Venom – Tempo de Carnificina traz nova aventura do anti-herói da Marvel – FILMES, por Rudney Flores

 em Colunistas, Cultura, Rudney Flores

Personagem que sempre dividiu opiniões entre os fãs de quadrinhos da Marvel e do Homem-Aranha, o anti-herói Venom ganha uma nova adaptação no cinema com Venom – Tempo de Carnificina, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros. O primeiro filme da franquia estreou em 2018 com críticas negativas, mas agradou ao público, rendendo mais de US$ 850 milhões.

Dessa forma, a continuação era inevitável para a Sony Pictures, que detém os direitos dos personagens das HQs do Homem-Aranha. E também para o ator Tom Hardy, que vive o jornalista Ed Brock, personagem que tem uma relação simbiótica com o alienígena Venom. Em entrevistas de divulgação da nova produção, ele tem dito que teve que voltar à franquia pois assinou contrato para participar de três filmes, demonstrando que por ele não faria um outro Venom.

Para amenizar as coisas, Hardy – conhecido inicialmente por sua participação nos filmes de Christopher Nolan, como A Origem e O Cavaleiro das Trevas Ressurge, no qual viveu o vilão Bane – resolveu colaborar com a produção apresentando uma história que depois seria desenvolvida pelos roteiristas. Para a direção do filme foi convidado Andy Serkis, que está no começo da carreira atrás das câmeras, após ficar famoso como o principal ator na técnica de captura de imagens, dando vida a personagens icônicos como o Gollum da trilogia O Senhor dos Anéis, o macaco Ceasar da franquia O Planeta dos Macacos e o King Kong mais recente.

A opção escolhida pela produção foi a de não levar nada a muito a sério e tentar criar um filme divertido para quem participou e também para o público. E, de fato, Venom – Tempo de Carnificina se apresenta como uma estranha comédia, que destaca uma espécie de bromance entre Brock e o ser simbótico com quem divide o corpo. O jornalista tenta controlar Venom e impedi-lo de comer cabeças, alimentando-o com aves e chocolates, únicos alimentos que controlam sua voracidade. Por seu lado, o alienígena quer viver novas aventuras, ser um herói e dilacerar bandidos. As discussões “engraçadinhas” e intermináveis entre a dupla tomam boa parte da história.

O vilão da trama é Cletus Kasady, um serial killer que aparece na cena pós-crédito do primeiro filme. O personagem – outro maluco na galeria do ator Woody Harrelson, que, como de costume, novamente é destaque em uma produção –  agora está no corredor da morte, prestes a ser executado, mas também passa a dividir o corpo com um poderoso simbiótico – denominado Carnificina –, após receber a visita de Brock na prisão para uma entrevista. O embate entre os monstros ainda envolve Frances (Naomi Harris, a Moneypenny dos recentes filmes da franquia 007), a namorada de Kasady, e Anne (Michelle Williams, de Namorados para Sempre), a eterna paixão de Brock, que também retorna.

Os filmes da Marvel elevaram o patamar das adaptações de quadrinhos e mostraram que é possível fazer ótimas comédias com os super-heróis e vilões – os dois Guardiões da Galáxia e Thor – Ragnarok são os exemplos. Não é o caso de Venom – Tempo de Carnificina, que apenas destaca um humor muito frouxo e bobo na maior parte do tempo.

Como em todos os filmes baseados em personagens da Casa das Ideias, há uma cena pós-créditos que pode conectar Brock/Venom ao novo filme do Homem-Aranha, previsto para dezembro, este ainda cercado de mistérios sobre a participação de diversos personagens por conta da trama que vai envolver multiversos. E como Hardy assinou para três filmes, não se deve descartar um novo Venom ou até sua entrada em outras produções do famoso universo compartilhado, já que a Sony tem agora uma parceria com a Marvel Studios. Cotação: Regular.

