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O incendiário Coringa destaca interpretação monumental de Joaquin Phoenix. FILMES, por Rudney Flores

 
Phoenix interpreta o icônico vilão da DC no filme dirigido por Todd Phillips.
Crédito da foto: Niko Tavernise/Warner Bros. Entertainment Inc.

Filme mais aguardado do segundo semestre no mundo, Coringa chega esta semana ao Brasil para apresentar mais uma versão do personagem icônico, maior inimigo do super-herói Batman nos quadrinhos. A produção ganhou recentemente o Leão de Ouro no Festival de Veneza, maior premiação do prestigiado evento de cinema que, atualmente, é um dos termômetros para as indicações ao Oscar – no ano passado, Roma, de Alfonso Cuarón venceu a mostra italiana e recebeu dez indicações à estatueta dourada, ganhando três, incluindo a de melhor diretor.

Coringa é dirigido por Todd Phillips, que tem como trabalho mais reconhecido a divertida trilogia Se Beber, Não Case. Após abandonar, no ano passado, a fracassada ideia de universo compartilhado nas adaptações dos personagens da DC, na qual tentava replicar o sucesso da Marvel, a Warner passou a investir em produções únicas de cada herói ou vilão, e com gêneros variados, iniciativa que até vem dando mais certo – já foram lançados a ótima ação/aventura Aquaman e a boa comédia adolescente Shazam!

Com liberdade total, Phillips e o corroteirista Scott Silver (O Vencedor8 Mile – Rua das Ilusões) criaram então uma origem inédita para o Coringa, longe de qualquer história dos quadrinhos – o personagem tem poucos arcos de origem apresentados, sendo o mais clássico o da graphic novel A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland.

O futuro Coringa se chama Arthur Fleck – Joaquin Phoenix, em atuação monumental –,  homem que vive de bicos de palhaço, daqueles que ficam em frente a lojas, chamando clientes. Ele visita periodicamente uma assistente social, que lhe dá receitas de remédios para seus problemas neurológicos, como o que faz ter uma risada nervosa, sem controle. Em casa, cuida da mãe Penny (Frances Conroy, da série A Sete Palmos), que sempre o chama de Happy e diz que ele nasceu para alegrar as pessoas.

Arthur acredita piamente nessa visão e deseja se destacar fazendo stand-up comedy e participando do programa do apresentador Murray Franklin (Robert De Niro), de quem é um grande fã. Mas, com o tempo, seus sonhos vão desmoronando, e a cada derrota que a vida (sociedade) lhe impõe, ele vai soltando suas amarras e respondendo com uma violência crescente.

Ambientado numa Gotham City dos anos 1980, Coringa tem como claras referências filmes de Martin Scorsese realizados nas décadas de 1970 e 1980, notadamente Taxi Driver e O Rei da Comédia, ambos estrelados por De Niro, sendo quase uma releitura dessas obras – do primeiro, o personagem que não encontra seu lugar no mundo; do segundo, o comediante que acha que tem talento, mas é apenas mais um fracassado.

Incendiário, o roteiro coloca questões que se mantém atuais, como o isolamento e as diferenças sociais, o abismo econômico entre classes, o grande poder da mídia (no caso, a televisão) em amplificar determinados temas. Gotham é retratada com uma Nova York soturna, suja (há uma greve de lixeiros), onde pessoas como Fleck são completamente ignoradas pelo poder público e poderosos – em certo momento, o programa social do qual Arthur faz parte é cancelado pelo governo e ele fica sem seus medicamentos.

Um ato violento, feito de forma ainda anônima por Fleck, é a deixa para explodirem as tensões sociais da cidade, com os mais desfavorecidos se levantando contra milionários como Thomas Wayne (Brett Cullen, de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), que pretende se candidatar a prefeito – essa a única conexão do filme com os quadrinhos; Bruce Wayne, o futuro Batman, também aparece ainda garoto.

