas tudo acaba soando muito estranho e fora de lugar.

Venom tem ainda duas cenas pós-créditos – a primeira com o vilão Carnificina (Woody Harrelson), indicando uma possível continuação do filme; e a segunda é um trecho da animação Homem-Aranha no Aranhaverso, que deve estrear em janeiro próximo no Brasil. Cotação: Regular.

Trailer de Venom:


Questões raciais

Em certos momentos, alguns filmes conseguem captar e retratar com rara propriedade o período em que são lançados. A tensão racial constante nos Estados Unidos foi tema central do contundente Faça a Coisa Certa, lançado por Spike Lee em 1989, que mostrou uma atualidade brutal daquela época. Os problemas raciais não se resolveram desde então e, em muitos momentos como agora, em plena era Trump, estão cada vez mais aprofundados, abrindo espaço para novas obras sobre o tema como Ponto Cego, que está sendo lançado esta semana no Brasil.

A produção marca a estreia em longas-metragens de Carlos López Estrada, mexicano radicado no Estados Unidos desde criança. No centro da história está o negro Colin (Daveed Diggs, de Extraordinário), que está a três dias de encerrar seu período de liberdade condicional. Ele tenta se manter longe de confusões, mas a tarefa não será muito fácil ao lado do branco Miles (Rafael Casal, também corroteirista da produção), seu encrenqueiro amigo de infância e companheiro de trabalho em uma firma de entregas.

No curto período da história, entre outras atitudes para não voltar a ser preso, Colin tenta ignorar que viu a morte de um negro indefeso por um policial e também que o companheiro carrega sempre um arma, o que pode prejudicá-lo seriamente. Mas ele não consegue escapar desses acontecimentos e acaba refletindo muito sobre a atual condição dos negros na América – o que também vale para outras minorias ou mesmo para pessoas desfavorecidas economicamente em vários países do mundo.

O ponto cego do título se refere a um desenho mostrado em certo momento pela ex-namorada do protagonista, que alia duas imagens diferentes, mas que o cérebro humano geralmente só consegue identificar uma delas, não conseguindo ver o todo – demonstrando, entre outras coisas, como Colin não vê o quanto pode ser prejudicial sua relação com Miles.

O filme tem alguns momentos de leveza e humor também (o uber do amigo com rodas gigantes) e ainda destaca outros temas atuais como a gentrificação na cidade de Oakland, a influência da mídia, a força do rap – na ótima e forte cena do confronto de Colin com o policial assassino do início do filme.

Mesmo não sendo tão direto como Spike Lee, Estrada constrói pontes com o cinema realizado pelo cultuado diretor norte-americano e mostra-se digno de dar sequência a esse trabalho. Vale conferir seus próximos trabalhos. Cotação: Ótimo.

Trailer de Ponto Cego:


Adaptações

O escritor inglês Nick Hornby ganhou aura cult nos anos 1990 ao lançar uma trinca de livros sensacionais – Febre de BolaAlta Fidelidade e Um Grande Garoto –, que tratavam de muitos temas da cultura pop e que posteriormente renderam interessantes adaptações no cinema – a melhor foi a de Um Grande Garoto (2002), com Hugh Grant. O autor lançou depois obras menos inspiradas que também chegaram às telas como Uma Longa Queda e, agora, Juliet, Nua e Crua, uma das estreias da semana na programação de Curitiba.

Como em muitos dos livros de Hornby, a música é o ponto de partida da produção dirigida por Jesse Peretz (O Idiota do Meu Irmão). A história é centrada inicialmente em Duncan (Chris O'Dowd, revelado na hilária série de tevê inglesa The IT Crowd), um fã inglês obcecado pelo roqueiro americano Tucker Crowe (Ethan Hawke, de Boyhood), que há anos não lança um disco. A idolatria pelo músico atrapalha e muito a relação do rapaz com a esposa Annie (Rose Byrne, de X-Men – Primeira Classe).

As coisas se complicam quando Crowe retoma a carreira com um novo álbum – Juliet –, do qual Annie faz uma resenha crítica. Interessado pelo texto, a antiga estrela do rock decide conhecê-la e um improvável triângulo amoroso se forma. O filme entra em cartaz apenas no Espaço Itaú.

Trailer de Juliet, Nua e Crua:


Papillon, livro autobiográfica de Henri Charrière, foi levado às telas com grande sucesso em 1973 em um filme homônimo estrelado por Steve McQueen e Dustin Hoffman. A obra ganha nova adaptação cinematográfica pelas mãos do diretor dinamarquês Michael Noer, estreando em Hollywood. A produção também tem como base o livro Banco, que dá sequências à trama de Papillon.

Na história, Charrière (Charlie Hunnan, de Círculo de Fogo, no papel que foi de McQueen) foi condenado injustamente à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, por um crime que não cometeu. Lá, ele conhece o prisioneiro Louis Dega (Rami Malek, sucesso na série de tevê Mr. Robot, e interpretando personagem vivido anteriormente por Hoffman) e os dois tentam fugir da prisão, o que era considerado impossível.

Trailer de Papillon:


Outras estreias

A amizade é o tema central de O Futuro Adiante, primeiro longa-metragem da diretora argentina Constanza Novick. As personagens centrais são Florencia (Pilar Gamboa) e Romina (Dolores Fonzi, de Paulina), amigas de infância que se mantém próximas por toda a vida, apesar de algumas diferenças.

Trailer de O Futuro Adiante:


O filme alemão Os Invisíveis destaca mais uma história real relacionada aos judeus e à Segunda Guerra Mundial. Na Berlim de 1943, os nazistas supunham ter eliminado todos os judeus da cidade. Mas quatro deles vivem secretamente na capital alemã, disfarçando-se e tentando se tornar invisíveis aos oficiais nazistas. Uma suposta espiã pode acabar por revelá-los.

Trailer de Os Invisíveis:


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