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O polonês Guerra Fria retrata uma melancólica relação amorosa. FILMES, por Rudney Flores

Tomasz Kot e Joanna Kulig estrelam filme de Pawel Pawlikowski, indicado a três Oscars.
Crédito da foto: Divulgação


Mais duas produções com indicações ao Oscar estreiam esta semana na programação de cinema de Curitiba. A principal é Guerra Fria, filme do polonês Pawel Pawlikowski, que concorre nas categorias melhor diretor, fotografia e filme estrangeiro.

Pawlikowski repete em Guerra Fria o preto e branco de Ida, obra que lhe valeu o Oscar de filme estrangeiro em 2015. A diferença é a opção pela janela 4:3 (como era a televisão antigamente, antes das telas de led) ao invés do tradicional formato 16:9 do cinema. A experiência também foi realizada recentemente no Brasil no inquietante O Homem das Multidões (2013), de Marcelo Coelho e Cao Guimarães.

Mas a escolha causa pouco estranhamento, pois reforça ainda mais o foco na dupla de protagonistas centrais – o maestro e pianista Wiktor (Tomasz Kot) e a cantora Zula (Joanna Kulig, de Agnus Dei); o filme brasileiro, por exemplo, incomoda intencionalmente ao apresentar personagens que escapam quase o tempo todo da frente da câmera.

Ambientada do fim dos anos 1940 até o início dos anos 1960, a história fala do casal que se conhece no interior da Polônia pós-Segunda Guerra Mundial. Wiktor e amiga Irena (Agata Kulesza, de Ida) buscam talentos para formar um grupo que preserve as tradições musicais e culturais do país, a pedido do governo comunista. Wiktor se interessa pela inquieta Zula e logo engatam um romance.

O músico decide imigrar para a França e começa uma tumultuada relação de idas e vindas com Zula, que prefere inicialmente ficar no país natal. O tom é melancólico, triste de verdade em diversos momentos, com as escolhas erradas dos personagens, aliadas aos difíceis momentos políticos do período retratado.

A beleza da produção está na sensacional fotografia de Lukasz Zal (IdaCom Amor, Van Gogh) e nos ótimos momentos musicais que reúnem canções das tradicionais apresentações polonesas e o jazz dos clubes onde Wiktor se apresenta. O filme estreia apenas no Espaço Itaú. Cotação: Ótimo.

Trailer de Guerra Fria:


Van Gogh

Um dos maiores artistas da história, o pintor holandês Vincent Van Gogh é tema de mais uma cinebiografia com No Portal da Eternidade, do diretor e também artista plástico Julian Schnabel, que conquistou plateias com o tocante e inventivo O Escafandro e a Borboleta (2008).

A produção foca nos últimos anos de vida de Van Gogh – vivido por William Dafoe, em mais uma grande interpretação na carreira, premiada com um nova indicação ao Oscar de melhor ator, a única do filme na premiação deste ano. Cansado da vida em Paris, que não lhe traz mais inspiração, o artista ruma para o sul do país, após conselho do contemporâneo Paul Gauguin (Oscar Isaac, da nova trilogia Star Wars), no final do século 19.

Ele passa os dias a interagir com a natureza dos campos da pequena cidade de Arles, que revigoram sua arte. Mas se mantém com uma pessoa arredia, que não desperta a simpatia de quem convive com ele. Ele só encontra abrigo no irmão Theo (Rupert Friend) e tem seus momentos turvos, de loucura, que o levam às conhecidas internações em hospícios.

Schabel impõe um ritmo lento a boa parte do filme, investindo na contemplação da obra do artista e em interessantes pensamentos filosóficos do personagem sobre o próprio trabalho, a importância dele, e a essência da vida. A câmera é muitas vezes nervosa, colada aos atores, como que para representar o vigor de pinceladas de Van Gogh – em certo momento, Gauguin se refere ao estilo do amigo como se ele estivesse escupindo a tela, não pintando.

Mais um belo trabalho do cineasta, que ainda destaca as participações especiais de Emmanuelle Seigner (Lua de Fel), Mathieu Amalric (O Escafandro e a Borboleta) e Mads Mikkelsen (A Caça). O filme tem sessões no Cinesystem Curitiba, Cinépolis Pátio Batel e Espaço Itaú. Cotação: Ótimo.

Trailer de No Portal da Eternidade:


Ideias recicladas

Chacrinha, o Velho Guerreiro, já dizia, “na televisão, nada se cria, todo se copia”. A máxima também vale para o cinema, que em muitos momentos recicla ideias na falta de algo mais original. É o caso de Escape Room, filme de suspense e terror que tem estreia nacional esta semana.

