Lightyear estende o universo de Toy Story – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Marco do cinema de animação, Toy Story vem conquistando e emocionado plateias desde o seu lançamento, em 1995, assim como suas ótimas três continuações. Por todo esse sucesso, nada mais seguro para a Disney/Pixar realizar seu primeiro lançamento pós-pandemia nos cinemas investindo em um personagem da mesma franquia. Lightyear, do diretor Angus MacLane, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros, destaca a história do astronauta que inspirou um dos brinquedos-protagonista dos quatro Toy Story. Como indica a mensagem no início da produção, é o filme que o garoto Andy, de Toy Story, viu e adorou nos anos 1990, e que o levou a ganhar um boneco de Buzz Lightyear, um dos seus preferidos.

O filme de MacLane, também um dos responsáveis pela história, é uma grande aventura espacial, inspirada em produções como a saga Star Wars, que destaca conceitos de espaço-tempo (vistos de maneira mais didática em Interestelar, de Christopher Nolan), além de uma importante mensagem sobre diversidade, algo que um filme da década de 1990 não teria, mas extremamente condizente com os tempos atuais.

Buzz Lightyear (no original, voz de Chris Evans, o Capitão América, da Marvel; no Brasil, o personagem é dublado pelo apresentador Marcos Mion) é um patrulheiro estelar e comanda, ao lado da também patrulheira Alisha Hawthorne (Uzo Aduba, da série Orange Is the New Black), sua grande amiga, uma grande nave que viaja pelo espaço.

O herói e sua equipe vão parar em um planeta com seres hostis e todos acabam tendo que ficar no local por um erro do protagonista, que avaria a unidade de energia do veículo espacial. Dessa forma, a nave não pode mais ir ao espaço, o que obrigada a imensa tripulação a montar acampamento no planeta. Após um ano, uma nova fonte energética é construída, mas é preciso testá-la. Lightyear é o encarregado, mas ela não funciona a contento. O problema é que, devido à grande velocidade utilizada, o teste acaba durando quatro anos para quem está no planeta, mas apenas alguns minutos para o herói, que pouco envelhece. E a cada novo teste, ele perde mais quatro anos da vida dos amigos.

Enquanto o patrulheiro viaja, todos vão seguindo sua trajetória, como Alisha, que se casa com uma companheira de tripulação e constrói família. Em uma das voltas de teste, Lightyear se depara com o vilão Zurg, que dominou o planeta com seus robôs e precisará enfrentá-los, contando com o apoio de uma trupe atrapalhada que inclui Izzy Hawthorne (Keke Palmer, de As Golpistas), a neta de Alisha.

A animação tem um incrível design, com sensacionais representações das naves e do planeta hostil e seus seres. Os primeiros arcos de roteiro emocionam pelos sentimentos que o herói precisa lidar, a amizade com Alisha ficando cada vez mais distante pelo tempo, mas principalmente por se sentir culpado pelo destino de todos. Sua compensação é SOX (Peter Sohn), um robozinho em forma de gato que acaba se tornando seu grande companheiro – e sendo responsável pelos momentos mais meigos e divertidos do filme.

A produção cai justamente no arco final com personagens pouco interessantes (a trupe atrapalhada e o vilão), mal desenvolvidos, além de situações clichês de amizade e superação, o que é de se estranhar em uma produção da Pixar, sempre precisa, inventiva e cativante na maioria de seus roteiros. No geral, Lightyear acaba sendo uma diversão tradicional, que deve agradar toda a família, mas sem o mesmo brilho dos grandes trabalhos do estúdio. Cotação: Bom.

Trailer de Lightyear:

 

Glória Pires em trama policial

O cinema nacional atual tem sido dominado amplamente pelas comédias televisivas, principalmente em relação aos lançamentos, sobrando pouco espaço para outros tipos de produção. Dessa forma, é interessante a chegada ao circuito de A Suspeita, um thriller policial, gênero ainda raro na cinematografia nacional. O trabalho, uma das principais estreias da semana e que marca a estreia do diretor Pedro Peregrino, oriundo da tevê, em longas-metragens, tem como principal trunfo a presença de Glória Pires, umas maiores atrizes do país, como protagonista.

