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Bohemian Rhapsody retrata a história de Freddie Mercury e o Queen. FILMES, por Rudney Flores

O show no evento beneficente Live Aid foi um dos pontos altos da trajetória do Queen.
Crédito da foto: Divulgação 20th Century Fox


Banda do primeiro escalão da história do rock, o Queen tem a história contada em Bohemian Rhapsody, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros. Morto em decorrência da aids há 27 anos, Freddie Mercury, líder e vocalista da banda, é o centro da produção assinada por Bryan Singer (da franquia X-Men), que foi demitido durante as filmagens – completadas por Dexter Fletcher (Voando Alto) – , mas como havia comandado mais de dois terços da produção, manteve seu nome nos créditos.

Mercury, nascido Farrokh Bulsara em Zanzibar, conjunto de ilhas da costa leste africana, é interpretado por Rami Malek (do seriado de tevê Mr. Robot), um trabalho que cresce durante a produção, chegando à perfeição de mimetização do astro no final do filme. Outros personagens importantes na história são os companheiros de banda – o guitarrista Brian May (Gwilym Lee), o baterista Roger Taylor (Ben Hardy) e o baixista John Deacon (Joseph Mazzello), cujos intérpretes impressionam pela semelhança física com os músicos reais – e Mary Austin (Lucy Boynton, do simpático e sensível Sing Street – Música e Sonho), primeira paixão do cantor.

Como toda cinebiografia que decide abarcar boa parte da vida de um personagem conhecido – e, apesar de falar do Queen, o filme é focado basicamente no vocalista –, Bohemian Rhapsody peca por ser muitas vezes superficial, passando rapidamente por episódios importantes da trajetória de Freddie Mercury, floreando algumas passagens mais conhecidas e não indo a fundo em outras mais pesadas envolvendo sua homossexualidade. Produtores executivos do longa, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor devem ter vetado polêmicas maiores, o que torna a produção quase chapa branca.

Também marca o filme a grande quantidade de erros de datas, talvez em favor da fluência do roteiro – dois exemplos são: o primeiro show do Queen no Brasil foi em São Paulo, no estádio do Morumbi, em 1981, quando o público surpreendeu a banda ao acompanhar em uníssono a canção “Love of My Life”, feita em homenagem a Mary Austin, mas foi retratado como sendo no Rio de Janeiro, no Rock in Rio, que só aconteceu em 1985; “We Will Rock You”, um dos grandes hits da banda, foi lançado em 1977, no álbum News Of the World, mas no filme foi criado no início dos anos 1980.

Mas acima de todos os defeitos está a sensacional música do Queen, presente em todo o filme e que deve fazer a plateia nas salas de cinema vibrar, em especial na ótima reconstituição da participação do grupo no Live Aid, importante evento musical beneficente realizado em 1985 em prol das pessoas que morriam de fome na África, principalmente na Etiópia. Praticamente separado na época e em um momento de baixo interesse do público, o grupo fez uma triunfal volta ao show bizz com uma impressionante e empolgante apresentação de 20 minutos, destacando hits como “Bohemian Rhapsody” e “We Are the Champions”. Os momentos musicais fazem valer o ingresso. Cotação: Bom.

Trailer de Bohemian Rhapsody:


Catarse violenta

O cinema brasileiro tem pouca tradição em filmes de ação, geralmente pelos altos custos de se realizar as cenas de grande porte que o gênero exige. Mas as formas de produção estão mais baratas e acessíveis e alguns diretores estão se arriscando mais na área no país. É o caso do diretor Gustavo Bonafé, que lança esta semana O Doutrinador, filme baseado na história em quadrinhos homônima criada pelo artista Leonardo Cunha.

A trama fala do policial Miguel (Kiko Pissolato), que trabalha em uma divisão especial – um híbrido de Polícia Federal e Bope –, que investiga crimes de corrupção O grupo prende um governador de estado, acusado de desviar milhões em recursos da área da saúde, mas ele consegue se livrar impunemente.

Quando Miguel vê sua pequena filha levar uma bala perdida e morrer após não ser devidamente atendida em um hospital público, ele decide matar todos os políticos corruptos que levaram a tal situação. Usando com disfarce uma máscara para se proteger de gases tóxicos, ele vira o Doutrinador, personagem que lembra o Justiceiro, da Marvel, ou mesmo Jack Bauer da série 24 Horas, agindo de forma quase solitária na missão de eliminar quem julga seu inimigo.

