Os vilões da criatividade – COLUNA RECEITA DE ESCRITA, por Cláudia Moreira

 em Cláudia Moreira, Colunistas

Quando falamos em criatividade, imediatamente, associamos à capacidade de criar e produzir coisas novas. Mas, nem sempre, nos colocamos no papel de criativos. Por que será? Achamos que não temos esse poder de “sair do quadrado” e fazer diferente. Provavelmente, esteja aí o primeiro inimigo: o MEDO – que já falamos anteriormente. Este receio de não nos jogarmos para o inusitado, de não tentarmos o improvável e de não apostarmos na nossa competência de reinventar é que trava um primeiro passo rumo à criatividade.

A lista parece que não tem fim. Imagine um copo cheio. Ele tem condição de receber mais água? Assim é o nosso cérebro. Se ele está cheio de informações, como terá a chance de criar algo? O CANSAÇO, leia-se ESTRESSE, é um vilão considerável. Especialistas garantem que é preciso estar sem perturbações, algo “zen”, para se ter boas ideias. Aliás, esses insights vêm, muitas vezes, quando estamos dormindo ou nas nossas horas de lazer. Por isso, a importância de termos uma horinha com nossa criança interior, o nosso eu criativo, fazendo o que apreciamos.

Quer outro vilão? O PERFECCIONISMO. Eis aqui um segredinho: ninguém é perfeito. E a busca por não errar é bem ruim, além de afetar a criatividade. “Ser ‘perfeito’ e ‘à prova de bala’ são conceitos bastante sedutores, mas que não existem na realidade humana. Devemos respirar fundo e entrar naquilo que consideramos um desafio: um relacionamento, um encontro importante, uma conversa difícil em família ou uma contribuição criativa. Em vez de nos sentarmos à beira do caminho e vivermos de julgamentos e críticas, nós devemos ousar aparecer e deixar que nos vejam. Isso é vulnerabilidade. Isso é a coragem de ser imperfeito. Isso é viver com ousadia”, diz a escritora Brené Brown no livro A Coragem de Ser Imperfeito.

A RIGIDEZ ou a INFLEXIBILIDADE de aceitar o diferente também não abre espaço para a inventividade. Aliás, a criatividade não dá lugar para as ideias preconcebidas. É necessário abrir a cabeça para o novo. Para isso, não são aceitas a ACOMODAÇÃO e a ROTINA. Fugir das mesmices é um caminho certeiro para se ter um outro olhar sobre tudo.

Pablo Picasso já dizia que o maior inimigo da criatividade é o BOM SENSO. Teríamos que transgredir um pouco para irmos além? Talvez, este bom senso, ou seja, o de sempre fazermos o certinho, caia naquele círculo vicioso de não ultrapassarmos nossas próprias barreiras. Se é assim, concordo com o gênio da pintura. Aliaria ainda no pensamento de Picasso a PREGUIÇA. Como nós temos preguiça de pensar!

Ser criativo exige atenção, observação e mente aberta. Todo mundo pode mudar a programação cerebral. Não é como tirar da tomada e religar, mas é ver o mundo com outros olhos, sem preconceitos e sem achar que sabe de tudo. Faça como Sócrates “só sei que nada sei” e reiniciar uma aprendizagem “fora da casinha”, com direito a erros e a fracassos. Desta maneira, você colocará os inimigos invisíveis para correr, e abrirá alas para ela: a criatividade.

Texto retirado do livro Receita de Escrita, da Editora Ponto Vital. À venda no link: https://pag.ae/7XcqSZSnH.

 

Ilustração: @igor.baldez

 

Cláudia Moreira é mestranda em Escrita Criativa (Uniandrade/PR), formada em Letras e Jornalismo (Uniceub- DF), com especializações em Revisão e Produção Textual (FAE-PR), Desenvolvimento Sustentável (UNB-DF) e Master em Jornalismo (IICS-SP). Tem vários livros publicados, entre eles, Receita de Escrita. É sócia-proprietária da Editora Ponto Vital (PR) e professora de Escrita do Solar do Rosário em Curitiba.

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