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Diretor Jordan Peele confirma ascensão no cinema com Nós. FILMES, por Rudney Flores

A personagem de Lupita Nyong'o tenta proteger o filhos de seres violentos em Nós.
Crédito da foto: Claudette Barius/Universal Pictures


Após o sucesso surpresa de Corra!, filme de suspense de baixo orçamento de 2017 que conquistou público e crítica, incluindo também um Oscar de melhor roteiro original, as expectativas eram muito grandes para um novo trabalho de Jordan Peele. E o ator, diretor e roteirista norte-americano responde positivamente a toda agitação gerada ao seu redor com o lançamento mundial esta semana de Nós, filme de terror que traz questões que vão muito além de seu gênero cinematográfico.

Após sofrer uma trauma na infância nos anos 1980, descrito na abertura do filme, Adelaide Wilson (Lupita Nyong'o, Oscar de atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão) seguiu seu rumo e casou-se com Gabe (Winston Duke, de Pantera Negra), com quem teve dois filhos – a menina Zora (Shahadi Wright Joseph) e o garoto Jason (Evan Alex).

Após alguns anos, nos dias de hoje, a família vai passar as férias justamente na região praieira em que Adelaide teve problemas quando criança, o que traz lembranças e coincidências perturbantes para ela. Após um dia na praia com uma família esnobe vizinha – formada pelo casal Kitty (Elisabeth Moss, da premiada série The Handmaid's Tale) e Josh Tyler (Tim Heidecker) e as filhas adolescentes gêmeas –, os Wilson têm uma surpresa ao chegar em casa à noite. Uma família os espera na porta da frente e acaba entrando à força na residência.

A surpresa é que os invasores são seus verdadeiros clones do mal, vestidos de vermelho. A intenção é matar todos e tomar seus lugares, como define a matriarca, identificada como Red. Mas o fenômeno das cópias do mal também acontece com os Tyler e com boa parte dos americanos, como registram rapidamente os canais de tevê. O terror real ganha a tela, assim como o humor desconcertante em vários momentos.

Peele abre um verdadeiro leque de interpretações e metáforas, difíceis de se decifrar totalmente vendo-se o filme apenas uma vez. A citação ao trecho bíblico de Jeremias 11:11 – “Portanto assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei” – dá significado inicial direto à trama, mas ela engloba muito mais.

A história reflete o momento atual da sociedade norte-americana – em sua primeira fala, Red revela: “somos americanos” – e de boa parte do mundo, com as tensões e ódios cada vez mais acirrados, a violência crescente, as diferenças sociais e econômicas. Reflete também o sentimento de muitas pessoas de apontarem sempre os problemas dos outros e não olharem para si mesmas, para seus próprios defeitos e pecados. Com s, o diretor confirma Corra! não foi apenas um acerto genial de um iniciante, e a expectativa cresce ainda mais para seus próximos trabalhos. Cotação: Ótimo.

Trailer de Nós:


Comédia x drama

Mesmo levando milhões de pessoas aos cinemas e alcançando grandes índices de audiência na televisão, a comédia nem sempre tem o respeito que merece no meio artístico. Não são raros os atores famosos por fazer as pessoas rirem tentarem se dedicar a projetos ditos mais sérios para conseguirem mais respaldo na carreira.

Tom Hanks teve sua primeira indicação ao Oscar pelo ótimo Big – Quero Ser Grande, num raro reconhecimento da Academia a um papel cômico, mas só ganhou o verdadeiro respeito na carreira após receber a estatueta dourada pelo drama Filadélfia. Jim Carrey também enveredou para o drama e comprovou ser o excelente ator que já era em comédia em filmes de mais peso como O Show de TrumanO Mundo de Andy e o sensacional Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.

Essa busca por reconhecimento do ator de comédia é tema de Chorar de Rir, novo filme estrelado por Leandro Hassum, atualmente o principal ator brasileiro de produções de humor na tela grande. Ele vive Nilo Perequê, o maior nome da comédia no Brasil com seu programa de tevê Chorar de Rir. Quando é premiado como comediante do ano, ele decide que irá mudar os rumos de sua carreira. Contrariando a família e o empresário, Nilo decide interpretar no teatro Hamlet, a obra mais conhecida de Shakespeare. Mas as coisas acabam não saindo como deseja.

O filme dirigido por Toniko Melo (VIPs) até tem bons momentos e um ótimo elenco no qual se destacam Otávio Müller, como o cunhado e empresário picareta, Jandira Ferrari e Perfeito Fortuna como os pais do comediante, além de Rafael Portugal (do grupo Porta dos Fundos) como seu principal rival.

O roteiro de José Roberto Torero apresenta algumas sacadas certeiras, como colocar Hassum, hoje magro, para falar da preferência do público pelos atores gordinhos na comédia – uma ironia ao fato de que teria perdido a graça depois de emagrecer. Mas apesar do bom começo, parece que faltou coragem para a produção em investir em algo mais sério e que gerasse até um discussão sobre o tema comédia versus drama.

