O fechamento do Espaço Itaú – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

A programação de cinema de Curitiba não tem um grande destaque pela segunda semana consecutiva – Cry Macho – O Caminho para Redenção, novo filme de Clint Eastwood e principal estreia desta semana, não ganhou lançamento na cidade. Dessa forma, o destaque no cinema da capital é a triste notícia do fechamento do Espaço Itaú de Cinema, que administrava cinco salas no Shopping Crystal, no bairro Batel.

Inaugurado no final de 2004 como Unibanco Arteplex, o cinema sempre teve a proposta de unir em sua programação filmes mais comerciais e produções brasileiras, independentes e de arte. A ideia se manteve com a fusão do Unibanco com o Itaú em 2010, quando o local passou a se chamar Espaço Itaú.

A rede também fechou as unidades de Porto Alegre e Salvador, que reuniam mais 12 salas no total. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, desde 2019, nessas praças, a ocupação das salas não passava de 20%, situação que se agravou com a pandemia da Covid-19. A rede mantém agora apenas os cinemas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que têm maior audiência.

Em seu Twitter oficial, a rede se dirigiu ao público das praças que tiveram as atividades encerradas: “Nosso mais sincero agradecimento aos cinéfilos de Curitiba, Porto Alegre e Salvador, que sempre frequentaram nossas salas com assiduidade e dedicação, e nos ajudaram a fazer destes cinemas muito mais do que espaços de lazer, mas também de encontros, debates e aprendizado”.

O Espaço Itaú anunciou também um maior investimento em sua plataforma de streaming – Itaú Cultural Play, que passa a ser uma opção para quem aprecia a linha de filmes veiculados pela rede de cinemas.

Para o cinéfilo curitibano que gosta ver filmes brasileiros, independentes e de arte na tela grande, a opção atualmente é apenas a programação do Cine Passeio, espaço da Prefeitura de Curitiba. O Cineplex Batel, que também destacava esses gêneros de produção, não reabriu suas portas depois do fechamento forçado pela pandemia e não divulgou ainda qualquer informação sobre uma previsão de retorno de suas atividades.

 

Vivendo o mesmo dia

Conhecido por interpretar vilões em diversas produções de ação – o mais conhecido é o Ossos Cruzados, dos filmes da Marvel –, o ator Frank Grillo vive pela primeira vez o herói principal em uma produção do gênero em Mate ou Morra, do diretor Joe Carnahan (Esquadrão Classe A).

O filme destaca uma história já vista em outras produções, a do personagem que fica preso sempre no mesmo dia – o mais conhecido é o cult Feitiço do Tempo, com Bill Murray, além do ótimo No Limite do Amanhã, com Tom Cruise, a franquia A Morte Te Dá Parabéns, e também a série Boneca Russa.

O diferencial de Mate ou Morra é ter uma estrutura totalmente influenciada pelos games, o que pode atrair quem gosta de jogos eletrônicos, um grupo que só cresceu nas últimas décadas – hoje em dia, a indústria de games já é a maior do que a do cinema.

O início da trama – com sons e trilha que remetem aos tradicionais jogos de 8 bits – traz o ex-agente das forças especiais Roy Pulver (Grillo) vivendo o mesmo dia pela 140ª vez. Ele apresenta e comenta a sua rotina diária, de tentar fugir de vários perseguidores que tentam matá-lo a cada instante. O problema é que ele não sabe quem são essas pessoas e seus motivos.

Com todo o tempo que tem, ele acaba descobrindo quem o colocou nessa situação – a saber, a cientista Jemma (Naomi Watts, de Cidade dos Sonhos), sua ex-esposa, com quem tem um filho. Como em um game, Roy vai “avançando” na resolução do mistério ao morrer a cada dia, como se passasse de fases ou níveis em um jogo. Vale destacar a breve participação de Mel Gibson como o vilão principal, outro que deseja ter um poder que pode destruir o mundo.

Como Grillo não tem o carisma de um Tom Cruise ou mesmo de Mel Gibson, o filme corre normalmente em sua ação, mas sem brilho, mais uma diversão passatempo, esquecível depois que se sai da sala do cinema. Cotação: Regular.

Trailer de Mate ou Morra:

 

Outras estreias

O ator e apresentador Marcio Garcia também aprecia estar atrás das câmeras e já dirigiu dois filmes para o mercado americano – Amor por Acaso (2010), com Juliana Paes e Dean Cain, o Superman da série Lois & Clark, e Andie, com Camille Belle e Andy Garcia.

Agora, ele comanda sua primeira produção totalmente nacional, Reação em Cadeia, estrelada por Bruno Gissoni e Monique Alfradique, atores mais conhecidos da telinha. A história é centrada no auditor Guilherme (Gissoni), que se envolve em um esquema criminoso para tentar ajudar Lara (Alfradique), uma ex-namorada da adolescência por quem continua apaixonado. O filme tem sessões no Cinemark Barigui, Cinepólis Pátio Batel e Cinesystem Curitiba.

Trailer de Reação em Cadeia:

Um dos principais roteiristas brasileiros, responsável pelo texto de ótimos e variados filmes como Bicho de Sete Cabeças, Bingo – O Rei das Manhãs e Turma da Mônica – Laços, Luís Bolognesi está lançando seu segundo filme na direção – o primeiro foi o longa de animação Uma História de Amor e Fúria (2013).

O documentário A Última Floresta foca em uma tribo yanomami isolada na Amazônia, que tentar manter suas tradições enquanto enfrenta a chegada dos garimpeiros em sua região. Bolognesi escreveu o roteiro do filme em parceria com Davi Kopenawa Yanomami, o xamã local. A produção, que estreia no Cine Passeio, recebeu o prêmio do público de melhor filme na Mostra Panorama do Festival de Berlim 2021.

Trailer de A Última Floresta:

Em Escape Room 2 – Tensão Máxima, os personagens sobreviventes do filme original precisam novamente escapar das armadilhas de uma maléfica empresa de jogos. Mas o mistério para sair dos cômodos nos quais ficam presos são mais difíceis de decifrar e os perigos enfrentados são ainda mais mortais.

Trailer de Escape Room 2 – Tensão Máxima:

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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