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Ford vs Ferrari retrata rivalidade nas pistas de gigantes do automobilismo. FILMES, por Rudney Flores

Matt Damon e Christian Bale são os protagonistas do filme dirigido por James Mangold.
Crédito da foto: Merrick Morton/20th Century Fox

A rivalidade nas pistas de duas das maiores construtoras de automóveis do mundo é o tema de Ford vs Ferrari, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros. Dirigido por James Mangold (Logan), o filme retrata um período real, nos anos 1960, em que a empresa americana decide construir um carro de corrida para tentar vencer os imbatíveis carros vermelhos nas 24 Horas de Le Mans, uma das três mais importantes provas do mundo, ao lado do Grande Prêmio de Mônaco e as 500 Milhas de Indianápolis – que formam a tríplice coroa do automobilismo.

A rivalidade não existia nas pistas até então. A Ford era uma das maiores montadoras de carros para o consumidor comum. Já a Ferrari, como ainda é hoje, um estilo de vida com seus bólidos construídos artesanalmente. Mas a fábrica de Enzo Ferrari (Remo Girone) estava mal financeiramente. E os espertos italianos utilizam a Ford como isca para conseguir uma melhor negociação com a Fiat, que acabou comprando a empresa do cavalinho rampante.

Enfurecido com os italianos, o presidente da companhia, Henry Ford II (Tracy Letts), decide dar o troco nas pistas, não medindo esforços nem recursos para construir um carro vencedor para derrotar a Ferrari na mítica pista francesa. Para realizar a tarefa, ele contrata o engenheiro Carroll Shelby (Matt Damon, de Perdido em Marte), ex-piloto e apenas o segundo americano a vencer em Le Mans até a época. Este convida o piloto britânico Ken Miles (Christian Bale, de O Cavaleiro das Trevas) para ajudar a desenvolver o projeto e pilotar o carro, mas as coisas não serão simples, com a dupla enfrentando diversos percalços no caminho.

Miles, apesar do enorme talento no volante, é uma pessoa de trato difícil, bronco e fiel a seus princípios contra as grandes corporações. Ele logo consegue um oponente em Leo Beebe (Josh Lucas, de Doce Lar), um dos principais diretores da Ford, que vai fazer de tudo para que não vá à pista. Ao mesmo tempo, Shelby tenta equilibrar as determinações da empresa e a fidelidade ao amigo piloto.  

O primeiro destaque de Ford vs Ferrari são as incríveis sequências de corridas, algumas das melhores já filmadas no gênero – e que ficam perfeitas em um cinema com tela gigante e equipamentos mais modernos de som e que lembram filmes como o recente Rush – No Limite da Emoção, e clássicos como Grand Prix (1965) e As 24 Horas de Le Mans (1971).

O roteiro bem construído de Jez Butterworth e John-Henry Butterworth (dupla da ótima ficção No Limite do Amanhã, com Tom Cruise), ao lado de Jason Keller (Espelho, Espelho Meu), descreve relações familiares e de amizade, rivalidades, traições, obstinação e superação, bem ao estilo do cinemão clássico americano, com seus grandes heróis e vilões.

Para completar, as ótimas atuações de Damon e Bale – este mais uma vez cotado ao Oscar, assim como o filme em diversas categorias –, e mesmo de Lucas, que mais uma vez interpreta bem um almofadinha que todos tem vontade de esganar. Cotação: Ótimo.

Trailer de Ford vs Ferrari:



O irlandês e a máfia

Martin Scorsese visita mais uma vez o ambiente da máfia nos Estados Unidos em O Irlandês, superprodução da Netflix que está sendo lançada esta semana nos cinemas do Brasil – em Curitiba, com exclusividade no Cine Passeio, com ingressos vendidos somente pelo site Eventbrite (www.eventbrite.com.br). A chegada do filme à tela grande, principalmente nos Estados Unidos, cumpre requisito para receber indicações ao Oscar em 2020.

