Lições destaca nova jornada sensível e emocional da Turma da Mônica – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Depois do sucesso de Turma da Mônica – Laços, que levou mais de 2 milhões de espectadores ao cinema em 2019, os personagens criados por Mauricio de Souza ganham um novo filme live-action em Turma da Mônica – Lições, principal estreia da semana nos cinemas do Brasil, filme que chega para competir na temporada de férias com os blockbusters Homem-Aranha – Sem Volta para Casa e Matrix Resurrections, que ocupam a maior parte das salas do país.

A nova produção do diretor Daniel Rezende, que foi adiada em um ano por causa da pandemia da Covid-19, é outra vez inspirada em um dos livros da coleção Graphic MSP, o segundo criado dos irmãos mineiros Vitor e Lu Cafaggi – além de Laços e Lições, eles fecham uma trilogia com Turma da Mônica – Lembranças. A série traz autores quadrinistas da nova geração fazendo releituras da obra de Maurício de Sousa.

Na história de Lições, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) se envolvem em uma grande confusão quando decidem matar aula por não terem feito a lição de casa. Os respectivos pais decidem separar a turminha e eles precisam lidar com as consequências de seus atos errados.

Mônica vai estudar um colégio diferente dos amigos e precisa encarar uma outra realidade, além de fazer novas amizades, assim como Magali, que passa a comer ainda mais pela ansiedade de não ter a melhor amiga ao seu lado todos os dias. Já Cebolinha e Cascão começam a sofrer bullying do valentão Tonhão sem a amiga dentuça e seu coelhinho Sansão para protegê-los.

O filme é outra vez ambientado na fictícia Limoeiro, um lugar idealizado, uma típica cidade do interior de um passado não muito distante, um mundo sem a agitação das grandes cidades, sem muita tecnologia e no qual as crianças ainda participam de brincadeiras mais lúdicas.

Além do quarteto principal, a produção destaca muitos personagens dos tradicionais gibis, como Franjinha e Bidu (o cãozinho azul), Marina, Do Contra, Humberto, Nimbus e Milena (Emilly Nayara), a primeira menina negra das histórias de Sousa, além dos adultos Tina (Isabelle Drummond), Rolo (Gustavo Merighi) e Pipa (Camila Brandão). Há também uma participação afetiva de Malu Mader, como a nova professora da Mônica, além de uma nova aparição de Mauricio de Sousa à la Stan Lee, dessa vez como o atendente da cantina do colégio (no primeiro filme, foi um jornaleiro); Vitor Cafaggi entra em cena rapidamente como um professor.

Focado fortemente nas emoções dos personagens, Rezende comanda mais uma sensível trama sobre amizade e crescimento, em muitos pontos superior ao filme inicial. O universo criado por Mauricio de Sousa já faz parte da memória afetiva dos brasileiros que cresceram a partir da década de 1960, e ver na tela grande os personagens que acompanharam a infância de várias gerações traz de volta diversas boas recordações e muita identificação. Divertido e emocionante, Lições deve garantir muitos risos e também muito choro na audiência. Que venha rapidamente Turma da Mônica – Lembranças para fechar a trilogia. Cotação: Ótimo.

Trailer de Turma da Mônica – Lições:

 

Grande fan service

Após duas semanas em cartaz, Homem-Aranha – Sem Volta para Casa, do diretor Jon Watts, já alcançou uma bilheteria mundial de mais de US$ 1 bilhão, um grande feito para tempos de pandemia, que ainda não acabou no mundo, muito pelo contrário com a nova variante ômicron. Com esses números, é possível acreditar que são poucas as pessoas que ainda não viram a produção ou que não leram algum algo que possa ser considerado spoiler. Mesmo assim, vale avisar que a sequência deste texto apresentará informações que desvendam surpresas da trama.

Filme mais aguardado do ano, a nova aventura de Tom Holland como o herói da Marvel foi cercada de mistérios antes da estreia. A história foi sendo revelada aos poucos, e a aparição dos vilões dos antigos filmes do Homem-Aranha nos trailers levou a rumores, sempre negados veementemente, da volta dos atores Tobey Maguire e Andrew Garfield para vestirem novamente o uniforme azul e vermelho – ainda mais porque a trama iria tratar de multiversos.