Afinal, as pessoas foram ao cinema para rir com Hassum e assim a trama se perde com uma inserção de uma história de maldição boba que impede Nilo de ser um ator mais sério. Seguem-se algumas palhaçadas sem muita graça para agradar a audiência e um final conciliador. Uma boa oportunidade perdida de se fazer um filme realmente memorável.Cotação: Regular.

Trailer de Chorar de Rir:


Outras estreias

A temática das drogas está no foco de duas produções que chegaram ao Brasil neste início de ano. Ambas estiveram cotadas às principais premiações do cinema mundial, mas acabaram perdendo terreno, não recebendo muitas indicações importantes. Assim como Querido Menino, filme que esteve em cartaz no Brasil há algumas semanas, O Retorno de Ben, que estreia esta semana, também apresenta um drama familiar no qual pais tentam resolver os problemas de um filho viciado.

No filme dirigido por Peter Hedges (da boa comédia Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada), a estrela hollywoodiana Julia Roberts vive Holly, que vê Ben (Lucas Hedges, indicado ao Oscar de coadjuvante por Manchester à Beira-Mar e filho do diretor), seu primogênito, voltar para casa no Natal, após um tempo de internação.

Há desconfianças de toda a família sobre as reais condições do rapaz e logo Holly percebe que Ben continua com muitos problemas, incluindo dívidas com traficantes. Ela fará de tudo para ajudá-lo, mas isto poderá complicar ainda mais sua relação com o atual marido e seus outros filhos. O filme está em cartaz no Espaço Itaú, Cineplex Batel e Cinépolis Pátio Batel.

Trailer de O Retorno de Ben:


Outra atriz oscarizada comanda o elenco do drama Um Ato de Esperança, novo trabalho do diretor inglês Richard Eyer (Notas Sobre um Escândalo). Emma Thompson (Retorno a Howards End) vive a juíza Fiona Maye, que passa boa parte do tempo de sua vida se dedicando ao trabalho na corte. Por conta dessa dedicação, ela começa a ter sérios problemas de relacionamento com o marido Jack – o sempre ótimo Stanley Tucci, coadjuvante de luxo de diversas produções da indústria hollywoodiana.

Ela se afasta ainda mais do parceiro quando se dedica profundamente a mais em um caso, o processo de Adam (Fionn Whitehead, de Dunkirk), um rapaz à beira da morte que não aceita receber a transfusão de sangue que pode lhe salvar por motivos religiosos. A produção estreia no Cineplex Batel e no Espaço Itaú.

Trailer de Um Ato de Esperança:


A comédia Um Banho de Vida, do diretor Gilles Lellouche (Assim É a Vida), apresenta um elenco de rostos conhecidos do cinema francês. Mathieu Almaric (O Escafandro e a Borboleta) é o nome de mais destaque vivendo Bertrand, que passa por momentos difíceis, assim como vários amigos que frequentam a piscina municipal do bairro onde vive.

O grupo se reúne em torno de Delphine (Virginie Efira, de Elle), uma ex-atleta e ex-alcoólatra, que os prepara para uma inusitada participação em uma competição de nado sincronizado, algo que poderá dar sentido à vida de todos. O filme está sendo lançado no Espaço Itaú.

Trailer de Um Banho de Vida:


O drama romântico A Cinco Passos de Você, do diretor estreante Justin Baldoni, destaca personagens centrais que sofrem de fibrose cística. Stella (Haley Lu Richardson, dos ótimos Fragmentado e Columbus) e Will (Cole Sprouse, da série Rivardale) se conhecem durante seus respectivos tratamentos e não poderiam se mais diferentes – ela, centrada em tudo o que faz; e ele sempre descuidando dos estudos e do que pode prolongar sua vida.

Os jovens não podem ser aproximar fisicamente por causa das possibilidades de infecção, mas mesmo assim começam um relacionamento que irá além da amizade e de sua doença.


Nacionais

A sessão Projeta às 7 da rede Cinemark destaca esta semana Alaska, primeiro longa-metragem do diretor Pedro Novaes. A produção fala do reencontro do casal Ana (Bella Carrijo) e Fernando (Rafael Sieg, de A Última Estrada da Praia), que depois de anos separados decidem viajar juntos para a Chapada dos Viadeiros, em Goiás, onde ele irá resolver um problema familiar. Durante o percurso, eles reveem sua relação e buscam uma segunda chance para a paixão. O filme está em cartaz no Cinemak Mueller.

Trailer de Alaska:


O documentário angolano-brasileiro As Cores da Serpente, do também estreante Juca Badaró, apresenta um registro sobre o Coletivo Murais da Leba, que realizou recentemente a maior intervenção de grafite na África. O trabalho foi organizado na região da Serra da Leba, em Angola, que tem uma história de conflitos armados. O diretor busca nos entrevistados a motivação para participar da grande obra artística.

Trailer de As Cores da Serpente:

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