Pelo texto, o Coringa surgiria principalmente a partir de falhas da sociedade, do sistema. Esta é a maior polêmica do filme, com muita força nos Estados Unidos, onde alguns acreditam que ele poderia justificar novas revoltas violentas de pessoas como Arthur, os white trash, de meia idade e sem perspectivas, descontentes com o globalismo, com a economia e com tudo que não se encaixa em sua visão de mundo – gente que, atualmente, forma boa parte do eleitorado do presidente Donald Trump; há paralelos dessa situação em vários países, com adaptações necessárias às características regionais, o que levou à direita ao poder em várias situações, com personas populistas no comando. A produção se torna ainda mais importante por gerar esse tipo de debate, sendo mais do que oportuna por colocar em foco questões explosivas.

Mas a grande força de Coringa vem mesmo de Joaquin Phoenix, que chega ao ápice na carreira em mais uma representação histórica do vilão da DC, como foram a de Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e de Jack Nicholson em Batman (1989). Marcado por personagens fortes ou mesmo estranhos – em trabalhos de destaque como Johnny & JuneElaVício Inerente e O Mestre –, o ator entrega uma atuação visceral, tanto física (a questão da risada doentia, a dança e toda expressão corporal do personagem, o emagrecimento para o papel) quanto psicológica, construindo de forma magistral, passo a passo, o caminho de Arthur Fleck para o Coringa e rumo à loucura total.  Cotação: Ótimo.

Trailer de Coringa:



Encontros

O diretor francês Cédric Klapisch ganhou destaque a partir da década passada, com uma inspirada e divertida trilogia de filmes que destacavam jovens europeus iniciando a vida adulta e encarando desafios nos relacionamentos amorosos e também no campo profissional, acompanhando depois também seu desenvolvimento com o passar do tempo – Albergue Espanhol (2002), Bonecas Russas (2005) e O Enigma Chinês (2013).

O cineasta renova a temática para uma geração mais recente em Encontros, filme que estreia esta semana no Brasil. A história se passa em Paris e coloca em foco os jovens Rémi e Mélanie, respectivamente interpretados por François Civil e Ana Girardot, ambos de O Que nos Liga, filme anterior de  Klapisch, que gosta de repetir seus atores.

A dupla passa por momentos complicados na vida – ele não consegue dormir e se culpa por ser o único de seu grupo de trabalho a não perder o emprego quando a empresa decide diminuir o grupo de funcionários. Ela, ao contrário, dorme demais, e tenta superar o fim de um relacionamento, além da ansiedade para elaborar uma palestra para que o laboratório em que trabalha consiga mais recursos para funcionar.

Apesar de não se conhecerem, Rémy e Mélanie tem alguns pontos em comum. São vizinhos de janela, embora de prédios diferentes; frequentam o mercadinho local onde às vezes se cruzam fortuitamente; e tentam lidar com seus problemas fazendo terapia. Os psicólogos, papéis vividos por Camille Cottin (Aliados) e François Berléand (da franquia Carga Explosiva) acabam sendo fundamentais para Rémy e Mélanie encontrarem o equilíbrio que buscam. Mas é um outro personagem inesperado que será responsável pela aproximação do casal.

O filme se assemelha a uma comédia romântica, mas sua estrutura foge dos padrões tradicionais – se fosse um filme hollywoodiano do gênero, o casal se encontraria rapidamente, haveria uma aproximação seguida de separação, para o encontro final romântico que resolve tudo.

Nada contra o formato, que já rendeu bons filmes. Mas Klapisch, também corroteirista da produção, não tem pressa para fazer seus personagens perceberem um ao outro. Encontros se desenvolve calmamente – de forma até muito lenta se considerarmos o padrão das pessoas hoje em dia, que ficam inquietas e se entendiam se não acontece algo de mais explosivo na tela.

