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O pernambucano Bacurau fala sobre resistência em tempos bélicos e violentos. FILMES, por Rudney Flores

Sonia Braga (ao centro) é o principal nome do elenco de Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.
Crédito da foto: Victor Jucá


Apesar das perspectivas em suspense por conta das indefinições da política cultural do atual governo federal, o cinema brasileiro passa novamente por um ótimo momento artístico, recebendo reconhecimento internacional. Um dos representantes dessa nova leva de produções nacionais é Bacurau, dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, principal estreia da semana nos cinemas do Brasil.

 O filme recebeu, em maio, o Prêmio do Júri da mostra principal do prestigiado Festival de Cannes; na mostra paralela Um Certo Olhar, o também brasileiro A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, foi escolhido o melhor – este último foi selecionado esta semana como representante do Brasil para tentar uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional em 2020.

Bacarau é o terceiro longa-metragem de Mendonça, depois dos premiados O Som ao Redor (2012) e Aquarius(2016) – Dornelles foi desenhista de produção de ambos os trabalhos. Os diretores saem do ambiente urbano desses filmes anteriores e investem em uma história que se passa no sertão pernambucano, em alguns anos no futuro.

Bacurau (nome de uma ave noturna do cerrado) é um vilarejo localizado no oeste do estado, um lugar idealizado em que as diversidades convivem em harmonia, com uma comunidade muita unida. O grande problema a se enfrentar é a falta de água, remediada em parte por um caminhão pipa que chega periodicamente da vizinha Serra Verde, cidade cujo o prefeito tenta agradar os habitantes de Bacurau com presentes (comida, medicação, livros).

Após um tempo, acontecimentos estranhos atingem Bacurau – o lugar parece ter desparecido do mapa, o sinal de celular some completamente e algumas pessoas são brutalmente assassinadas. A resolução do mistério reside em uma intrigante invasão estrangeira contra a qual a população se reúne para se defender. O elenco conta com Sonia Braga (que repete a parceria de Aquarius), Udo Kier (Pequena Grande Vida), Karine Teles (Benzinho), Bárbara Colen (Aquarius), Thomas Aquino (da minissérie Treze Dias Longe do Sol) e Silvero Pereira (Serra Pelada).

A primeira meia hora de filme é lenta, causa estranhamento e dá poucas pistas do que está para acontecer. Mas a produção melhora e muito quando todas as peças estão finalmente sobre o tabuleiro. Mendonça e Dornelles, também responsáveis pelo roteiro, criam uma fascinante história que fala principalmente de resistência – cultural, política e social. O texto veio sendo desenvolvido há quase dez anos, mas se mostra atual ao salientar o crescente clima bélico e violento vivido não só no Brasil, como em boa parte do mundo.

A produção também evoca diversas simbologias do Nordeste (coronelismo, cangaço), além de filmes do gênero western, o terror do mestre John Carpenter (Halloween), produções da franquia Predador e até os famosos quadrinhos Astérix – assim como os irredutíveis e resistentes gauleses criados por Albert Uderzo e René Goscinny, os habitantes de Bacurau também partem para o combate sob o efeito de uma erva psicotrópica.

Nos créditos, os diretores destacam que a realização de Bacurau empregou mais de 800 pessoas, para mostrar ao público que o cinema e as demais áreas culturais também são importantes para movimentar a economia de um país. A observação talvez não faça efeito em um cenário de batalha quase perdida no imaginário de boa parte da população, que já tomou a posição de que o incentivo público à cultura é utilizado para sustentar apenas diretores e atores globais. O sistema de incentivo não é perfeito no Brasil e diversos ajustes se fazem necessários, mas não ele não pode ser extinto. A cultura sempre foi e é subsidiada nos principais países do mundo, pois é um fator principal na formação de uma sociedade. Cotação: Ótimo.

Trailer do Bacurau:



Beatles 4ever

O inglês Danny Boyle é um cineasta versátil. Após o início promissor com os cults Cova Rasa e Trainspotting, passou pela comédia em Por Uma Vida Menos Ordinária, o terror com zumbis em Extermínio, a ficção científica em Sunshine – Alerta Solar, até chegar à consagração com o superestimado Quem Quer Ser um Milionário, que lhe valeu o Oscar de direção. Realizou também o tenso 127 Horas e Steve Jobs, uma estilosa cinebiografia do criador da Apple, além de uma continuação divertida e amarga de Trainspotting.

Sempre trilhando novos caminhos, o diretor agora aposta na comédia romântica musical em Yesterday, produção em que faz parceria com Richard Curtis, outro ótimo nome do cinema britânico, responsável pelo texto de divertidos, charmosos e simpáticos trabalhos, como Quatro Casamentos e Um FuneralUm Lugar Chamado Notting HillSimplesmente Amor e Questão de Tempo – foi diretor também dos dois últimos.

Yesterday é uma homenagem à maior banda de todos os tempos, The Beatles, e imagina um mundo em que o famoso quarteto de Liverpool não lançou suas canções. A história é centrada no músico Jack Malik – Himesh Patel, ator de séries da televisão britânica, estreando na tela grande –, frustrado por não conseguir engrenar na carreira nos palcos. Ele é há anos incentivado pela empresária Ellie (Lily James, de Em Ritmo de Fuga), uma professora de ensino público que também é apaixonada pelo cantor, mas não é correspondida.

Jack está prestes a desistir da música quando um estranho fenômeno acontece, um apagão mundial de 12 segundos. Durante o incidente, o músico é atropelado por um ônibus e, ao acordar no hospital, aparentemente só ele se lembra que os Beatles um dia existiram. Ele decide se apropriar das músicas dos Fab Four e, com o tempo, se transforma em um sucesso mundial, não sem viver um grande dilema moral por sua ação.