Sem Volta para Casa começa exatamente do ponto no qual Longe de Casa terminou, com o Homem-Aranha tendo sua identidade revelada como o jovem estudante Peter Parker, informação passada pelo vilão Mistério antes de morrer e divulgada por J. Jonah Jameson (J.K. Simmons, que viveu o personagem na primeira trilogia do Homem-Aranha, do diretor Sam Raimi), o editor do agora site sensacionalista Clarim Diário.

A revelação prejudica Peter, sua namorada MJ (Zendaya) e o melhor amigo Ned (Jacob Batalon), que não conseguem ser aceitos pelas faculdades as quais se candidataram. Isso faz com que o herói peça ao Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) para que faça um feitiço para que todos esqueçam sua identidade secreta, mas as coisas acabam saindo do controle, resultando no aparecimento de Duende Verde (William Dafoe), Dr. Octupus (Alfred Molina) e Homem-Areia (Thomas Haden Church), vilões dos filmes de Tobey Maguire como o herói, e Lagarto (Rhys Ifans) e Electro (Jamie Foxx), os oponentes das produções protagonizadas por Andrew Garfield.

Apesar das negativas dos próprios atores, era praticamente óbvio que a situação gerada também traria o retorno dos antigos Homens-Aranhas. E a aparição e união deles para enfrentar os vilões é o auge do grande fan service que Sem Volta para Casa oferece ao espectador. O filme tem vários momentos feitos para agradar diretamente os fãs do personagem, da frase “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, dita agora pela tia May (Marisa Tomei), aos momentos de amizade pura do trio de Aranhas, passando ainda pela rápida introdução do Demolidor da ótima série da Netflix (vivido por Charlie Cox) e também de Venon (Tom Hardy) no Universo Compartilhado Marvel (o primeiro no início e o outro na primeira cena pós-créditos). São sequências de puro deleite e que, na maioria das vezes, provocam verdadeiras catarses nas plateias.

Como destaques principais, a confirmação de Holland como a melhor encarnação do herói e a interpretação sensacional de Dafoe como Duende Verde. Vale também lembrar do Homem-Aranha de Garfield, que teve sua redenção após sua franquia ter sido interrompida após o segundo filme (um terceiro projeto foi abortado, após as primeiras produções não serem consenso de público e crítica). Assim como os dois últimos VingadoresGuerra Infinita e Ultimato –, Sem Volta para Casa tem alto teor emocional e conquista com uma grande e divertida aventura. Cotação: Ótimo.

Trailer de Homem-Aranha – Sem Volta para Casa:

 

Novo Allen

Em meio à gigantesca turbulência atual em sua vida pessoal, Woody Allen apresenta uma nova produção, a comédia romântica O Festival do Amor, que tem pré-estreia esta semana em Curitiba, no UCI Estação, UCI Palladium e Cinépolis Pátio Batel. O filme não tem as costumeiras estrelas hollywoodianas de seus trabalhos anteriores, que se afastaram do diretor após o reaberto caso de assédio sexual de sua filha adotiva, o que abriu a possibilidade de Allen dar ao veterano Wallace Shawn (da série Young Sheldon) seu primeiro grande papel como protagonista.

O ator vive Mort, que acompanha Sue (Gina Gershon, de Killer Joe – Matador de Aluguel), sua esposa jornalista, na cobertura do Festival de Cinema de San Sebastian, na Espanha. Inseguro, ele divide com seu analista as suspeitas de traição da mulher com o diretor de cinema Philippe (Louis Garrel, de Canções de Amor).

Wallace Shaw, Gina Gershon e Louis Garrel estrelam O Festival do Amor, novo filme de Woody Allen.

Crédito da foto: Divulgação/Imagem Filmes

 

Crédito da foto principal: Divulgação/Paris Filmes-Downtown Filmes

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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