A oscarizada Chloé Zhao comanda Eternos, nova aventura da Marvel – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Fenômeno do cinema desde 2008, a saga construída pela Marvel com seus heróis dos quadrinhos na tela grande segue em um novo capítulo da Fase 4 com Eternos, principal estreia da semana nos cinemas do Brasil e de boa parte do mundo. Pela primeira vez, uma produção do estúdio tem o comando de uma cineasta oscarizada: Chloé Zhao, laureada este ano com a estatueta dourada de direção por Nomadland – apenas a segunda mulher na história a vencer na categoria.

As expectativas sobre essa parceria eram muito grandes e o que se vê na tela é realmente diferente de outras aventuras do Universo Compartilhado Marvel. Para começar, a história apresentada não traz conexões com os filmes anteriores do estúdio – a única menção é sobre os eventos de Vingadores – Guerra Infinita e Vingadores – Ultimato, com a eliminação de metade dos seres do universo no primeiro e o retorno de todos com o “blip” do segundo, e o porquê de os Eternos não terem feito nada a respeitos desses acontecimentos.

Apresentados pelo mestre Jack Kirby (principal parceiro de Stan Lee na criação de diversos heróis da Marvel) nos anos 1970, os Eternos são imortais criados pelos Celestiais, poderosos seres cósmicos também responsáveis pelo surgimento de formas de vida inteligente em diversos planetas, incluindo os humanos. Os Eternos são enviados à Terra para protegê-la dos Deviantes, criaturas malignas também criadas pelos Celestiais e sob as quais perderam o controle.

Na trama do filme, por milênios, os dez Eternos enviados ao planeta combateram os Deviantes até conseguir sua total eliminação. Após o sucesso da missão, eles se separam, mas continuam a participar do desenvolvimento dos humanos sem, no entanto, poder interferir em seus conflitos – por determinação dos Celestiais, só podem agir quando os Deviantes estão envolvidos e ameaçam a Terra e seus habitantes. Mas eles são obrigados a se reunir novamente no presente, quando as violentas criaturas reaparecem aparentemente mais poderosas.

Zhao entrega uma produção com pontos positivos e negativos. A principal força do filme está na diversidade e na representatividade dos heróis – os Eternos são interpretados por atores de origem asiática, com Gemma Chan como Sersi e Ma Dong-seok como Gilgamesh; latina, com Salma Hayek como Ajak; hindu, com Kumail Nanjiani como Kingo; além dos negros Brian Tyree Henry como Phastos, primeiro herói gay nos filmes da Marvel, e Lauren Ridloff como Makkari, personagem surda. Completam o grupo Richard Madden como Ikaris, Angelina Jolie como Thena, Lia McHugh como Duende e Barry Keoghan como Druig.

Mas essa grande quantidade de protagonistas torna a narrativa lenta e incompleta, pois é impossível dar conta de tantas histórias com maior profundidade e ao mesmo tempo. Enquanto outros heróis da Marvel tiveram filmes-solo para contar suas origens e histórias, para depois se reunirem nos filmes dos Vingadores, os Eternos têm pouco desenvolvimento em uma trama que recorre a rápidos flashbacks para revelar apenas alguns pontos de suas trajetórias. A reunião dos heróis na atualidade ainda traz elementos de folhetim, uma espécie de família com diferenças, ressentimentos e traições, todos sentimentos que deveriam ser apresentados em situações melhor desenvolvidas. Para completar, os Deviantes, criaturas criadas em computação gráfica, tornam-se vilões quase genéricos, sem qualquer personalidade.

O resultado é um filme que pouco empolga, frustrante em alguns momentos, ao contrário de muitas produções do estúdio. Como sempre, o espectador deve esperar na sala até o final da projeção, pois há as tradicionais cenas pós-créditos. Cotação: Regular.

Trailer de Eternos:

 

Marighella

Após mais de dois anos de muitos boicotes, Wagner Moura consegue lançar esta semana Marighella, filme que marca sua estreia na direção de cinema. A produção estreia no dia de aniversário de morte do político e guerrilheiro Carlos Marighella, executado em uma emboscada policial em 4 de novembro de 1969.