O humor do filme é leve e envolvente, característica dos roteiros de Curtis. Na história, por exemplo, não só os Beatles sumiram, mas também a Coca-Cola (!!), num divertido merchandising às avessas para sua concorrente, a Pepsi. As canções dos Beatles vão surgindo uma a uma, algumas em situações engraçadas, com Jack lutando para lembrar todas as letras.

O jovem cantor também acaba se tornando pupilo de Ed Sheeran, sucesso global da música. São do recente astro britânico alguns dos momentos mais divertidos do filme, como quando sugere a infame troca do nome do clássico ”Hey Jude” para “Hey Dude” (!!!). Generoso, ele aceita tranquilamente ser alvo de algumas gozações do roteiro.

A parte romântica do filme é enfocada mais ao final da produção e o promissor Patel, assim como James, estão solares e têm ótimas atuações; o próprio ator toca e interpreta as músicas na produção. Yesterday se destaca como uma tocante celebração de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star, cuja obra sensacional mudou para sempre a cultura e a sociedade mundial. Cotação: Ótimo.

Trailer de Yesterday:



Anna, por Besson

Uma das características mais marcantes do cinema do diretor Luc Besson são as fortes protagonistas femininas. Depois de Nikita – Criada para Matar (1990), com Anne Parillaud, O Profissional (1994), com Natalie Portman (como Mathilda), O Quinto Elemento (1997), com Milla Jovovich (como Leeloo), e Lucy (2014), com Scarlett Johansson, o cineasta francês apresenta Anna – O Perigo Tem Nome, seu novo filme de ação.

Vivida pela novata e bela Sasha Luss, Anna é uma moça russa drogada, que sobrevive a custas de um criminoso, o qual a explora sexualmente. Ela tem a oportunidade de mudar a vida quando é cooptada pela KGB, o serviço secreto da então União Soviética – a produção é ambientada no período da Guerra Fria, entre meados dos anos 1980 e início dos anos 1990. A nova espiã secreta é designada para diversas missões, a maioria suicidas, com a expectativa de se livrar do serviço em poucos anos, mas as coisas não acontecem como ela deseja.

Com Anna, Besson, também roteirista da produção, revisita Nikita, assassina francesa que tem origens semelhantes, e também destaca elementos que estão presentes no recente Atômica (2017), estrelado por Charlize Theron e baseado em um quadrinho homônimo. Empoderada, em sintonia com a atualidade, a espiã cresce na trama e vai se mostrando muito forte, controlando as ações no envolvimento com homens poderosos, tanto da KGB (Alex, vivido por Luke Evans, da franquia Velozes & Furiosos) quanto da CIA (Lenny, interpretado por Cillian Murphy, de Extermínio). Outra personagem feminina de destaque é Olga, diretora do serviço secreto russo, participação de luxo da oscarizada Helen Mirren (A Rainha).

Como boa parte dos filmes de espiões, há diversas reviravoltas, nada é o que parece ser. Para isso, Besson cria uma estrutura baseada em idas e vindas temporais, que marcam cada virada na trama. Apesar de destacar boas cenas de ação, o artifício de roteiro torna o filme cansativo depois de algumas guinadas. Mas é diversão segura para quem aprecia o gênero.  Cotação: Bom.

Trailer de Anna – O Perigo Tem Nome:



Nacionais

Luana Piovani (A Mulher Invisível) é o principal nome do elenco da comédia A Mulher do Meu Marido, do diretor Marcelo Santiago. A atriz interpreta Joana, que descobre que o médico Pedro (Paulo Tiefenthaler, de O Roubo da Taça), seu marido, tem um caso com a paciente Pilar (Aylin Prandi).

Mas Joana não vê problemas na relação infiel, pois o desempenho sexual do companheiro até melhora com a traição. Para completar, a personagem de Piovani também acaba se envolvendo com Martin (Francisco Andrade), casado com Pilar. O filme estreia apenas no Cinemark Barigui.

Trailer de A Mulher do Meu Marido:



A história de Jesus é mais uma vez adaptada para as telas em O Filho do Homem, do diretor Alexandre Machafer. A produção brasileira destaca os tradicionais fatos da trajetória de Jesus, do nascimento à ressurreição, passando pela escolha dos apóstolos, a realização dos milagres, o encontro com Pilatos e a crucificação. O filme faz parte da programação do Projeta às 7, da Rede Cinemark, com sessões no Cinemark Mueller.

Trailer de O Filho do Homem:



Outras estreias

Na comédia Minha Lua de Mel Polonesa, da diretora Élise Otzenberger, Anna (Judith Chemla) e Adam (Arthur Igual), um casal francês de origem judaica vai à Polônia conhecer seus ancestrais a convite do avô do marido. A viagem transcorre com muitos percalços graças ao contraste entre a total empolgação de Anna e o completo descaso de Adam pelo reencontro familiar. A produção tem lançamento no Espaço Itaú, Cineplex Batel e Cinépolis Pátio Batel.

Trailer de Minha Lua de Mel Polonesa:



O suspense Verão de 84, dos diretores estreantes François Simard e Anouk Whissell, resgata a aventura adolescente em turma, muito comum no cinema dos anos 1980. Durante o verão do ano do título, o jovem Davey (Graham Verchere) desconfia que o vizinho Wayne (Rich Sommer) é um serial killer. Juntos com os amigos, o garoto passa a investigar o suspeito, mas a situação começa a ficar cada vez mais perigosa para todos.

Trailer de Verão de 84:


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