Tom Cruise retoma personagem que o levou ao estrelato no nostálgico Top Gun – Maverick, FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Com quase 60 anos (a serem completados em julho), Tom Cruise segue sendo a maior estrela do cinema mundial, ainda mais depois das cenas de pugilato de Will Smith no Oscar deste ano – o único que rivaliza com ele e que será obrigado a dar uma parada estratégica na carreira até a poeira abaixar. O astro continua apaixonado pela tela grande e é um dos poucos que não se rendeu às empresas de streaming. Tanto que adiou o lançamento de Top Gun – Maverick por dois anos por conta da pandemia, até que a produção pudesse finalmente chegar às salas para ser acompanhada pelo público.

E se o cinema ainda sobreviverá por um tempo como um evento coletivo para grandes plateias, não se tornando um nicho para poucos apreciadores, será por causa de lançamentos como o dessa continuação do filme que elevou Tom Cruise ao estrelato há 36 anos. Maverick, que no Brasil estreia esta semana dominando boa parte das salas, sem grandes concorrentes, investe pesado na nostalgia para atrair os espectadores de volta aos cinemas – que só têm lotado nos recentes e gigantes lançamentos da Marvel.

Dirigido por Joseph Kosinski, que comandou o astro na ficção científica Oblivion, o novo Top Gun traz Cruise outra vez no papel do piloto de caças norte-americano Pete “Maverick” Mitchell, um dos poucos personagens que reprisa no cinema (as outras exceções são o agente secreto Ethan Hunt, da franquia Missão: Impossível, e Jack Reacher, personagem baseado em quadrinhos).

Depois de mais de três décadas, Maverick continua intempestivo e sem seguir regras, querendo apenas pilotar aviões, o que o ainda faz ser apenas capitão na marinha norte-americana, enquanto seus contemporâneos chegaram ao topo da carreira militar como almirantes. É o caso de Tom “Iceman” Kazanski – Val Kilmer, que aparece na produção em uma emocionante cena, debilitado ainda pelo câncer na garganta que enfrentou nos últimos anos –, que sempre protege o amigo de longa data, impedindo que ele seja expulso das forças armadas. Após mais um ato de insubordinação, o piloto é indicado por Iceman para uma missão na Top Gun – a famosa escola de pilotos de elite dos Estados Unidos –, praticamente a sua última chance.

Ele retorna como professor e vai comandar uma equipe de 12 pilotos na preparação de uma missão secreta e quase suicida – destruir uma usina de processamento de urânio em um país hostil aos Estados Unidos. Um dos prodígios do ar é o tenente Bradley “Rooster” Bradshaw (Miles Teller, de Whiplash – Em Busca da Perfeição), filho de Goose (Anthony Edwards), parceiro de Maverick que morre no primeiro filme, e com quem o veterano piloto tem uma relação conturbada.

Prestando muito tributo ao filme dirigido em 1986 por Tony Scott (morto em 2012, e homenageado no final da nova produção), e estimulando a nostalgia, principalmente para o público masculino que já passou dos 40 anos, Top Gun – Maverick entrega o que se espera dele, uma ode à virilidade masculina e ao nacionalismo norte-americano, exatamente como há 36 anos, além de ter diversas cenas que remetem diretamente ao original.

Há Cruise pilotando sua moto, a cantoria de “Great Balls on Fire” (de Jerry Lee Lewis) no bar, uma partida esportiva na praia (dessa vez futebol americano ao invés de vôlei), Maverick comandando o avião de ponta-cabeça e boas e vibrantes sequências de ação com os caças, incluindo um retorno do F-14, estrela do filme antigo. Entre os personagens, o piloto Jake “Hangman” Seresin (Glen Powell, de Estrelas Além do Tempo) remete ao antagonista Iceman, e Maverick conta com um outro interesse amoroso, Penny (Jennifer Connelly, de Réquiem para um Sonho), uma paixão antiga.

A maior parte da trilha sonora emula o rock dos anos 1980. O hit “Take my Breath Away” (de Georgio Moroder e Tom Whitlock), sucesso do Berlin e vencedor do Oscar de canção original, não retorna, mas a música-tema da produção é “Hold My Hand”, da estrela Lady Gaga, uma das responsáveis pela trilha.

Maverick é um filme que casa muito bem com os tempos pós-pandemia, um período no qual as pessoas buscam relembrar tempos em que foram mais felizes e retomar atividades que faziam anteriormente, rever algo conhecido, como o astro Tom Cruise na grande tela. No próximo ano, o ator estreia o sétimo filme da franquia Missão: Impossível, que já tem subtítulo definido: Acerto de Contas – Parte 1. Cotação: Ótimo.

Trailer de Top Gun – Maverick:

 

Wahlberg em produção religiosa

Outro gênero que sempre lotou cinemas antes do período da pandemia é o de filmes religiosos. Luta pela Fé – A História do Padre Stu, a outra estreia da semana da programação e Curitiba, da diretora estreante Rosalind Ross, tem temática católica e elenco de figuras conhecidas do cinema.

Mark Wahlberg (O Vencedor) interpreta o personagem principal, Stuart Long, um ex-boxeador que decide ser padre após superar uma tragédia em sua vida. Mas seu caminho será cheio de percalços e provações, e ele contará com o apoio da mãe Kathleen (Jacki Weaver, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante por Reino Animal) e do vizinho Bill Long (Mel Gibson, Oscar de diretor e melhor filme por Coração Valente). Malcolm McDowell (Laranja Mecânica) também é destaque na produção, como o monsenhor Kelly.

Trailer de Luta pela Fé – A História do Padre Stu:

 

Crédito da foto: Divulgação/Paramount

 

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

Postagens Recomendadas

Deixe um Comentário