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Sucesso nos palcos, trajetória de Chacrinha também chega às telas. FILMES, por Rudney Flores

Eduardo Sterblitch e Stepan Nercessian interpretam o Velho Guerreiro no filme de Andrucha Waddington.
Crédito da foto: Suzanna Tierrie/Divulgação


Dois filmes brasileiros são destaque na programação da semana nos cinemas de Curitiba. Um dos maiores comunicadores do Brasil é o tema de Chacrinha – O Velho Guerreiro, novo filme de Andrucha Waddington (Eu Tu Eles). Baseado no musical de sucesso nos palcos cariocas em 2014 e 2015, a produção conta a trajetória do pernambucano Abelardo Barbosa, que nos anos 1940 chegou ao Rio de Janeiro para se tornar um verdadeiro sucesso no rádio e na televisão brasileira.

A primeira metade do filme investe na comédia e apresenta um divertidíssimo Eduardo Sterblitch (Os Penetras) dando vida às aventuras iniciais de Barbosa no rádio, a invenção da persona Chacrinha e do bordão “Terezinha. Uhuh”, além da hilária razão de o apresentador se fantasiar com fraldas algumas vezes. Numa boa reconstituição histórica, Waddington recria os programas de auditório no rádio e nos primórdios na tevê.

Corta para os anos 1960 e 1970, quando Chacrinha é sucesso absoluto na televisão. Stepan Nercessian assume o personagem que já havia vivido nos palcos. Essa segunda metade do filme tem apelo mais dramático, destacando um lado mais amargurado da vida do conhecido Velho Guerreiro, seus problemas familiares – se dedicava tanto ao trabalho que mal viu os filhos crescerem; a traição da esposa com a cantora Clara Nunes (vivida pela cantora Laila Garin) – e também seu lado mais irascível.

Barbosa era pessoa complexa e não muito amigável no trato pessoal e também em frente às câmeras. Parte dessa personalidade está no filme, mas sem pesar muito a mão – apesar de ter lançado alguns nomes na música brasileira em seu programa, o Chacrinha não se furtava de praticamente humilhar seus calouros e de lucrar com os músicos novos nas caravanas de apresentações que armava no subúrbio do Rio de Janeiro e no interior do país, como mostra o documentário Alô, Alô, Terezinha!, de Nelson Hoineff.

Na tela, estão retratadas as chacretes, como Rita Cadillac (Karen Junkeira), a eterna jurada Elke Maravilha (Gianne Albertoni), o poderoso Boni (Thelmo Fernandes), diretor de programação da Globo. Mas, assim como em Bingo – O Rei das Manhãs, Waddington poderia ter apresentado mais os incríveis bastidores do fazer televisivo no Brasil nos anos 1970 e 1980, a bagunça generalizada que Chacrinha promovia em seus programas – muitas coisas que seriam impensáveis nos dias incrivelmente mais conservadores de hoje. No geral, o destaque do filme fica mesmo com Nercessian e sua incorporação impressionante do personagem, tornando-se verdadeiramente o grande papel de sua vida artística. Cotação: Bom.

Trailer de Chacrinha – O Velho Guerreiro:


Protagonistas da nova novela global das 21 horas, Marina Ruy Barbosa e Bruno Gagliasso também formam par no cinema em Todas as Canções de Amor, primeira longa-metragem de ficção da diretora Joana Mariani.

O inventivo roteiro apresenta a história de dois casais que vivem em época diferentes em um mesmo apartamento em São Paulo. Ana (Barbosa) e Chico (Gagliasso) são recém-casados no dias atuais, que estão estão arrumando sua nova morada quando acham um antigo aparelho de som 3 em 1, com uma fita cassete dentro. Nela, estão canções que uma mulher chama Clarisse (Luiza Mariani, de Se Nada Mais Der Certo) gravou cerca de 20 anos antes para o marido Daniel (Julio Andrade, de Paraíso Perdido), preparando-o para a iminente separação.

São intercaladas cenas dos dois relacionamentos, um iniciante e outro em sua fase final, com bons diálogos e interpretações, principalmente de Luiza Mariani e Andrade, que recebem uma história muita mais interessante para atuar, com uma forte carga dramática – a atriz aproveita bem a chance e tem talvez a melhor interpretação de sua carreira, recheada de coadjuvantes; já Andrade destaca a tradicional competência de um dos melhores atores de sua geração. Marina e Bruno defendem bem seus papéis, mas só ganham mais destaque dramático no final da produção.

