Vento Ventania – COLUNA RECEITA DE ESCRITA, por Cláudia Moreira

 em Cláudia Moreira, Colunistas, Cultura

O vento me leva a rodopiar por cima das flores. De repente, joga-me ao chão e, em um solavanco, faz-me dançar. Para lá e para cá. Não tenho medo. Aproveito e me deixo leve. Para cima e para baixo. Vivo a velocidade e também as quedas.

Vejo-me sobrevoando alguns galhos secos, depois, árvores frondosas. Não espero nada desse vendaval, mas queria muito ir ver o mar. Será que o vento pode ser domado e, a meu comando, visitar as águas do Atlântico? Domar. Como estamos acostumados a ter as rédeas nas mãos, a furar destinos. Deixa pra lá! Vou me satisfazer com a ventania, com o ser levada…

Giro sem direção e meus cabelos dão nó. Não, eles soltam os nós. Tudo me soa vento. Um sabor de liberdade e de falta de controle de absolutamente tudo. Eu escuto o barulho absurdo da ventania. Jogo a sensação de ansiedade fora e curto o vazio e a completude. Paradoxos. Como é bom ser tudo e ser nada!

O vento continua sem rumo e me levando. Nem sei se quero voltar à vida sem ele. Não ter leme, não esperar por algo, simplesmente, ser levada, leve, livre… O sopro ou vendaval da vida? Os dois? A viagem não me deixa escolher. Sou folha sem trajeto. Às vezes, paro; às vezes, voo.

Neste exato momento, o vento se acalma. Estou em êxtase. Percebo a brisa que embala cada pensamento meu e cada átomo do meu corpo. Respiro, sinto, encontro-me.

Ai, vento, ensina-me a ser brisa, a ser vendaval, a ser ventania, a ser.

 

Ilustração: @igor.baldez

 

Cláudia Moreira é mestranda em Escrita Criativa (Uniandrade/PR), formada em Letras e Jornalismo (Uniceub- DF), com especializações em Revisão e Produção Textual (FAE-PR), Desenvolvimento Sustentável (UNB-DF) e Master em Jornalismo (IICS-SP). Tem vários livros publicados, entre eles, Receita de Escrita. É sócia-proprietária da Editora Ponto Vital (PR) e professora de Escrita do Solar do Rosário em Curitiba.

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