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Almodóvar retoma o bom cinema com o autobiográfico Dor e Glória. FILMES, por Rudney Flores

Antonio Banderas interpreta o protagonista Salvador Mallo, atuação premiada no Festival de Cannes.
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Um dos diretores mais cultuados do cinemas, Pedro Almodóvar retorna à boa forma em Dor e Glória, a melhor estreia da semana nos cinemas de Curitiba. O filme foi lançado recentemente no Festival de Cannes e valeu a Antonio Banderas a Palma de melhor ator, um reconhecimento muito merecido por sua grande atuação, talvez a melhor da carreira do hoje veterano ator espanhol.

Quem acompanha a carreira de Almodóvar, sabe que o início, dos anos 1980 até meados dos anos 1990, foi dominado pelas comédias, algumas de humor excêntrico e exagerado como O Que Fiz para Merecer Isso? (1984) e Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988). Com A Flor do Meu Segredo (1995), o espanhol entra em sua melhor fase, realizando suas melhores produções: Carne Trêmula (1997), Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Fale com Ela (2002) e Volver (2006).

Após este último, Almodóvar teve um declínio em sua trajetória com os notadamente fracos Abraços Partidos (2009) e Os Amantes Passageiros (2013), o quase bizarro A Pele Que Habito (2011) e o razoável Julieta (2016). Um período de crise de ideias que, de certa forma, é destacado com a paralisação da carreira de Salvador Mallo, vivido por Banderas em uma trama com traços autobiográficos em Dor e Glória.

Mas, ao contrário do revanchista e até mesquinho Má Educação (2004), também com elementos autobiográficos, o cineasta espanhol resgata agora situações de sua vida de maneira leve e sóbria. O cineasta Mallo está há anos sem filmar. Com problemas emocionais e físicos, ele vê uma oportunidade de acertar as contas com seu passado quando o seu filme de maior sucesso ganha uma celebração pelos 30 anos de lançamento.

Ele se reaproxima de Alberto (Asier Etxeandia), ator principal da produção com quem não falava desde as filmagens. Este tenta convencer o diretor a liberar para encenação no teatro um texto autobiográfico, sobre uma grande paixão que Salvador teve quando jovem. Ao mesmo tempo, Mallo se envolve tardiamente com drogas e também se recorda de sua infância em um povoado espanhol, ao lado da mãe Jacinta (Penélope Cruz, Oscar de melhor atriz coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona).

Dor e Glória não tem um roteiro muito coeso, mas destaca-se por momentos delicados e cenas muito emocionais – a vida do pequeno Salvador rende ótimas sequências, assim como a encenação da peça, o reencontro com seu caso antigo, o tratamento da mãe já mais velha e doente e a bela e tocante cena final. Uma verdadeira homenagem de Almodóvar ao cinema. O filme tem sessões no Cineplex Batel, Espaço Itaú e Cinépolis Pátio Batel. Cotação: Ótimo.

Trailer de Dor e Glória:


Novo MIB

Em uma época de pouca originalidade, os grandes estúdios buscam reiniciar ou renovar suas grandes franquias. É o que acontece com Homens de Preto, que consagrou Will Smith como grande estrela do cinema mundial, e recebe novos personagens em MIB: Homens de Preto – Internacional, uma das principais estreias da semana nos cinemas brasileiros.

Dirigida por F. Gary Gray (Straight Outta Compton: A História do N.W.A. e Velozes & Furiosos 8), a produção amplia a abrangência da agência secreta que monitora os extraterrestres no planeta, tornando-a mundial. Nesse cenário, destacam-se o Agente H (Chris Hemsworth, o Thor dos filmes da Marvel), estrela principal do escritório de Londres, e a Agente M (Tessa Thompson, da franquia Creed), que conseguiu entrar para a Homens de Preto após passar anos investigando sua existência e finalmente descobrindo sua localização. A novata é enviada à capital britânica para treinamento e se envolve um um caso grande na agência, que suspeita que há um traidor entre seus profissionais.

MIB Internacional tenta destacar as principais caraterísticas dos três filmes anteriores da franquia, como o tom divertido, as inventivas e descoladas armas utilizadas, além da química entre os protagonistas. A parceira entre Hemsworth e Thompson, que havia dado muito certo em Thor – Ragnarok, até funciona relativamente bem – o ator está cada vez mais confortável em papéis cômicos.