O diretor destaca alguns problemas inerentes à geração atual, como a dificuldade de se aproximar do outro, os relacionamentos baseados em rede sociais, as inseguranças no trabalho e na vida social. Mesmo que, aparentemente, pouco esteja acontecendo na trama, o filme conquista aos poucos, à medida que o espectador vai se identificando com o que vê na tela. Cotação: Bom.

Trailer de Encontros:


Nacionais

A programação da semana destaca variados lançamentos de produções brasileiras. Fellipe Barbosa, dos ótimos Casa Grande e Gabriel e a Montanha, está lançando Domingo, filme em que divide a direção com Clara Linhart.

A história é centrada no encontro de uma família gaúcha em 1º de janeiro de 2003, dia da posse do primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Temas políticos e sociais são discutidos pelos caricatos personagens, representantes de uma elite burguesa. Desestruturada, a família vai apresentando também diversas fissuras e falhas, com traições e mentiras.

O elenco reúne Camila Morgado (O Animal Cordial), Ítala Nandi (O Homem do Pau-Brasil), Augusto Madeira (O Beijo no Asfalto) e Chay Suede (Minha Fama de Mau). A produção estreia no Espaço Itaú.

Trailer de Domingo:



Em Onde Quer Que Você Esteja, os diretores Bel Bechara e Sandro Serpa retomam e ampliam o tema de um curta-metragem de título homônimo que apresentaram em festivais, em 2003.

Na história, um programa de rádio reúne diversas pessoas que gravam pedidos de retorno para pessoas que desapareceram de suas vidas – maridos, esposas, filhos, amigos, babás. Os personagens Valdir (Leonardo Medeiros, de Não Por Acaso) e Lúcia (Debora Duboc, de Cabra-Cega) são novamente os protagonistas do filme. A produção estreia no Cine Passeio.

Trailer de Onde Quer Que Você Esteja:



A apresentadora de tevê Maísa Silva é o destaque do elenco da comédia adolescente Ela Disse, Ele Disse, mais um filme adaptado de um livro da escritora Thalita Rebouças (Fala Sério, Mãe!). A produção também marca a estreia da diretora Cláudia Castro em longas-metragens e da jornalista Fernanda Gentil como atriz.

Maísa vive Júlia, menina mais popular de seu colégio, que disputa com a tímida Rosa (Duda Matte) a atenção do jovem Leo (Marcus Bessa). Os dois últimos acabam de chegar na escola e tentam fazer amizades no novo local, além de passar por problemas familiares parecidos.

Trailer de Ela Disse, Ele Disse:



Ao estilo A Bruxa de Blair, a novata diretora Bruna Carvalho Almeida constrói seu filme de estreia, Os Jovens Baumann, a partir de um falso filme documental. Na produção, uma moça acha uma fita de VHS com as imagens de um grupo fictício de primos, os Baumann, que sempre passava férias em uma fazenda do interior de Minas Gerais, na década de 1990.

São os últimos momentos dos familiares, que desapareceram sem deixar vestígios após as filmagens, tornando-se um grande mistério para a cidade mineira. A narradora da história tenta encontrar nos registros a resolução para o sumiço de todos. O filme estreia na Cinemateca.

Trailer de Os Jovens Baumann:



Gênero com um grupo fiel de seguidores, o cinema de terror trash continua com bom desenvolvimento no Brasil. O mais recente filme dessa temática é O Clube dos Canibais, de Guto Parente, premiado como melhor produção do Brooklyn Horror Film Festival 2018, evento especializado no gênero.

Incluindo crítica social, o roteiro fala de um grupo de alta sociedade que consome carne humana. Otávio (Tavinho Teixeira, de Aquarius) é membro do Clube dos Canibais do título e, junto com a esposa Gilda (Ana Luiza Rios), adora matar e comer alguns funcionários que contrata para trabalhar em sua casa. A produção tem lançamento no Cine Passeio.

