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Brad Pitt estrela o sci-fi intimista Ad Astra – Rumo às Estrelas. FILMES, por Rudney Flores

O astro hollywoodiano vive o astronauta Roy McBride no novo filme do diretor James Gray.
Crédito da foto: François Duhamel/20th Century Fox


Após brilhar ao lado de Leonardo DiCaprio em Era uma Vem em... Hollywood, de Quentin Tarantino, Brad Pitt retorna às telas mais uma vez este ano na ficção científica Ad Astra – Rumo às Estrelas, novo filme do diretor James Gray (Os Donos da Noite) principal estreia da semana nos cinemas brasileiros.

A estrela hollywoodiana vive o astronauta Roy McBride, que trabalha em uma estação espacial em futuro da Terra não muito distante. É uma época imaginada em que as viagens espaciais são corriqueiras, uma das primeiras evocações do filme do clássico 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Acontece um grave acidente envolvendo tempestades magnéticas, que matam milhares de pessoas no planeta. O governo norte-americano descobre que o fenômeno espacial é originário da região do planeta Netuno, e suspeita que o causador de tudo seja Clifford McBride (Tommy Lee Jones, Oscar de ator coadjuvante por O Fugitivo), pai de Roy.

Mítico astronauta, Clifford chefiava uma missão enviada quase 30 anos antes ao espaço para encontrar sinais de vida extraterrestre – e que há 15 anos, instalada próxima de Netuno, aparentemente havia perdido contato com a Terra, o que levou a Roy imaginar que o pai havia morrido. Ele então é enviado em missão secreta para uma base em Marte, passando antes pela Lua, para mandar uma mensagem a Clifford e convencê-lo a conversar e parar com o possível ataque à Terra.

Gray, também corroteirista da produção, insere elementos tradicionais do seu cinema na história, notadamente o foco em relações familiares. Roy é extremamente fechado, e o espaço e o trabalho são meio de fuga para não encarar os problemas de seu casamento fracassado com Eve (Liv Tyler, de Beleza Roubada). Ao longa do filme, também vai percebendo que tem sérias questões que interiorizou em relação ao pai.

Pitt tem uma boa atuação, intimista e, em muitos momentos, minimalista. O personagem precisa de controle a todo tempo, pois passa por constantes testes psicológicos. Dessa forma, são destacados seus pensamentos – que são descritos ao estilo narrativo do diretor Terrence Malick (Além da Linha Vermelha), mas sem tanta filosofia e elucubrações.

Na estrutura, além de 2001 – a viagem às estações na Lua e Marte; o momento decisivo em um planeta distante do sistema solar; se não há um computador louco como na obra de Stanley Kubrick, existem personagens perdendo a sanidade pelo isolamento no espaço –, Ad Astra também evoca os momentos introspectivos de Solaris, de Andrei Tarkovsky, outro clássico da ficção, além da exuberância técnica de ambos os trabalhos.

O filme também tem pontos de ligação com o ótimo O Primeiro Homem, de Damien Chazelle, que contou a história de Neil Armstrong, o primeiro humano a pisar na Lua. Gray faz cinema diferenciado, para pensar e refletir, pouco usual em tempos em que o espectador precisa de uma explosão a cada segundo para se conectar com a tela grande e deixar a telinha do celular de lado. Cotação: Bom.

Trailer de Ad Astra – Rumo às Estrelas:


Hebe

As cinebiografias continuam em alta no cinema brasileiro. Em 2019, chegaram às salas as de Erasmo Carlos, Chacrinha, Wilson Simonal e, nesta semana, a de uma das principais figuras da televisão brasileira, Hebe Camargo, reverenciada em Hebe – A Estrela do Brasil, de Maurício Farias (Verônica).