Ela vive Lúcia, uma experiente investigadora da Polícia Civil carioca que se envolve em um intricado caso antes de sua aposentadoria. Através de escutas, a personagem central descobre que o traficante Beto (Daniel Bouzas) pode ter provas de um grande sistema de corrupção envolvendo policiais, e que pretende entregá-las ao famoso jornalista Miguel Yan (Bukassa Kabengele).

Lúcia passa a vigiar o repórter, mas o assassinato deste a envolve em um grande mistério que talvez não consiga decifrar. O problema é que a policial começa a viver os sintomas precoces do mal de Alzheimer e sua mente por muitas vezes a tira de órbita, sem saber onde está ou o que está fazendo. Para complicar ainda mais, ela passa a ser uma das suspeitas do crime. Seus superiores, o delegado Gouveia (Gustavo Machado) e o chefe de polícia Avelar (Charles Fricks), insistem para que desista do caso, que pode prejudicar o final de sua carreira e aposentadoria, mas a policial insiste em seguir com a investigação.

Como de costume, Glória tem uma interpretação de destaque, mas não é o suficiente para sustentar todo o filme. A produção tem ritmo lento e aposta em muita câmera desfocada para mostrar a confusão mental da protagonista e tentar manter o suspense, o que poderia ser interessante se seu uso não fosse excessivo. Para completar, o roteiro – escrito a oito mãos (por Thiago Dottori, Luiz Eduardo Soares, Newton Cannito e Fernanda de Capua), o que não é um bom sinal na maioria das vezes, com muita gente palpitando no texto – segue sem grandes surpresas, com um desenvolvimento previsível, tanto em relação aos vilões da história como ao final da investigação.

Peregrino tinha uma boa premissa, mas perde a chance de realizar algo mais ousado ou inventivo, como o premiado Meu Pai, que tem uma ótima trama centrada em uma pessoa com Alzheimer. Cotação: Regular.

Trailer de A Suspeita:

 

Documentários nacionais

Em seu novo documentário, Amigo Secreto, a diretora Maria Augusta Ramos (Justiça e O Processo) e sua equipe acompanham o desenrolar dos acontecimentos no Brasil após o vazamento de mensagens secretas trocadas pelos líderes da operação Lava-Jato, e que abalaram sua credibilidade, principalmente no julgamento do ex-presidente Luís Inácio  Lula da Silva. A produção entra em cartaz apenas no Cinesystem Curitiba.

Trailer de Amigo Secreto:

 

Outro documentário programado para a semana é Samadhi Road. A partir dos aprendizados conseguidos através de conversas com seus avós, e percebendo a importância de se passar experiências através da oralidade, os Irmãos Ahimsa (Daniel Hey e Julio Hey) saem em busca de reflexões sobre a vida interior de pessoas de diversas áreas, do pensamento filosófico e religioso até o mundo da música, como Gilberto Gil e o maestro João Carlos Martins. O filme estreia apenas no Cine Passeio.

Trailer de Samadh Road:

 

Premiado em Berlim

Vencedor do Urso de Ouro de melhor filme do Festival de Berlim 2021, a produção romena Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental traz como personagem central Emi (Katia Pascariu), uma respeitada professora de história de uma escola conservadora da capital Budapeste.

Sua vida sofre um grande abalo depois que um vídeo de uma relação sexual com seu marido vaza para alunos do colégio em que leciona. Devido à grande repercussão do filme, seu futuro acadêmico será decidido em reunião com os pais dos estudantes. A produção tem sessões apenas no Cine Passeio.

Trailer de Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental:

 

Crédito da foto: Divulgação/Disney-Pixar

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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