Filme de ação genérico, Adão Negro abre perspectivas para novo universo compartilhado da DC – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Gênero dominante no cinema atual, a saga dos super-heróis nas telas ganha mais um capítulo com a estreia nesta semana de Adão Negro, filme dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra e estrelado pelo astro Dwayne Johnson, que repetem a parceria recente da produção de ação Jungle Cruise.

O novo filme parece ser o início de uma tentativa da DC/Warner retomar seu universo compartilhado de heróis, que naufragou após o malfadado Liga da Justiça, de Zack Snyder. Desde então, as produções dos heróis do estúdio passaram a funcionar em seu mundo próprio, como o Batman, de Matt Reeves, lançado no início deste ano, além das franquias Mulher-Maravilha, Aquaman e Shazam, e o bem-sucedido Coringa, que já tem continuação em produção.

O filme de Collet-Serra destaca, além do Adão Negro, a Sociedade da Justiça da América, a primeira equipe de heróis dos quadrinhos, e que anos depois foi substituída pela Liga da Justiça. A história também apresenta um personagem conhecido, Amanda Waller (a super atriz Viola Davis), dos filmes Esquadrão Suicida, a possível conexão da volta do universo compartilhado.

Adão Negro tem suas origens nas HQs do herói Shazam, do qual tem poderes semelhantes (enquanto a força do Shazam vem entidades gregas, a do Adão Negro são oriundas de divindades egípcias) e de quem já foi vilão, transformando-se depois em um anti-herói, devido à sua postura mais violenta. E esta última faceta é a explorada no novo longa.

No início do filme, o personagem é apresentado como Teth-Adam, nascido há quase 5 mil anos no fictício Kahndaq, localizado no atual Oriente Médio. Após ganhar os poderes das tais divindades, que são acionados ao dizer palavra Shazam, ele lutou contra um rei tirano que escravizou seu povo na época.

Corta para o presente, no qual Kahndaq é controlado por uma organização denominada Intergangue, que utiliza armas tecnológicas para oprimir a população local. O grupo está buscando um poderoso artefato, a coroa formatada com um metal mágico pelo antigo rei. A revolucionária Adrianna (Sarah Shahi) tenta impedir a Intergangue e acaba trazendo Teth-Adam de volta à vida.

Este ataca com violência seus novos inimigos, mas sua presença é detectada por Waller, que aciona a Sociedade da Justiça para controlá-lo. O grupo é formado pelo Sr. Destino (Pierce Brosnann, famoso por ter sido o agente 007 na década de 1990) e Gavião Negro (Aldis Hodg), além dos novatos Ciclone (Quintessa Swindell) e Esmaga-Átomo (Noah Centineo). Confuso? Sempre é, principalmente para resumir décadas de história de personagens não tão conhecidos e apresentá-los para um público que muitas vezes nunca folheou um gibi na vida.

O fato é que o preâmbulo só prepara os espectadores para uma sequência quase ininterrupta de cenas de ação e pancadaria, com direito a muito CGI e câmara lenta – ecos de Snyder? Mas tudo é genérico demais, com batalhas barulhentas muito semelhantes àquelas que o mesmo Snyder apresentou nos filmes que dirigiu para a DC/Warner (Homem de Aço, Batmam vs Superman – A Origem da Justiça e Liga da Justiça), e também não muito distantes dos filmes do próprio Johnson, também conhecido como The Rock – vale lembrar que Collet-Serra é responsável por muitas produções de ação de Liam Neeson (O Passageiro, Noite Sem Fim, Desconhecido). Ainda há um vilão igualmente genérico, que aparece apenas no arco final da história.

As reais origens e motivações do anti-herói vão ficando mais claras com alguns flashbacks. Há um certo conflito entre Adão Negro e a Sociedade da Justiça, sobre como deve agir um herói, mas tudo segue de maneira muito superficial no geral. E Adão Negro ainda destaca um humor bobo, focado no atrapalhado Esmaga-Átomo – a intenção parece ser emular as gags sempre presente nos filmes da concorrente Marvel, mas nunca dá certo e nem é engraçado; na realidade, chega a ser constrangedor em alguns momentos.

No final, as pouco mais de duas horas de projeção só servem como cansativo preparo para uma única cena pós-créditos, que se revela muito importante e traz novas perspectivas para a sequência da DC no cinema, outra vez como um universo compartilhado. Mas para tudo dar certo e superar os erros cometidos anteriormente, serão precisos roteiros e histórias muito melhores que Adão Negro. Cotação: Regular.

Trailer de Adão Negro:

 

Outras estreias

A programação de Curitiba tem apenas mais duas estreias nesta semana. No Cineplex Batel, entra em cartaz o drama francês Noites de Paris, do diretor Mikhaël Hers. A produção, ambientada no início dos anos 1980, é estrelada por Charlotte Gainsbourg (Anticristo), que vive Elisabeth, recém-separada e que precisa arrumar um emprego para sustentar seus filhos adolescentes.

Ela passa a trabalhar em um programa de rádio noturno e através dele conhece Talulah (Noée Abita), uma jovem problemática. Elisabeth decide acolher a moça em sua casa, o que muda a trajetória de toda a sua família.

Trailer de Noites de Paris:

 

Já o Cine Passeio destaca como estreia o documentário Proibido Nascer no Paraíso, da diretora Joana Nin. O filme acompanha a luta de três mulheres grávidas para dar à luz em Fernando de Noronha. Não há uma lei específica que impeça nascimentos no arquipélago, mas, em 2004, a única maternidade local foi desativada. Desde então, as futuras mães da ilha são levadas pelo governo local ao Recife para terem suas crianças. Nesta sexta-feira (22), a partir das 15 horas, após a sessão do filme, haverá um debate especial.

Trailer de Proibido Nascer no Paraíso:

 

Crédito da foto: Divulgação DC/Warner

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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