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Bordado sobre porcelana: artistas visuais lançam o livro Bordaduras – Coisas de Alice no dia 27, em Curitiba



Giovana Casagrande e Leila Alberti contam em livro o processo do bordado sobre porcelana que culminou na exposição Coisas de Alice




   Após surpreender público e crítica em 2013, o projeto Bordaduras - Coisas de Alice, das artistas visuais Giovana Casagrande e Leila Alberti, apresenta um suporte diferente para o bordado, até então não utilizado na arte contemporânea. No próximo dia 27 de outubro acontece o lançamento do livro homônimo que leva a assinatura das artistas, com colaborações de Marília Diaz, Tânia Bloomfield, Celaine Refosco e Walter Guerreiro. A obra, que relata o processo de criação do bordado sobre porcelana, será lançada no Solar do Barão (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533), a partir das 15h do dia 27/10, em evento aberto ao público.   

Em 2013, a exposição Bordaduras – Coisas de Alice foi um sucesso de crítica e público ao inaugurar um formato inédito no universo das artes plásticas, utilizando como ponto de partida o universo da personagem Alice, de Lewis Carroll.  Juntas, Giovana e Leila criaram uma técnica inédita, a do bordado sobre porcelana, em um diálogo com dois suportes aparentemente distantes. Com a escolha e a desconstrução das técnicas do costurar, bordar, crochetar, tricotar e colar, as artistas abriram espaço para discutir a dicotomia entre arte e artesanato, e entre arte e produção industrial, trazendo à tona o movimento da arte têxtil.

“Nós valorizamos e acreditamos na relevância do movimento da arte têxtil dentro das artes plásticas. Historicamente, o uso dos tecidos, fios e linhas foi visto como uma arte menor, menos criativa, e a nossa proposta é mostrar a relevância da materialidade têxtil, que no exterior encontra há anos espaço em grandes galerias e museus”, conta Giovana. O rompimento da técnica é a característica do projeto desenvolvido pelas artistas, constituído pelo imaginário de Giovana e Leila. Giovana aposta na gestualidade, o acaso, no ponto mais apertado. Já Leila utiliza o ponto mais aberto, a frouxidão, com o protagonismo do desenho e da pintura. 

“Nas porcelanas que encapsulamos não há ponto cruz, varicor, ponto atrás, caseado, anchor mouline. Não há também entremeio e bainhas abertas. Lá estão os nós, os ziguezagues, as laçadas espontâneas, o preenchimento do espaço com a sobreposição dos pontos e o bordado repuxado, utilizando as cores como na pintura”, diz Leila. No evento de lançamento, o livro Bordaduras – Coisas de Alice será vendido por R$ 50 (valor promocional de lançamento) e algumas peças da exposição também estarão expostas e à venda.

Sobre Bordaduras - Coisas de Alice

O projeto Bordaduras – Coisas de Alice estreou no Museu Alfredo Andersen e na sequência, com a parceria de Cláudia Lara, foi um dos 25 trabalhos selecionados para o 66º Salão Paranaense, uma das mostras mais importantes do país. A inspiração veio do livro clássico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, um texto repleto de encantamento e fantasia, que há mais de 100 anos serve de inspiração para artistas de todos os segmentos. 

Durante 18 meses e 4 mil horas Giovana Casagrande e Leila Alberti  desenvolveram o projeto. Com experiências e exposições em outras cidades, encerram um ciclo de seis anos com o lançamento do livro sobre a exposição por meio da Lei do Mecenato – FCC e com o importante apoio da Opus Multipla e da Cartrom Embalagens.

O suporte escolhido foi a porcelana, com sua brancura asséptica, maculada pela profusão de cores dos fios de vários calibres. Com agulhas, bastidores, tesouras e fios, as artistas bordaram, tricotaram e crochetaram a porcelana, encapsulando os objetos que remetem ao universo de Alice, como bules, xícaras, vasos, bibelôs de gatos, coelhos, cachorros, corujas, elefantes, entre outros. 

Diferentemente do que ocorria no início do século passado, quando as mulheres cobriam utensílios e mobiliários com tecidos, os olhares interpretativos de Giovana e Leila as levaram a encapsular permitindo ainda sua visualização, desvelando partes da porcelana a partir do ponto aberto, das tessituras largas.

Com esse trabalho, a dupla criou novos sentidos para o bordado, ressignificando antigas manualidades dadas como femininas. Algumas obras receberam nomes alusivos ao universo de Carroll e também homenageiam grandes mulheres – outras “Alices” – como Sônia Delaunay, Efigênia Rolim, Marina Abramovic, Beatriz Milhazes e Lygia Clark. 

Instagram @curitibaemdestaque


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