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Green Book – O Guia e A Favorita se destacam pelos elencos. FILMES, por Rudney Flores

Viggo Mortensen e Mahershala Ali receberam indicações ao Oscar por Green Book – O Guia.
Crédito da foto: Patti Perret/Universal Studios.


Dois dos filmes indicados ao Oscar de melhor filme de 2019 são destaques na programação da semana em Curitiba. O filme de estrada Green Book – O Guia tem a direção de Peter Farrelly, que pela primeira vez aparece no comando de uma produção mais séria após se consagrar no mundo da comédia ao lado do irmão Bobby Farrelly em filmes como Quem Vai Ficar Com Mary? e Débi & Lóide.

Inspirado em fatos reais, Green Book apresenta a história de Tony Lip (Viggo Mortensen, da trilogia O Senhor dos Anéis), um brutamontes de origem italiana que, no início dos anos 1960, é contratado para acompanhar o pianista Dr. Don Shirley (Mahershala Ali, de Moonlight – Sob a Luz do Luar) em uma turnê pelo sul dos Estados Unidos. Tony será motorista e uma espécie de guarda-costas do músico negro em uma região com costumes racistas arraigados – e por isso deve seguir o tal livro verde do título, que indicava os hotéis e restaurantes que os negros poderiam frequentar nas áreas sulistas, na época retratada.

Farrelly, ao lado de Nick Vallelonga (filho de Tony na vida real) e Brian Hayes Currie, escreve um roteiro bem esquematizado, com elementos certeiros para cativar o público, uma trama já vista em outros filmes do gênero: duas pessoas completamente opostas, vindas de mundos diferentes, vão passar um tempo juntas e cada um delas irá contribuir para mudar um pouco a outra, trocando diversas experiências de vida e sabedoria.

Mas, mesmo sendo previsível, o que se vê na tela é uma divertida e comovente história, que ganha força principalmente pela atuação de seus protagonistas, ambos indicados ao Oscar deste ano – Mortensen como ator principal e Ali como coadjuvante. O desempenho de Viggo como Tony é mais físico, calcado no aumento de peso para viver o papel e também nas expansividade do personagem, um falador inveterado (por isso o Lip do apelido), violento se necessário, mas de bom coração, que sente falta da mulher e dos filhos na estrada.

Já Mahershala tem um trabalho mais elaborado e contundente para dar vida ao introspectivo Shirley. Altamente culto, músico virtuoso, secretamente gay, ele não encontra lugar entre a comunidade negra e nem entre aqueles que o contratam para ouvi-lo – estes o obrigam a usar o banheiro de fora da casa e não querem dividir a mesa com ele. Cada diálogo entre os dois grandes atores emociona e diverte muito o público.

O filme já sofreu alguns questionamentos sobre a veracidade da amizade da dupla retratada, o que pode ter levado Farrelly a não receber uma até merecida indicação ao Oscar. No total, Green Book – O Guia recebeu cinco indicações da Academia: melhor filme, ator, ator coadjuvante, roteiro original e edição. Cotação: Ótimo.

Trailer de Green Book – O Guia:


Outra produção que se destaca pelo trabalho do elenco e que estreia esta semana é A Favorita, do grego Yórgos Lánthimos, que recebeu dez indicações ao Oscar: melhor filme, direção, atriz principal (Olivia Colman), atriz coadjuvante (Emma Stone e Rachel Weisz), roteiro original, edição, direção de arte, fotografia e figurino.

O filme faz um recorte de um período da vida da rainha Anne (Colman), que comandou a Inglaterra no início do século 18 e foi a responsável por unir o país com a Escócia, criando a Grã-Bretanha, da qual foi a primeira monarca. Anne tem muito apreço por Sarah Churchill, a duquesa de Marlborough (Weisz), sua confidente e amante, e a pessoa realmente responsável pelo comando político do país, pois a rainha só faz o que ela aconselha. Prima distante da duquesa, a jovem Abigail (Stone) chega à corte procurando emprego e se torna serviçal do palácio. Com muita esperteza, ela vai ganhando a confiança da rainha e, aos poucos, passa a ameaçar Sarah no posto de favorita, principalmente na cama de Anne.