Como condensar uma vida em apenas duas horas de projeção? Este é um dos dilemas por qual passa quem decide realizar um projeto de cinebiografia. A tarefa fica ainda mais difícil quando o personagem central tem uma longa trajetória, tanto no tempo de vida quanto na quantidade de fatos importantes que participou. Para não enfileirar diversos acontecimentos, sem muitas vezes poder aprofundá-los, uma opção é o recorte de um momento destacado da vida do homenageado.

É o que acontece em A Estrela do Brasil, que retrata a vida de Hebe Camargo (Andréa Beltrão, de Salve Geral) durante alguns anos da década de 1980, período em que teria enfrentado a censura por apresentar e discutir em seu programa temáticas polêmicas para a época, como questões LGBTs, além de criticar os deputados e senadores no Congresso Nacional.  

A censura, ainda vigente no país em processo de redemocratização pós-ditadura militar, rondava constantemente seu programa, ameaçando-a de prisão ou de só permitir a transmissão da atração gravada, o que contrariava a apresentadora, que preferia sempre se fazer o programa ao vivo. Ao mesmo tempo, Hebe vivia tensos problemas em casa com o marido Lélio (Marco Ricca, de O Invasor), ciumento e possessivo ao extremo.

Há a proposta de se apresentar uma Hebe combativa, casando com o momento atual de empoderamento feminino, mas a personagem tinha muito mais facetas e, principalmente, idiossincrasias – algumas citadas, mas pouco exploradas ou debatidas pelo roteiro: apesar de defender minorias e atacar políticos, Hebe era muito conservadora e apoiava cegamente Paulo Maluf, populista desde sempre envolvido em denúncias de corrupção.

O texto do filme também vai se tornando cada vez mais engessado, quadrado, de poucas nuances, e apenas enfileira fatos e acontecimentos sem grande inspiração, alternando momentos de Hebe na tevê (Band e SBT) e na vida caseira. A caótica televisão brasileira dos anos 1980, por exemplo, com inacreditáveis momentos de divertida insanidade, foi bem melhor retratada em Bingo – O Rei das Manhãs.

É um problema que também se vê nas citadas cinebiografias deste ano e outras recentes. Para agradar todos os públicos, ninguém busca arriscar – há poucas exceções no gênero no Brasil, como Guilherme Fontes, que fez da biografia de Assis Chateaubriand, Chatô – O Rei do Brasil, uma inventiva alegoria.

O destaque de Hebe – A Estrela do Brasil é apenas Andréa Beltrão, que não tem semelhança física com Hebe, mas cria a mesma empatia da apresentadora em mais uma ótima interpretação em sua carreira. Cotação: Regular.

Trailer de Hebe – A Estrela do Brasil:


Nacionais

Mas três filmes brasileiros chegam à programação de Curitiba nesta semana. O diretor Alex Moratto estreia em longas-metragens com Sócrates, ambientado na cidade de Santos (SP). A história é centrada no personagem-título, vivido por Christian Malheiros (da série Sintonia, da Netflix), rapaz que perde a mãe e que precisa aprender a ser virar sozinho.

Ele tenta se aproximar do pai, que o evita. As dificuldades só aumentam e Sócrates também sofre preconceito por ser negro e homossexual. O filme, que tem produção executiva de Fernando Meirelles (Cidade de Deus), ganha sessões no Espaço Itaú.

Trailer de Sócrates:


Sentença de morte para várias pessoas quando descoberta nos anos 1980, a aids é atualmente passível de controle através de medicação especial e periódica – e que no Brasil é distribuída gratuitamente pelo governo federal. Ainda um estigma para parte da população, a história do vírus mortal no país é apresentada no documentário Carta Para Além dos Muros, de André Canto.

Depoimentos de infectologistas, pacientes, ativistas e personalidades como o doutor Drauzio Varella destacam como as pessoas com aids eram tratadas no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, e os desafios até hoje ainda existentes. O filme tem lançamento no Espaço Itaú.

Trailer de Carta para Além dos Muros:


Realizado na Paraíba, o drama Ambiente Familiar, de Torquato Joel, estreante em longas-metragens, conta a história de jovens amigos que dividem a mesma casa. Alex, Fagner e Diógenes seu unem para deixar para trás um passado humilde e buscar uma vida com mais esperança.