Bonafé, que também está em cartaz com Legalize Já – Amizade Nunca Morre, cinebiografia da banda Planet Hemp, comanda uma produção muito bem realizada em sua parte técnica, apresentando ótimas e tensas cenas de ação, similares ao que se vê no gênero no cinema internacional. Pissolato dispensou dublês em boa parte do filme e se destaca muito nas sequências de lutas e tiros.

Mas o roteiro é raso, sem qualquer discussão ou reflexão sobre os atos cometidos pelo protagonista, com o filme servindo apenas como uma catarse a quem, principalmente, acha que tudo se resolve com violência e mortes. É interessante lembrar que em nenhum momento da produção o personagem central é glorificado. E, em muitos momentos, ele acaba sendo até manipulado e usado por quem detém o poder na trama, que também não destaca semelhanças com personagens da vida real.

O cinema de ação muitas vezes serve mesmo a esse tipo de experiência catártica, mas no momento atual do Brasil, com ânimos exaltados e grande polarização, vale a reflexão se parte do público terá discernimento na avaliação do filme apenas como obra de ficção. O lançamento de O Doutrinador foi adiado em dois meses, evitando o período eleitoral, para não suscitar maiores discussões ou mesmo causar algum tipo de interferência. Já está previsto o lançamento de uma série com o personagem no canal pago Space, em 2019. Cotação: Bom.
Trailer de O Doutrinador:


Novo von Trier

Seguindo novamente a trilha da violência, Lars von Trier, um dos diretores mais polêmicos da história do cinema, destaca em seu novo filme, A Casa Que Jack Construiu, a trajetória de um serial killer, vivido por Matt Dillon (Crash – No Limite).

Jack há anos mata quem deseja, mas seus impressionantes crimes – que incluem mutilação e tortura – nunca foram punidos. Ele conta sua história ao sábio Virgilio (Bruno Ganz, de A Queda! As Últimas Horas de Hitler), numa espécie de descida rumo ao inferno. O elenco ainda conta com Uma Thurman (de Kill Bill). O filme estreia apenas no Espaço Itaú e no Cineplex Batel.

Trailer de A Casa Que Jack Construiu:


Outras estreias

Uma das histórias mais adaptadas nas artes, O Quebra-Nozes chega outra vez às telas pelos estúdios Disney em O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, com direção de Lasse Hallström (Regras da Vida) e Joe Johnston (Capitão América – O Primeiro Vingador).

Na trama, a jovem Clara (Mackenzie Foy, de Interestelar) recebe uma chave mágica do padrinho Drosselmeyer (Morgan Freeman, Oscar de ator coadjuvante por Menina de Ouro). Mas ela perde o objeto e viaja pelos reinos do titulo – dos Doces, das Neves, das Flores e o sinistro Quarto Reino – para resgatá-lo. O elenco destaca ainda a oscarizada Helen Mirren (A Rainha) e Keira Knightely (Mesmo se Nada Der Certo).

Trailer de O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos:


Marcado para sempre pelo personagem Mr. Bean, o ator inglês Rowan Atkinson estrela Johnny English 3.0, novo filme da franquia de comédia que apresenta um amalucado agente secreto e emula outra franquia de sucesso gênero, A Pantera Cor-de-Rosa, com Peter Sellers e seu inesquecível inspetor Clouseau.

English está aposentado, mas retorna à ativa para enfrentar um hacker que expôs todos os agentes britânicos, após um ataque cibernético. As confusões do personagem se repetem, com destaque para uma divertida cena de realismo virtual.

Trailer de Johnny English 3.0:


Um dos maiores nomes da música brasileira, Elza Soares lançou nos últimos anos dois dos melhores discos de sua extensa carreira – A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus É Mulher (2018) –, ambos em parceria com novos nomes da cena pop/rock nacional, trabalhos muito elogiados pela crítica e que a trouxeram novamente para os holofotes.

No documentário My Name is Now, Elza Soares, a diretora Elizabete Martins Campos fala sobre a vida e a arte da sensacional cantora através de entrevistas realizadas em diversas épocas. A produção estreia apenas no Espaço Itaú.

Trailer de My Name is Now, Elza Soares:


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