Há também algumas situações engraçadas, envolvendo principalmente o pequeno extraterrestre Pawny (voz de Kumail Nanjiani, de Doentes de Amor e da série Silicon Valley), mas o roteiro é bem fraco, com a solução do mistério do traidor sendo totalmente previsível, além dos vilões apagados e de pouca expressão. Sobram poucas cenas de ação, mas que também não trazem grande empolgação. Se houver continuações, será necessário investir muito mais na história. Cotação: Regular.

Trailer de MIB: Homens de Preto – Internacional:


Outras estreias

A diva do cinema francês Isabelle Huppert (Elle) estrela Obsessão, filme que marca o retorno do cineasta irlandês Neil Jordan (Traídos pelo DesejoFim de Caso) à direção depois de um hiato de seis anos.

Na trama corroteirizada pelo próprio Jordan, a atriz interpreta Greta, uma viúva solitária. Ela conhece a jovem Frances ((Chloë Grace Moretz, de Kick-Ass), que encontrou sua bolsa perdida no metrô, e as duas tornam-se muito amigas. Com o tempo, a moça descobre que a aproximação delas não foi meramente casual e tenta se desvincilhar de Greta, mas a viúva não irá aceitar muito bem o afastamento.

Trailer de Obsessão:


A atriz Olivia Wilde (Tron – O Legado) estreia na direção de cinema com Fora de Série, produção que destaca a forte amizade de duas adolescentes. Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) passaram os quatro anos do ensino médio nos Estados Unidos praticamente só estudando, tornando-se as melhores alunas da escola. Mas elas acham que podem ter desperdiçado seu tempo e decidem se divertir como nunca antes da formatura. O filme estreia apenas no UCI Estação e UCI Palladium.

Trailer de Fora de Série:


A Segunda Guerra Mundial é mais uma vez cenário no cinema em Memórias da Dor, produção do diretor Emmanuel Finkiel indicada pela França para tentar uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano. O roteiro é baseado no romance A Dor, da escritora Marguerite Duras – também roteirista do clássico Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais (1959), além de cineasta –, no qual fala de sua participação no grande conflito armado do século 20 e descreve outras histórias.

No filme, Duras (Melanie Thierry, de A Lenda do Pianista do Mar) participa da resistência francesa e tenta encontrar o marido preso pelos alemães. Em buscas de pistas, ela se une a um oficial alemão, o que é reprovado pelos companheiros de luta. O filme tem lançamento no Cineplex Batel.

Trailer de Memórias da Dor:


Diversas cinematografias têm investido no gênero terror no cinema recente. A Lenda de Golem, que estreia esta semana no Brasil, é uma produção israelense com direção dos irmãos Doron e Yoav Paz e filmagens na Ucrânia.

Numa vila isolada, o casal Hanna e Benjamin tenta superar a perda de seu bebê. Ela busca engravidar novamente, mas não consegue. Envolvida com o misticismo, Hanna decide invocar um golem, que aparece em forma de uma criança. Mas a criatura é muito mais poderosa que e imagina e irá aterrorizar toda a comunidade. O filme tem sessões no Cine Passeio e no UCI Estação.

Trailer de A Lenda de Golem:


Varilux 2019

Uma das principais mostras de filmes do circuito brasileiro, o Festival Varilux de Cinema Francês chega este ano à décima edição destacando novamente os mais recentes lançamentos da produção francesa.

Em 2019, o festival ocupará três espaços da capital paranaense: até o dia 19 de junho, no Espaço Itaú; e até o dia 26 de junho, no Cineplex Batel e no Cinépolis Pátio Batel. Em destaque, comédias, animações, dramas, filmes de ação e históricos de diretores reconhecidos como François Ozon, do recente Graças a Deus, e outros novatos, e com a participação de estrelas do cinema francês como Juliette Binoche, que está em Quem Você Pensa Que Eu Sou?.

Consulte a programação no endereço: http://variluxcinefrances.com/2019/cidade/curitiba-pr/.

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Instagram @curitibaemdestaque

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