Trailer de Venom – Tempo de Carnificina:

 

A vida de Bagdá

Vitorioso há muitos anos em competições internacionais e com diversos nomes de destaque, o skate só chamou mesmo a atenção de todo o Brasil após as recentes Olimpíadas de Tóquio, quando o esporte marcou sua estreia na programa e os skatistas do país conquistaram três medalhas de prata, incluindo a da jovem Rayssa Leal.

A presença da “Fadinha”, como é conhecida Rayssa, e também de skatistas como Letícia Bufoni e Pâmela Rosa, além da divertida e ótima participação da pioneira Karen Jonz como comentarista da modalidade nas transmissões no SporTV, deram muita visibilidade ao skate feminino, e mostraram sua importância em um esporte ainda muito dominado por nomes masculinos.

Esse preâmbulo é necessário para indicar como é oportuna, nesse momento, a estreia do filme Meu Nome É Bagdá, da diretora Caru Alves de Souza, que chega esta semana na programação do Cine Passeio. A personagem central, Bagdá, é skatista e é vivida por uma skatista, Grace Orsato.

Moradora da parte menos abonada do bairro Freguesia do Ó, na capital paulista, Bagdá tem 17 anos e passa os dias andando de skate com os meninos da região. Em casa, ela tem a companhia da mãe (vivida pela cantora Karina Buhr, estreando no cinema) e duas irmãs mais novas. Sua vida passa por uma mudança quando ela encontra outras meninas skatistas em um rolê em outra região de São Paulo. Ela ganha novas amigas e terá com elas experiências de sororidade e empoderamento feminino, questões muito atuais.

O filme não tem uma trama específica e se baseia praticamente em sensações e observações sobre Bagdá e personagens do seu entorno, mas envolvendo importantes questões como machismo, assédio sexual, preconceito e violência em relação à diversidade, todas infelizmente ainda muito presentes na sociedade.

Em entrevistas, a diretora revelou que não teve um roteiro determinado e seguiu muito a reação das atrizes e atores a situações que propunha. O resultado são boas cenas ao ar livre, em que se destacam a prática do skate ou os personagens de divertindo de alguma forma. A produção recebeu o prêmio do júri de melhor filme da Mostra Generation do Festival de Berlim 2020, destinada a novas produções. O júri destacou ser “impossível não ser conquistado pela protagonista e sua comunidade e, da mesma maneira, impossível esquecer o auge glorioso e poderoso deste filme. É uma prova de que a vida pode não nos proporcionar milagres, mas podemos superar todos os obstáculos se seguirmos nossa paixão”. Cotação: Bom.

Trailer de Meu Nome É Bagdá:

 

Outras estreias

Também no Cine Passeio estreia O Fio Invisível, novo filme da diretora chilena Cláudia Llosa (Madeinusa). A produção é uma adaptação do premiado romance Distância de Resgate, da escritora argentina Samanta Schweblin, publicado no Brasil pela editora Record.

A história de terror e sobrenatural apresenta Amanda (María Valverde, de Aranha, que passou recentemente também no Cine Passeio), que vai viver com a filha em uma área rural isolada. Lá, ela conhece Carola (Dolores Fonzi, de A Aura), que tem segredos obscuros que aos poucos vão sendo revelados.

O filme é produzido pela Netflix e tem previsão de estreia na plataforma no dia 13 de outubro.

Trailer de O Fio Invisível:

A animação Ainbo – A Guerreira da Amazônia destaca uma jovem índia que tem a missão de evitar a destruição da floresta e de sua tribo, ameaçada por Yakuruna, a escuridão que mora no coração de pessoas gananciosas. Em sua jornada, Ainbo conta com a ajuda de divertidos animais da floresta.

Trailer de Ainbo – A Guerreira da Amazônia:

Crédito da foto: Divulgação/Sony Pictures

Rudney Flores é jornalista formado pela PUCPR, assessor de imprensa e crítico de cinema, com resenhas publicadas nos jornais Gazeta do Povo e Jornal do Brasil.

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