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Raine Holtz traz música folclórica mediterrânea ao Paço da Liberdade



Pioneira no uso da viela de roda, a artista se apresenta gratuitamente no sábado, 20/10, às 17h

Quem gosta de música folclórica vai se emocionar com o show da cantora e compositora Raine Holtz, autodidata em diversos instrumentos musicais, entre eles a incomum viela de roda, que leva o público em uma viagem aos países do Mediterrâneo. O show acontece no Paço da Liberdade no sábado, 20/10 às 17h, e a entrada é gratuita.
Raine tece uma musicalidade excêntrica e bastante multifacetada, influenciada pelos mais distintos polos, como música clássica, folk tradicional europeu, oralidades brasileiras e música mediterrânea. A viela de roda, instrumento de origem medieval característico de Raine, permeia a maior parte de suas composições. Como uma musicista de saltimbancos, Raine tornou-se figura conhecida nos pontos turísticos de Curitiba.
A viela de roda
A viela de roda é um dos instrumentos musicais mais raros do mundo, contando com uma comunidade pequena, embora crescente no Brasil, sendo a artista uma das pioneiras em seu uso na atualidade nacional.
Originada provavelmente das vielas de arco europeias e do Oriente Médio, os primeiros registros da viela de roda datam do século IX, ilustrada nas iconografias das igrejas de Santiago da Compostela em sua forma mais primitiva, o organistrum, grande instrumento musical tocado por duas pessoas sentadas. Com o passar do tempo, ele foi adaptado para o uso de apenas um instrumentista, e se tornou popular objeto do tradicionalismo camponês europeu.
Comum na música tradicional de países como França, Espanha, Hungria e também na Galícia, teve seu auge definitivo no período Renascentista, quando foi tomada pela corte francesa, como um dos diversos símbolos do resgate bucólico estético em que viviam, e sofreu grandes alterações em sua construção para se tornar o que conhecemos e reproduzimos hoje. Durante a Revolução Francesa, a viela de roda quase encontrou seu fim e pouquíssimos registros permaneceram no país.  Atualmente, poucos e dedicados músicos espalhados pela Europa e Estados Unidos ainda recriam a viela de roda seguindo diversos moldes históricos e regionais, disponibilizando este curioso costume musical para músicos empenhados em pesquisas históricas e recriações medievais.
Sobre Raine Holtz
Raine Holtz é a idealizadora e compositora por trás do projeto Through Waves, criado em 2006 como uma ferramenta autoterapêutica como uma íntima documentação sobre a constante busca de autoconhecimento da artista. Cantora, vielista autodidata e artista de rua, ela aprendeu a tocar diversos instrumentos musicais para criar sua arte e fundou seu selo independente The Schooner Harbour aos 16 anos de idade em 2006. Estudante de ballet clássico, mãe de um cão Shiba Inu, Kitsu, ela transicionou aos 22 anos de idade e permanece a única mulher trans do país a tocar viela de roda.

Discografia

Eidolon é o quarto e último álbum lançado por Through Waves, através de um bem-sucedido financiamento coletivo em 2016.
Uma longa e curiosa história sobre uma mulher isolada do convívio de seu povoado por ser considerada uma aberração (uma alusão à "condição trans" da autora), Eidolon é a obra-prima do projeto musical de Raine. Despido dos excessos musicais presentes em Schadenfreude e Confluence: the Rivers of Sorrow e da contemplação abstrata de Santuário, o álbum é esculpido com muita atenção e cuidado, imerso em referências musicais folclóricas com sua roupagem primariamente acústica e direta.

Confluence: the Rivers of Sorrow é o terceiro álbum oficial do Through Waves, lançado em 2015 através de um bem-sucedido financiamento coletivo na internet.
A proposta musical iniciada em Santuário, de 2012 e refinada na sinfonia monstruosa de Schadenfreude de 2013 atinge seu ápice em Confluence: the Rivers of Sorrow. Aqui, Raine canta de modo objetivo e maduro com sua voz em transição, usando os mais diversos instrumentos acústicos e atmosferas eletrônicas. Um conto de um espírito que vem ao mundo desde seu nascimento até sua morte voluntária, Confluence é uma obra-prima de musicalidade e lirismo.

Schadenfruede é o segundo álbum oficial do Through Waves, lançado em 2013.
Expandindo a musicalidade folclórica de Santuário, o álbum que o precede, Schadenfreude é uma obra extensa, tendo suas 24 canções divididas em duas partes, ou tomos: o tomo I, My Embellished Scars e o tomo II, An Eerie Countenance. O álbum foi criado a partir das relações externas da vida da autora, em contrapartida de seu trabalho anterior, que trata de introspecção e evolução pessoal.

Santuário é o primeiro álbum oficial lançado pelo Through Waves, em 2012.
Uma profunda contemplação espiritual, Santuário é um lar para as dores do mundo, criado por Raine como um refúgio para sua preparação emocional e física, e subsequente transição de gênero. Com canções vivas e assombrosas, o álbum é repleto de influências folclóricas de diversas culturas do mundo, relidas com o uso de instrumentos acústicos e antigos e ambientações vindas dos confins do darkwave dos anos 80. Em um poderoso, mas delicado exorcismo, Raine canta em uma língua desconhecida, própria, um segredo que apenas a água conhece, e nos leva em uma viagem para além dos portões da carne, em busca das outras esferas.

Instagram @curitibaemdestaque


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