Shyamalan apresenta Tempo – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Ao ser aclamado pelo suspense O Sexto Sentido (1999) e também elogiado por Corpo Fechado (2000), o diretor M. Night Shyamalan foi vinculado aos grandes nomes do cinema, criando uma grande expectativa para a sequência de sua carreira. Mas, por mais de uma década, o cineasta enfileirou vários projetos irregulares, que foram mal avaliados por público ou crítica – Sinais (2002) e A Vila (2004) até têm alguns poucos defensores, mas A Dama na Água (2006), Fim dos Tempos (2008) e Depois da Terra (2013) são realmente bem fracos.

Shyamalan voltou a ser bem comentado apenas em 2016, com o ótimo Fragmentado, que retomou a história de Corpo Fechado, filme que tinha uma mitologia muito referente aos heróis de quadrinhos (e nada a ver com o sobrenatural, como engana o título brasileiro para atrair os que gostaram de O Sexto Sentido; o título original é Unbreakable). Vidro (2019), uma boa produção, fechou a trilogia dos personagens.

O diretor também investe no mundo dos quadrinhos em seu novo projeto, Tempo, uma das estreias da semana na programação de cinema no Brasil.  O roteiro de Shyamalan é baseado na HQ francesa Castelo de Areia, de Frederik Peeters e Pierre Oscar Lévy, publicada no Brasil em 2011, pela editora Tordesilhas. A graphic novel surgiu a partir de um roteiro de cinema não aproveitado por Lévy, que também é documentarista.

A história do filme acompanha algumas famílias que vão passar férias em um resort em um local paradisíaco. O casal Guy (Gael Garcia Bernal, de Diários de Motocicleta), atuário do setor de seguros, e Prisca (Vicky Krieps, de Trama Fantasma), museóloga, viaja com os filhos pequenos Maddox e Trent; o médico Charles (Rufus Sewell, de O Ilusionista) está acompanhado da esposa Christal (Abbey Lee, de Mad Max – Estrada da Fúria), da filha Kara e da mãe; há também o casal formado pelo enfermeiro Jarin (Ken Leung, da série Lost) e a psicóloga Patricia (Nikki Amuka-Bird, de O Destino de Júpiter).

Todos são convidados pelo gerente do hotel a visitar uma praia particular, localizada em uma falésia. Lá, eles encontram o rapper Mid-Sized Sedan (Aaron Pierre), que aparenta estar completamente perdido. Em pouco tempo, coisas estranhas começam a acontecer e todos percebem que tudo está relacionado ao tempo, que passa muito rápido para quem está na praia. Eles também percebem coisas em comum que os levaram a chegar ao resort e tentam descobrir uma maneira de escapar do local, o que parece ser impossível.

Shyamalan altera alguns personagens da HQ, elimina outros, e adapta fielmente várias situações da história original. Com sua grande experiência no gênero, comanda com maestria o suspense crescente da trama e acrescenta algumas ótimas cenas de terror. O efeito do tempo nos personagens também rende boas sequências.

Por outro lado, o diretor acaba fazendo algumas concessões ao cinema hollywoodiano, eliminando praticamente o teor sexual existente em parte do quadrinho, apresentando uma solução para o mistério da trama (que a história original não desvenda), com direito a uma cena retroativa para explicar uma situação importante, pois a maioria dos produtores de cinema nunca confia que o público vá entender ou intuir alguma trama, é preciso deixar tudo bem mastigado. E há também um vilão comum em várias produções recentes do cinema, que não se pode adiantar para não dar spoilers.

O importante é que, com Tempo, Shyamalan emplaca um terceiro filme interessante na sequência, um alento para uma grande promessa que teve um grande período irregular e que parece estar retomando a carreira criativamente. Cotação: Bom.

Trailer de Tempo:

 

Messias e Judas

Outra boa estreia em Curitiba esta semana é Judas e o Messias Negro, de Shaka King, filme vencedor este ano dos Oscars de ator coadjuvante para Daniel Kaluuya (de Corra!) e de melhor canção original para “Fight for You”, de H.E.R.

A produção é centrada na história de Fred Hampton (Kaluuya), ativista político negro e líder do revolucionário partido dos Panteras Negras. A atuação de Hampton chama a atenção do FBI, que consegue infiltrar o agente William O’Neal (LaKeith Stanfield, de Desculpe te Incomodar) nos Panteras Negras.

Apesar de serem protagonistas, tanto Kaluuya quanto Stanfield foram indicados a atores coadjuvantes, estratégia que alguns estúdios adotam para facilitar a premiação de seus atores – neste ano, a categoria principal de ator no Oscar tinha os fortes concorrentes Anthony Hopkins (vencedor por Meu Pai) e Chadwick Boseman (indicação póstuma por A Voz Suprema do Blues).

Judas e o Messias Negro deveria ter estreado na capital paranaense em fevereiro, mas foi cancelado com o fechamento dos cinemas. Já disponível em serviços de streaming, o filme está em cartaz apenas no Cine Passeio.

Trailer de Judas e o Messias Negro:

 

Jungle Cruise

Completando a programação de estreias da semana aparece Jungle Cruise, novo filme dos estúdios Disney, outra produção baseada em um dos famosos brinquedos de seus parques, assim como Piratas do Caribe, que gerou uma franquia.

Dirigido por Jaume Collet-Serra – conhecido pelo comando dos filmes de ação do ator Liam Neeson, como Desconhecido, Sem Escalas, Noite Sem Fim e O Passageiro –, Jungle Cruise é estrelado por Dwayne Johnson (da nova franquia Jumanji) e Emily Blunt (ainda em cartaz em Um Lugar Silencioso – Parte II).

Ele é o aventureiro Frank Wolff, capitão do barco La Guilla, que leva pessoas turistas para conhecer a Amazônia. A atriz vive a doutora Lily Houghton, que contrata Wolff para ajudá-la a encontrar uma misteriosa árvore amazônica, que tem poderes de cura e poderá mudar o futuro da medicina. No caminho, eles enfrentam muitos perigos, naturais e sobrenaturais, e um vilão, vivido por Jesse Plemons (de O Irlandês). Para completar, como é tradicional em filmes do gênero, muitos efeitos especiais em grandiosas cenas de ação.

Trailer de Jungle Cruise:

 

Crédito da foto principal: Divulgação/Universal

 

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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