Trailer de O Clube dos Canibais:



Diretor de filmes de temática espírita, André Marouço lança Paulo de Tarso e a História do Cristianismo Primitivo, cinebiografia do apóstolo considerado um dos principais responsáveis por propagar o cristianismo no mundo.

A produção se baseia nas “Epístolas de Paulo” e nos “Atos dos Apóstolos”, textos presentes no Novo Testamento. O principal nome do elenco é Caio Blat (Ponte Aérea), que interpreta o pregador Estevão. O filme estreia no Espaço Itaú.

Trailer de Paulo de Tarso e a História do Cristianismo Primitivo:



A defesa da amamentação no período recomendado pela Organização Mundial de Saúde é tema do documentário De Peito Aberto, de Graziela Mantoanelli. A diretora reúne depoimentos de mães de realidades diferentes para debater a importância do leite materno para as crianças, além de questões sociais, políticas públicas e os interesses econômicos envolvidos no desmame precoce. O filme tem lançamento no Espaço Itaú.

Trailer de De Peito Aberto:



Publicada entre 1960 e 1964, A Turma do Pererê, criada por Ziraldo, foi a primeira revista em quadrinhos de autor brasileiro realizada no Brasil. Sua influência e importância é descrita no documentário A Turma do Pererê.doc, de Ricardo Favilha.

O filme traz depoimentos de Ziraldo, Maurício de Souza, Laerte e estudiosos, e também analisa o contexto político brasileiro no período em que a revista este disponível nas bancas do país. O documentário entra em cartaz no Espaço Itaú.

Trailer de A Turma do Pererê.doc:



Filmado em preto e branco, Foro Íntimo, estreia do diretor Ricardo Mehedff em longas-metragens, é inspirado em fatos reais. A história retrata um dia na vida de um juiz (Gustavo Werneck) que precisa lidar com ameaças de criminosos, além de questionar o sistema legal vigente. O filme estreia no Cine Passeio.

Trailer de Foro Íntimo:



Outras estreias

Sucesso no mundo dos games, os Angry Birds chegaram às telas em 2016 em uma animação de sucesso, que rende agora uma continuação. Angry Birds 2 – O Filme, do estreante em longas Thurop Van Orman, traz os pássaros mal-humorados precisando se unir aos porcos, seus maiores inimigos, depois que uma nova ilha é descoberta perto de onde vivem.

A produção estreia em diversos cinemas da capital paranaense. A versão legendada, com as vozes de Jason Sudeikis (franquia Quero Matar Meu Chefe), Leslie Jones (Caça-Fantamas), Josh Gad (Pixels) e Bill Hader (da série Barry) entra em cartaz apenas no UCI Estação e UCI Palladium.

Trailer de Angry Birds 2 – O Filme:



Coprodução da República Dominicana com Porto Rico e Brasil, O Homem Que Cuida, do estreante Alejandro Andújar, também corroteirista, é mais uma produção a destacar as diferenças de classe social.

No centro da história está Juan (Héctor Aníbal), caseiro de uma propriedade de férias no litoral dominicano. Sua rotina é interrompida quando Rich (Yasser Michelén), filho do patrão, chega para passar uns dias com um amigo e com uma moça da região. Zeloso pela casa, Juan fica incomodado com presença do jovem rico, o qual precisa agradar. O filme tem sessões no Espaço Itáu.

Trailer de O Homem Que Cuida:



O ator espanhol Carlos Alberola estreia na direção com a comédia O Homem Ideal?, filme que também estrela. Ele vive Rubén, homem divorciado e em depressão que aceita participar de um encontro às cegas organizado pelo casal amigo Jaume (Alfred Picó) e Raquel (Cristina Garcia). Mas Pilar (Rebeca Valls), a moça convidada, irá bagunçar com a vida de todos no jantar. A produção tem lançamento no Cineplex Batel e no Cine Passeio.

Trailer de O Homem Ideal?:


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