Você Gosta de Ler? – COLUNA RECEITA DE ESCRITA, por Cláudia Moreira

 em Cláudia Moreira, Colunistas

Para que a nossa receita de escrita fique completa, chegou a vez da leitura. Já falamos da palavra, da observação e da criatividade, não é? Agora vamos para essa parte super gostosa que é ler. Você lembra quando foi apresentado ao seu primeiro livro? Tem o registro do livro de que mais gostou? Eu adorava ficar na rede, trancada no quarto, lendo autores como José Mauro de Vasconcelos (Rosinha, Minha Canoa). Eu li toda a coleção. Minha mãe brigava para eu socializar na sala com as visitas, e eu, em outro mundo, socializando com personagens que me tocavam a alma, expandiam minha sensibilidade e já davam as pistas para uma futura escritora, que eu nem sonhava em ser ainda.

A leitura é um ingrediente básico para sua escrita. Quem lê possui um vocabulário mais amplo e rico. Além disso, desenvolve um faro para a melhor utilização da Língua Portuguesa. Isso sem contar com maior criatividade e imaginação, maior poder de observação e mais habilidade no uso da palavra.

Um leitor em potencial é culto. Viaja sem sair do lugar. Domina o conhecimento e, a partir daí, você pode criar algo, adaptar e transformar ideias já preconcebidas e colocá-las à disposição de todos em um livro. Não tem que inventar a roda. Pode simplesmente adaptá-la, colocando sua experiência, sua alma, seu toque pessoal.

Um importante filósofo alemão, Arthur Schopenhauer, autor de A Arte de Escrever, vai contra a teoria de que ler em demasia é bom. De acordo com ele, ler o que pensam os outros é uma barreira para que criemos nossas próprias ideias. E diz mais: “o excesso de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão contínua tira a elasticidade de uma mola. O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada momento livre.”

Interessante esse contraponto, não é? Nunca tinha ouvido ninguém defender os pensamentos próprios “atacando” a leitura, chegando a afirmar que tal ação é prejudicial. Schopenhauer compara os pensamentos alheios a uma peruca que adorna a cabeça de alguém. O cabelo da peruca não é o da pessoa que coloca a peruca, assim como os pensamentos, quando são aproveitados por intermédio da leitura em excesso.

Lendo o filósofo alemão, consegui me ver de peruca. Não uma qualquer, mas uma bem colorida. Até bula de remédio não me escapa. Gosto de comparar os estilos, entender o processo criativo de cada autor, a forma como usa os advérbios e os adjetivos, como os escritores iniciam e terminam suas obras. Comparo, reescrevo, releio. Vou dos clássicos às novidades do mercado. Sou uma devoradora de livros e, para Schopenhauer, uma típica consumidora de perucas (coloridas, por favor!).

Texto retirado do livro Receita de Escrita, da Editora Ponto Vital. À venda no link: https://pag.ae/7XcqSZSnH

 

Ilustração: @igor.baldez

 

Cláudia Moreira é mestranda em Escrita Criativa (Uniandrade/PR), formada em Letras e Jornalismo (Uniceub- DF), com especializações em Revisão e Produção Textual (FAE-PR), Desenvolvimento Sustentável (UNB-DF) e Master em Jornalismo (IICS-SP). Tem vários livros publicados, entre eles, Receita de Escrita. É sócia-proprietária da Editora Ponto Vital (PR) e professora de Escrita do Solar do Rosário em Curitiba.

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Comentários
  • Alessandra Pereira Louzada
    Responder

    Muito interessante esse ponto de vista de Schopenhauer. Os livros, para mim, são como caixinhas que vou abrindo e descobrindo coisas novas. Trazem conhecimento e consciência sobre assuntos diversos.
    Na infância, adorava os da Maria José Dupré. A ilha perdida, O cachorrinho samba… na floresta, na fazenda. Era uma coleção muito legal. 😉

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