A ótima trilha sonora é o centro das atenções de Todas as Canções de Amor. Para facilitar a identificação, a fita da personagem Clarisse traz canções conhecidas e populares: as clássicas “Eu Sei Que Vou te Amar”, de Tom e Vinicius, na voz de Maria Gadú, responsável pela seleção musical da produção, “Acontece”, de Cartola, e “Baby”, de Caetano Veloso, na voz de Gal Costa; os sucessos “Você Não Soube me Amar”, da banda Blitz, “Codinome Beija-Flor”, de Cazuza, e “Drão”, de Gilberto Gil (que faz participação no filme); e até “Não Aprendi Dizer Adeus”, de Joel Marques, sucesso de Leandro & Leonardo, e “Chorando se Foi”, lambada da banda Kaoma, entre outras músicas. De nova, apenas a pérola “Volta”, d'O Terno, que não está na fita, mas toca em uma cena de restaurante.

O trabalho de Joana Mariani é mais um filme interessante da ótima safra 2018 do cinema brasileiro, que resgatou uma diversidade há algum tempo perdida no investimento apenas em comédias televisivas – estas ainda dominam as telas, mas pelo menos o ano mostrou que há um grande cinema nacional para quem se aventurar a procurar algo diferente. Cotação: Bom.

Trailer de Todas as Canções de Amor:


A volta de Lisbeth

Famosa por interpretar a jovem rainha inglesa Elizabeth na série televisiva The Crow, Claire Foy começa a diversificar a carreira para não ficar marcada apenas por um papel no audiovisual. Depois de viver a esposa do astronauta Neil Armstrong em O Primeiro Homem (ainda em cartaz nos cinemas brasileiros), a atriz inglesa estrela Millennium – A Garota na Teia de Aranha, novo filme baseado nos personagens criados pelo escritor sueco Stieg Larsson, morto em 2004, antes de ver sua obra ser um sucesso mundial.

A produção é focada no livro homônimo escrito em 2015 por David Lagercrantz, quarto capítulo da série Millennium, que dá sequência a Os Homens Que Não Amavam as MulheresA Menina Que Brincava com FogoA Rainha do Castelo de Ar. As três obras iniciais foram adaptadas em filmes suecos que lançaram a atriz Noomi Rapace (Prometheus) como Salander; e Os Homens... foi adaptado em Hollywood por David Fincher (Clube da Luta), com Daniel Craig (da franquia 007) como o escritor Mikael Blomkvist e Rooney Mara recebendo uma indicação ao Oscar pelo papel da protagonista hacker.

Mas uma indicação da Academia pela personagem da heroína não deve estar no horizonte de Claire Foy. Não que esteja mal como Salander, mas a britânica não consegue se destacar muito em uma produção genérica e derivativa de filmes ou séries de ação recentes. Como já havia acontecido nas segunda e terceira partes de Millenium, na quarta história, Lisbeth é segue cada vez mais poderosa e invencível. Ela surge como uma protetora e vingadora de mulheres brutalmente abusadas por homens, mas acaba se envolvendo em uma trama de espionagem internacional, uma disputa por um arma secreta.

O filme comandado por Fede Alvarez (O Homem das Trevas) destaca as tradicionais explosões e perseguições do gênero, e coloca o jornalista Blomkvist (Sverrir Gudnason, do ótimo Borg vs. McEnroe) como um mero coadjuvante, dando mais destaque à vilã Camila (Sylvia Hoeks, de Blade Runner 2049), irmã de Lisbeth. Cotação: Regular.

Trailer de Millennium – A Garota na Teia de Aranha:


Outras estreias

Personagem tradicional da literatura infantil americana criado pelo Dr. Seuss, o Grinch, ser verde que detesta o Natal e faz de tudo para acabar com a festa de quem se interessa pela tradicional festa de fim de ano, chega novamente às telas, dessa vez em um filme de animação.

Na nova produção, o Grinch tenta impedir que os habitantes de Quemlândia celebrem o Natal. Para isso, invade casas e rouba tudo relacionado às festas. O personagem é dublado por Benedict Cumberbatch (O Dr. Estranho dos filmes da Marvel e o Sherlock Holmes do seriado da tevê) no original e por Lázaro Ramos (Cidade Baixa) na versão dublada brasileira.

Trailer de O Grinch:


Um dos principais produtores e diretores de Hollywood da atualidade, responsável pelo reboot das franquias Star Trek e Star Wars, J.J. Abrams também se volta para projetos menores e diversificados. Depois da série de filmes Cloverfield, Abrams produz Operação Overload, misto de ação e terror, produção comandada pelo diretor Julius Avery.

A história fala de um grupo de paraquedistas norte-americanos durante a 2ª Guerra Mundial. Em missão na Europa, eles acabam se deparando com um estranho e assustador projeto desenvolvido pelos nazistas para criar supersoldados.
Trailer de Operação Overlord:

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