O elenco destaca a participação de Marcélia Cartaxo – Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por A Hora da Estrela (1985). A produção fica em cartaz no Cinemark Mueller nas próximas duas semanas, dentro do programa Projeta às 7.

Trailer de Ambiente Familiar:


Outras estreias

Com produção de Sam Raimi (diretor da primeira trilogia do Homem-Aranha), o terror Predadores Assassinos destaca o embate entre uma jovem e temidos e gigantes crocodilos que invadem sua casa durante uma inundação causada por um furacão numa cidade dos Estados Unidos.

Haley (Kaya Scodelario, da franquia Maze Runner) retorna para salvar o pai Dave (Barry Pepper, de A Última Noite), que ficou gravemente ferido após o ataque dos répteis.

Trailer de Predadores Assassinos:


A lenda do Iéti (mítica criatura gigantes da neve) é mais uma vez base para uma animação em Abominável, dos diretores Jill Culton (O Bicho Vai Pegar) e Todd Wilderman. Na história, que se passa em Xangai, na China, a menina Yi descobre que um Iéti vive no telhado do prédio onde mora. O animal está fugindo de seus perseguidores e a menina e sua turma vão ajudá-lo a retornar para sua família, que vive no monte Everest.

Trailer de Abominável:


O grande músico norte-americano Bruce Springsteen é a maior inspiração para a vida de um jovem inglês de origem paquistanesa em A Música da Minha Vida, novo filme da diretora Gurinder Chadha (Driblando o Destino).

Na história, ambientada nos anos 1980, Javed (Viveik Kalra) é só mais um adolescente a sofrer bullying no colégio, além de ter que lidar com severas regras impostas pela família. Ele encontra novo estímulo para enfrentar os desafios ao ouvir descobrir as canções do “Boss” e suas letras inspiradoras. O filme tem sessões no Cineplex Batel.

Trailer de A Música da Minha Vida:


O filme de época Meu Amor por Grace, do diretor David L. Cunningham, investe no conhecido tema do romance entre pessoas de mundos opostos. Na década de 1920, no Havaí, o garoto Jo é adotado pelo médico Doc (Matt Dillon, de Quem Vai Ficar com Mary?), que atende os mais carentes da região onde mora. O menino conhece e se afeiçoa à menina Grace, filha de um rico fazendeiro.

Ao se tornar adulto, Jo (Ryan Potter) tem pretensões de namorar a moça, mas ela está prometida para o poderoso médico Reyes (Jim Caviezel, de O Conde de Monte Cristo). A produção estreia apenas no Cineplex Batel.

Trailer de Meu Amor por Grace:


A produção italiana Entre Tempos, de Valerio Mieli, apresenta o romance do casal Lui (Luca Marinelli) e Lei (Linda Caridi), unidos há muitos anos. Depois de um tempo, Lui pensa em separação, mas Lei ainda acredita que possam dar certo. O dois partem em uma jornada para relembrar os bons momentos lado a lado e encontrar razões para ainda permanecerem juntos. O filme tem lançamento no Cine Passeio.  

Trailer de Entre Tempos:


La Famiglia

A sessão Clássicos Cinemark destaca O Podereso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola, vencedor de três Oscars – melhor filme, ator (recusado por Marlon Brando) e roteiro. A produção baseada no livro homônimo de Mario Puzo inicia a histórica trajetória nos Estados Unidos da família de mafiosos Corleone, comandada por Don Vito (Brando). O filme teria ainda duas sequências, em 1974 e 1990. O filme tem sessões no Cinemark Mueller na terça-feira (dia 1º), às 20 horas, e no próximo sábado (dia 5), às 23 horas.

Al Pacino e Marlon Brando são destaques do elenco do clássico O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola.
Crédito da Foto: Divulgação
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Instagram @curitibaemdestaque

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