Leitura É Hábito, É Convívio, É Prazer – COLUNA RECEITA DE ESCRITA, por Cláudia Moreira

 em Cláudia Moreira, Colunistas, Cultura

A leitura sempre esteve presente na minha infância. A escola premiava os melhores alunos com livros. E, modéstia à parte, eu ganhava quase todos. Tinha meu amigo Ricardo que competia comigo de igual para igual. Era um chororô quando eu perdia na competição. Em casa, meu pai completava o incentivo pelas letrinhas com os jornais, as revistas e os últimos lançamentos editoriais. Quase toda a noite, minha mãe lia para mim e me encantava com a voz cansada após o trabalho árduo do dia. Eu participava do clube do livro e, todos os meses, chegava uma caixinha de surpresas. A leitura era e é sinônimo de festa!

Com os livros, desenvolvi o meu egoísmo. Não os emprestava nem por decreto. Era um ciúme doentio. Hoje isso já melhorou UM POUCO. Tento desapegar e, vez ou outra, consigo deixá-los ir. Dói, mas venho trabalhando o desapego. Afinal, a gente não se livra tão fácil de um amigo, não é? Na adolescência, ficava horas a fio sem tirar os olhos das páginas. Adulta, arrumava um tempinho para me esquecer do mundo e dos problemas por meio das palavras. Agora, aos 50 anos, voltei com tudo para as letrinhas. Associo a leitura ao prazer, ao conhecimento, a um momento só meu.

Um hábito que me trouxe muitas realizações. Chego a ler cinco livros por mês e cada um deles me ensina e me faz pensar diferente por variados primas e perspectivas. Geminiana desde criancinha, viro feminista lendo Margareth Rago, fã das escritas de si com Focault, religiosa com Confissões de Santo Agostinho e até entendo Capitu quando leio Machado. Eu sou a soma de tudo o que leio. Eu me transformo a cada história e me costuro, me viro do avesso, me reconstruo. A Cláudia de hoje não é a mesma de amanhã, após a leitura do próximo livro. E você? O que o livro significa na sua vida?

Não preciso dizer que o livro é meu companheiro nas horas boas e ruins. Ele não pode faltar dentro da minha bolsa. Esqueço o batom, mas nunca o livro. Prioridade, sabe? Até deixei de ler em aeroportos porque diversas vezes fiquei na iminência de perder voos por estar imersa em páginas, completamente absorvida pelas histórias. Meu nome é costumeiramente gritado nos alto-falantes. Cadê eu? Simples: estou naquele lugar de sempre, rodeada de letrinhas, da minha imaginação, das minhas invenções. Uma loucura boa, pode apostar!

 

Ilustração: @igor.baldez

 

Cláudia Moreira é mestranda em Escrita Criativa (Uniandrade/PR), formada em Letras e Jornalismo (Uniceub- DF), com especializações em Revisão e Produção Textual (FAE-PR), Desenvolvimento Sustentável (UNB-DF) e Master em Jornalismo (IICS-SP). Tem vários livros publicados, entre eles, Receita de Escrita. É sócia-proprietária da Editora Ponto Vital (PR) e professora de Escrita do Solar do Rosário em Curitiba.

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