O diretor norte-americano reuniu em O Irlandês – que estreia no serviço de streaming no dia 27 de novembro – atores que são seus parceiros tradicionais, como Robert De Niro, Joe Pesci (resgatado da aposentadoria autoimposta) e Harvey Keitel, e trabalha pela primeira vez com Al Pacino.

O narrador da história é Frank Sheeran (De Niro), irlandês veterano de guerra, que vai morar na América e vira caminhoneiro entregador de alimentos. Depois de um tempo, ele passa a trabalhar como matador para a máfia americana.

O roteiro criado por Steven Zaillian (vencedor do Oscar por A Lista de Schindler), baseado no livro homônimo de Charles Brandt, é desenvolvido em três linhas temporais. Já velho, em um asilo, Frank conta sua vida para um padre; alguns anos antes, ele e Russell Bufalino (Pesci), que o introduziu na máfia, fazem uma viagem importante com as respectivas mulheres; e o auge de Sheeran no seu serviço, nos anos 1950 e 1960, quando se envolve com figuras reais como o sindicalista Jimmy Hoffa (Pacino), cujo o desaparecimento continua um mistério até os dias atuais, e que tem um desfecho no filme.

Scorsese não tem pressa em desenvolver a trama, que tem duração de 3h29. A trajetória de Sheeran e outras figuras mafiosas proeminentes (as reais recebem uma minibiografia em texto na tela, destacando suas mortes anos depois, invariavelmente violentas) é descrita de forma calma e minuciosa, com assassinatos, conchavos, subornos e todo tipo de crime – no período de época, vale destacar o rejuvenescimento de De Niro, Pesci e Pacino realizado através de efeitos especiais. Em paralelo com a trama criminal, percebe-se a melancolia crescente de Sheeran, que negligenciou a família, sempre assustou as filhas pela violência de suas relações e que tem um final de vida isolado em suas lembranças.

O diretor deleita-se com a reconstituição de época, um trabalho sensacional com cenários, trilha sonora e filmes antigos que retratam os períodos retratados. Mas, com o ritmo lento, a história só vai engrenar mesmo em sua última hora, mostrando os fortes laços entre Sheeran, Buffalino e Hoffa e suas implicações. O trio de atores centrais cresce ainda mais nesta fase da história, com destaque para Joe Pesci, sublime em diversos momentos. Cotação: Ótimo.

Trailer de O Irlandês:



As novas panteras

A falta de ideias originais é crônica há tempos em Hollywood. Sem muita inspiração, a solução tem sido fazer continuações, remakes de filmes que deram certo em outros países ou reciclar velhas ideias. Esta última opção é o caso de As Panteras, série que fez sucesso na tevê nos anos 1970, retornou como comédia de ação em dois filmes bobos no início dos anos 2000 e agora reaparece nas telas em nova adaptação.

Comandada pela atriz/diretora Elizabeth Banks (Três Vezes Amor), a produção tem como protagonistas Kristen Stewart (Café Society), Ella Ballinska e Naomi Scott (Aladdin) como as novas Charlie’s Angels (nome original da série/franquia), espécie de agentes secretas que participam de diversas ações ao redor do mundo.

Elas fazem parte da agência Townsend, que se expandiu internacionalmente pelo trabalho de Bosley (Patrick Stewart, eterno Capitão Pikard da série Star Trek e também o Prof. Xavier da franquia X-Men) – o nome Bosley passou a ser um cargo, uma espécie de gerente. Ele está se aposentando e passando seu posto para a nova Bosley (Banks) nos Estados Unidos.

A primeira grande missão da chefe novata e suas Angels é resgatar um aparelho que pode controlar o mundo – claro, todo vilão de filmes do gênero quer conquistar o mundo; dessa vez, há uma surpresa na identidade dele, apesar de previsível.

E dá-lhe emular situações e personagens já vistos em diversas franquias de ação e espionagem como 007Missão: ImpossívelKingsman e a própria As Panteras – o vilão implacável e quase mudo vivido por Crispin Glover nos filmes de 2000 e 2003, agora defendido por Jonathan Tucker; o inventor de armas chamado Santo (que faz o mesmo que o Q de 007). Há ainda divertidas menções/homenagens aos atores antigos da franquia – um deles aparece no final.

