A Abelhona das Letrinhas – COLUNA RECEITA DE ESCRITA, por Cláudia Moreira

 em Cláudia Moreira, Colunistas

Uma abelha pousa em uma flor e retira o néctar. Vai em outra flor e novamente se alimenta. Depois de um dia cansativo de trabalho em meio à beleza do colorido da natureza, ela processa tudo aquilo e faz o seu próprio mel. A leitura funciona da mesma maneira. E isso foi uma metáfora utilizada pelo filósofo Sêneca, em sua carta 84. Interessante fazer a analogia entre a leitura e a produção de mel, não é?

Buscar as diferentes formas de pensamento e aí, desenvolver sua própria maneira de ver o mundo. Uma abelhona das letrinhas! Não é maravilhoso? Eu me vejo pousando em meus livros, nas páginas de Aline Bei, Margareth Rago, Ricardo Lísias, Michael Ende, Isabel Allende, Yuri Al’Hanati e tantos outros autores fabulosos que me dão a certeza de que ainda preciso extrair muito néctar para, então, fazer o meu mel. Mas o processo em si já é prazeroso.

Pego o livro, deito na rede ou na cama, me agarro com meu chocolate ou meu bolo de cenoura e vou degustando cada palavra. De repente, vejo algo que me toca e rabisco. Não me condenem por riscar o livro, geralmente, o faço de lápis. Amenizou? Cada um encontra um jeito para saborear o mel. O meu estilo de leitura é assim: voo de página em página, imaginando, rindo, chorando, criando. É um mundo só meu. Silêncio colorido.

Depois do trabalho entre as letrinhas, fico pensando nos absurdos. Chego a dormir entre aqueles livros. Sonho com as personagens saindo da escrita, povoando a minha casa e a minha vida. Converso com elas, tenho medo de algumas. Era assim na minha infância. É assim até hoje, não perdi a capacidade de imaginar.

Ler é um hábito que adquiri com meu pai. Aos domingos, ao som de Roberto Carlos, papai comprava vários jornais. Sentávamos na sala e iniciávamos a leitura. Era a nossa hora! Nosso momento juntos. Como não amar a leitura? Ela me traz o mel da vida, nas recordações de puro amor. É, virei uma abelhona!

 

Ilustração: @igor.baldez

 

Cláudia Moreira é mestranda em Escrita Criativa (Uniandrade/PR), formada em Letras e Jornalismo (Uniceub- DF), com especializações em Revisão e Produção Textual (FAE-PR), Desenvolvimento Sustentável (UNB-DF) e Master em Jornalismo (IICS-SP). Tem vários livros publicados, entre eles, Receita de Escrita. É sócia-proprietária da Editora Ponto Vital (PR) e professora de Escrita do Solar do Rosário em Curitiba.

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Mostrando 3 comentários
  • Priscila Idê Ribeiro
    Responder

    Uma abelhona das letrinhas! Fantástico!

  • Neide
    Responder

    Parabéns Cláudia por compartilhar sua inspiração.
    Quando leio um bom livro, me identifico com os personagens, eles passam a fazer parte da minha vida. Também sonho com eles!
    Quando o livro termina, sinto ter que deixá-los irem. Fico até com saudade!
    Chamo de ” depressão pós livro”

  • tai
    Responder

    que linda abelhinha !!!

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