Moura baseia seu roteiro, escrito ao lado de Felipe Braga, no livro Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo, do jornalista Mário Magalhães. Integrante do PCB (Partido Comunista Brasileiro), o político baiano foi eleito deputado constituinte em 1946, mas perdeu seus direitos no mesmo ano, quando o partido retornou para a clandestinidade.

Um ano depois do golpe que instalou uma ditadura militar no Brasil, em 1964 – uma história que, hoje em dia, muitos teimam em negar ou esquecer por conveniência – Marighella decide pela luta armada contra o regime e, em 1968, funda a Ação Libertadora Nacional (ALN). O filme retrata, em sua maior parte, esse período de existência do grupo guerrilheiro, um dos principais da época no Brasil.

Marighella, vivido por Seu Jorge (Cidade de Deus), comanda, ao lado do veterano Branco (Luiz Carlos Vasconcelos, de Carandiru), um grupo de jovens homens e mulheres decididos a combater o regime militar, na maioria das vezes em ações violentas, com assaltos a bancos e atentados. Do lado da ditadura, eles são perseguidos implacavelmente pelo delegado Lúcio (Bruno Gagliasso, de Todas as Canções de Amor), que coloca o líder da ALN como o maior inimigo do Brasil.

Moura é claro em seu posicionamento político. Ele relata que o golpe militar foi apoiado por boa parte da população do país, além de receber ajuda externa do governo norte-americano, e apresenta toda a truculência da repressão através de Lúcio, uma espécie de amálgama de todos os torturadores do Brasil da época, principalmente do real e temido delegado Sérgio Fleury, que comandou o Dops-SP (Departamento de Ordem Política e Social do estado de São Paulo), no período ditatorial – Gagliasso se destaca e compõe um personagem assustador, a melhor atuação de sua carreira, seja nas telas ou na televisão.

Marighella, defendido também com muito brilho por Seu Jorge, personagem desconhecido para as mais novas gerações, é retratado quase como um herói pelo diretor, com momentos de fúria, mas também de delicadeza na relação com o filho e de serenidade na tentativa de proteger seus companheiros de luta quando a ditadura aperta o cerco ao grupo.

Apesar de todas as dificuldades, o tempo de “embargo” acabou sendo até benéfico para a produção, que se tornou ainda mais atual devido aos acontecimentos recentes no governo federal do Brasil, o que aumenta ainda mais sua importância. O período demorado para o lançamento também pode permitir que o filme tenha uma audiência mais aberta a recebê-lo, mesmo com o clima de extremos que ainda divide o país. Com erros e acertos, Wagner Moura apresenta um trabalho urgente, que chega para provocar debates e reflexões sobre a situação política de hoje no Brasil. Cotação: Ótimo.

Trailer de Marighella:

 

Trio de sucesso

A comédia de ação Alerta Vermelho, do Rawson Marshall Thurber (Família do Bagulho, Arranha-Céu – Coragem Sem Limite) destaca estrelas atuais do cinema: Gal Gadot (a Mulher-Maravilha), Dwayne Johnson (nova franquia Jumanji) e Ryan Reynolds (o Deadpool).

Na trama, John Hartley (Johnson), um investigador FBI, tenta capturar O Bispo (Gadot), a maior ladra de obras arte no mundo. Para ajudá-lo na missão, ele convoca Nolan Booth (Reynolds), o segundo no planeta na arte de furtar objetos valiosos de arte. O trio se envolve em diversas aventuras e confusões ao redor do mundo. A produção é da Netflix e estreia no streaming no dia 12 de novembro. Mas antes, chega em poucas sessões em salas das redes Cinemark, Cinesystem e Cineplus.

Trailer de Alerta Vermelho:

 

Festival infantil

O Cine Passeio recebe, na Sala Cine Luz, até 14 de novembro, a Semana de Animação e Cinema Infantil (Saci) com mais de 50 filmes, entre longas e curta-metragens, de diversos países do mundo. As entradas custam R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia. Os ingressos podem ser comprados na bilheteria, pelo www.ingresso.com ou pelo site do Saci www.saci.art.br.

 

Crédito da foto: Divulgação/Marvel Studios

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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