A produção dirigida por Adam Robitel (Sobrenatural – A Última Chave) lembra muito os filmes da franquia Jogos Mortais – mas sem a violência sádica e gore – e também Cubo, filme de 1997 que teve uma sequência em 2002. Nessas obras, pessoas desconhecidas são jogadas em um ambiente hostil e precisam lutar muito, às vezes entre si, pela sobrevivência.

A ambientação é atualizada para a chamada escape room, novo tipo de entretenimento que reúne grupos em uma sala fechada, que apresenta vários desafios e mistérios. Zoey (Taylor Russell, do remake da série Perdidos no Espaço), Ben (Logan Miller, de Com Amor, Simon), Jason (Jay Ellis), Mike (Tyler Labine), Amanda (Deborah Ann Woll, das séries Demolidor e True Blood) e Danny (Nik Dodani) recebem um convite para participar de um jogo que pagará uma boa quantia em dinheiro.

Em pouco tempo, eles se veem trancados em uma sala que está prestes a pegar fogo e precisam seguir pistas para escapar do local. Danny, nerd experiente nesse tipo de diversão, serve como guia para os demais participantes, e também para o público, explicando as regras das escape rooms. A diferença é que a possibilidade de morte é muito real para todos os seis personagens, que percebem que, apesar de suas diferenças, precisam trabalhar em conjunto para sobreviver.

O filme ganhar corpo com uma tensão crescente a cada nova sala de desafios. Mas, a intenção é criar uma nova franquia, e logo a trama sofre ajustes para ter sequências – como a aparição de um mentor vilão, uma espécie de Jigsaw de Jogos Mortais. Se mantivesse o caminho inicial,Escape Room poderia se apresentar uma diversão mais interessante e inteligente. A se conferir as possíveis continuações. Cotação: Regular.

Trailer de Escape Room:


Nacionais

Coprodução Brasil-Argentina, Vergel, da diretora argentina Kris Niklison, apresenta a história de uma mulher brasileira (Camila Morgado, de O Animal Cordial) que vivencia de forma intensa o luto pela perda do marido em Buenos Aires.

Ela é levada quase à loucura pelos trâmites burocráticos para conseguir a liberação para transportar o corpo ao Brasil. Ao mesmo tempo, conhece uma estranha moça (Maricel Álvarez, de Biutiful) que vem todo os dias regar as plantas do apartamento que alugou na capital argentina, a pedido da proprietária. O filme estreia apenas no Espaço Itaú.

Trailer de Vergel:


O documentário Excelentíssimos, de Douglas Duarte, acompanha o processo que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016. Foram quatro meses de filmagens registrando os movimentos dos apoiadores da saída da presidente e dos que defendiam sua manutenção no poder, além das manifestações populares. A produção está em cartaz no Cine Guarani.

Trailer de Excelentíssimos:


Outras estreias

Grande sucesso inesperado do cinema há cinco anos, a animação baseada nos famosos brinquedos de montar ganha a inevitável sequência em Uma Aventura Lego 2. Os personagens Emmet e Lucy e os super-heróis Batman e Superman enfrentam a ameaça dos legos do Planeta Duplo. A aventura se torna interplanetárias e apresenta novos personagens.

Trailer de Uma Aventua Lego 2:


O cinema contemplativo do filipino Lav Diaz chega à capital paranaense com a apresentação na Cinemateca de Estação do Diabo, seu mais recente filme. Responsável por verdadeiras maratonas cinematográficas – com produções de cinco, sete, nove e até 13 horas –, o diretor destaca uma de suas produções mais “curtas”, de “apenas” quatro horas.

A história fala de Lorena (Shaina Magdayao), jovem médica que abre uma clinica para atender a população carente de uma aldeia remota das Filipinas. Ela desaparece depois de um tempo e Hugo (Piolo Pascual), seu marido, vai à comunidade para tentar descobrir o que aconteceu com ela.

Trailer de Estação do Diabo:


Selecionado para a mostra oficial do Festival de Cannes 2018, Asako I & II, do diretor japonês Ryusuke Hamaguchi, fala dos relacionamentos da jovem Asako (Erika Karata). Inicialmente, ela mora na cidade de Osaka e lá se apaixona pelo misterioso Baku ((Masahiro Higashide). O rapaz some e, depois de dois anos, Asako está morando em Tóquio e namorando Ryohei (Higashide), um homem muito parecido fisicamente com Baku, mas de temperamento completamente diferente. O filme tem lançamento apenas na Cinemateca de Curitiba.

Trailer Asako I & II:

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