Stewart, Scott e Ballinska mostram química, mas o filme é diversão fraca, passageira, esquecível logo após sair da sala de cinema. A continuação vai depender da bilheteria. Se vier, espera-se que ao menos haja esforço em construir um roteiro decente. Cotação: Regular.

Trailer de As Panteras:



Outras estreias

Gerard Butler volta ao personagem Mike Banning em Invasão ao Serviço Secreto, terceiro filme da franquia de ação. Desta vez, o agente do serviço secreto precisa se livrar de uma armação que o coloca como o principal suspeito de tentar matar o presidente americano – papel recorrente para o ator Morgan Freeman (Impacto Profundo). Banning pede ajuda ao pai (Nick Nolte, de Temporada de Caça, vivendo mais uma vez um personagem ermitão e bronco) para descobrir quem o ameaça.

Trailer de Invasão ao Serviço Secreto:



A trupe formada por Toin (Tom Cavalcante), Ray Van (Whindersson Nunes), Pilôra (Tirulipa) e Romeu (Bruno de Luca) entra em novas confusões em Os Parças 2, continuação da comédia de sucesso de 2017. Na nova história, o grupo perde todo seu dinheiro e busca se recuperar investindo em uma colônia de férias. Enquanto tentam fazer o empreendimento funcionar, em meio a diversas trapalhadas, eles enfrentam a concorrência de uma colônia vizinha, melhor estruturada.

Trailer de Os Parças 2:



Versão live-action de uma animação infantil do canal pago Nickelodeon, Dora e A Cidade Perdida, apresenta a personagem-título já adolescente em diversas aventuras. Após crescer na selva peruana, Dora (Isabela Moner, de De Repente uma Família) é enviada aos Estados Unidos pelos pais Elena (Eva Longoria, de Desperate Housewives) e Cole (Michael Peña, de Homem-Formiga).

Lá, ela vai estudar na mesma escola de seu primo Diego (Micke Moreno), mas logo retorna para selva quando Elena e Cole são sequestrados por vilões tradicionais. Ao lado de alguns novos amigos da escola, Dora precisa resolver diversos mistérios para salvar seus pais.

Trailer de Dora e a Cidade Perdida:



Presente na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2019 e selecionado pelo Marrocos para tentar uma vaga entre os finalistas do Oscar de melhor filme internacional, Adam marca a estreia da diretora Maryam Touzani em longa-metragem.

A produção retrata a relação de duas mulheres na cidade de Casablanca. A viúva Abla (Lubna Azabal, de Incêndios) trabalha duro para criar a menina Warda (Douae Belkhaouda). Ela decide abrigar em sua a casa a jovem Samia (Nisrin Erradi), grávida e futura mãe solteira. A moça ajuda Samia no trabalho e, aos poucos, vai mudando também a vida da sisuda viúva. O filme estreia no Espaço Itaú.

Trailer de Adam:



Outra produção que irá tentar uma vaga no Oscar de melhor filme internacional 2020 é a mexicana A Camareira, da também estreante em longas-metragens Lila Avilés. O filme acompanha a rotina de Eve (Gabriela Cartol), que trabalha como camareira em um hotel de luxo na Cidade do México.

Além de limpar os quartos e atender os pedidos dos hóspedes, Eve, mãe solteira, também se inscreve em um curso educativo para funcionários do hotel, buscando uma vida melhor. O filme tem lançamento no Cinépolis Pátio Batel e no Espaço Itaú.

Trailer de A Camareira:



A diretora Maíra Bühle (A Vida Privada dos Hipopótamos) passou 20 meses acompanhando a rotina de mais de uma centena de moradores do hotel social Parque Dom Pedro, na capital paulista. O resultado do projeto é o documentário Diz a Ela Que me Viu Chorar, que destaca pessoas lutando contra o vício do crack, em busca de uma vida mais tranquila. O filme estreia no Cine Guarani.

Trailer de Diz a Ela Que me Viu Chorar:


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