Responsável por filmes enigmáticos recentes – O Lagosta e O Sacrifício do Cervo Sagrado –, Lánthimos conduz A Favorita em tom de sátira e farsa, através do bom roteiro de Deborah Davis e Tony McNamara. As tramas políticas estão presentes no enredo, mas o foco mesmo são as artimanhas das duas opositoras pela atenção da rainha. Espaço para um show de atuação do trio principal, com destaque para Emma Stone. Cada vez mais segura, ela domina boa parte do filme com a personagem mais interessante, a moça de boa criação cuja família caiu em desgraça. Aparentemente frágil, ela aprende rápido a manipular para sobreviver.

A Favorita também mostra uma parte técnica impecável, com a tradicional competência e qualidade que se espera das adaptações de histórias de época, com detalhados cenários e figurinos, apresentados muitas vezes em inusitados planos-sequências. Cotação: Bom.

Trailer de A Favorita:


Creed e Rocky

Uma das séries mais icônicas do cinema, a trajetória de Rocky Balboa foi finalizada com um belo filme homônimo em 2006, dirigido por Sylvester Stallone. O lutador foi resgatado em 2015 pela mãos de Ryan Coogler em Creed – Nascido para Lutar, que apresentou um novo personagem, Adonis, filho de Apolo Creed, o melhor amigo de Rocky. A história, que emprestava elementos de Rocky – Um Lutador (1976), recebe agora uma sequência, Creed II, que também apresenta elementos de outros filmes da saga do boxeador da Filadélfia.

Na nova produção, Adonis (Michael B. Jordan) está prestes a se tornar o campeão mundial dos pesos-pesados do boxe. Sua conquista faz aparecer das cinzas um nome que aterrorizou sua família: Drago. Há mais de 30 anos, em Rocky IV, o boxeador russo Ivan Drago (Dolph Lundgren) matou no ringue Apolo Creed. Mas Rocky o derrotou e ele passou as décadas seguintes exilado na Ucrânia, desprezado pela mãe Rússia, abandonado pela mulher Ludmilla (Brigitte Nielsen) e treinando sozinho o filho Viktor (o lutador romeno Florian Munteanu) para ser sua redenção. Com a ajuda de um empresário americano, os Drago desafiam Adonis para um confronto, combate que não conta com o apoio de Rocky.

Reassumindo o papel de roteirista dos personagens que criou – o primeiro Creed teve texto de Ryan Coogler, que cedeu a direção da segunda parte para o novato Steven Caple Jr. e atua apenas como produtor, já que assumiu novos desafios no cinema com Pantera Negra, da Marvel, primeira produção de super-herói de HQs a ser indicado ao Oscar de melhor filme –, Stallone dá novamente um tom muito familiar e sentimental à história, o que sempre foi destaque nos melhores filmes da franquia, Rocky – Um LutadorRocky II – A Revanche e Rocky Balboa.

Além das lutas, muito da trama é focada nas relações entre pais e filhos: Rocky com Adonis e também com seu filho verdadeiro, Robert (Milo Ventimiglia), Ivan e Vickor, e Adonis com a filha recém-nascida que tem com Bianca (Tessa Thompson). Quem acompanha a saga de Rocky há anos perceberá em vários momentos pontos equivalentes com outros filmes da franquia – como o treinamento de Adonis no deserto, que lembra o isolamento no frio russo de Balboa em Rocky IV –, o que facilita a identificação do público com a nova franquia. Caple Jr. não se arrisca muito e apresenta uma direção correta, e as boas atuações e o clima contagiante de combate vão agradar quem aprecia o gênero. Cotação: Bom.

Trailer de Creed II:


Nacional

A youtuber curitibana Kéfera Buchmann segue investindo na carreira nas telas com Eu Sou Mais Eu, nova comédia do diretor Pedro Amorim (Divórcio). Na história, Kéfera é Camila Mendes, uma cantora pop arrogante, de muito sucesso, que ignora o bullying que sofreu na adolescência.

Em um momento mágico, ela volta ao passado e é obrigada a reviver os momentos nada agradáveis na escola. Mas com a ajuda do amigo Cabeça (João Cortês, de Talvez uma História de Amor), talvez consiga mudar um pouco sua história.

Trailer de Eu Sou Mais Eu:


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Instagram @curitibaemdestaque


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